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domingo, 30 de novembro de 2008

Richard Dawkins Fala Sobre "Deus, um Delírio"

Entrevista com Richard Dawkins falando sobre seu best-seller.

Muito boa.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Vídeos: Richard Dawkins fala sobre fé

Excelente palestra. São três vídeos de 8 minutos cada um. Vale muito a pena assistir. Todos legendados. Há alguns erros nas legendas, mas dá para pegar a idéia geral.






domingo, 4 de maio de 2008

Citação: Auguste Comte

Auguste Comte, filósofo, diz, no prefácio de seu "Catecismo Positivista", que a Humanidade é o grande ser, substituto de Deus na religião positivista. Para ele, em nome do passado e do futuro, os servidores teóricos e os servidores práticos da humanidade vêm tomar dignamente a direção geral dos negócios terrestres, para construir, enfim, a verdadeira providência, moral, intelectual e material, excuindo irrevogavelmente da supremacia política todos os diversos escravos de Deus, católicos, protestantes ou deístas, como sendo, ao mesmo tempo, atrasados e perturbadores." (19/10 de 1851).

Agradeço a Paulo Vasques pela contribuição.

domingo, 27 de abril de 2008

Vídeo: A Justiça do Deus Bíblico



Realmente, o vídeo é interessante, mas o final é melhor ainda. Adoro essa citação de Richard Dawkins que fala que Deus do Velho Testamento, se existisse, seria o ser mais pestilento, machista, homofóbico, megalomaníaco, sadomasoquista, etc, etc, etc, de toda a humanidade.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Vídeo: Assistam... Simplesmente demais

Apesar de poucos erros de tradução, o conteúdo é muito bom. Pensem.


Humor: quadrinhos


Repostado de: Os Malvados

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Vídeo: Deus é Pai episódio 2

Mais um da fantástica série "Deus é Pai". Pena que só encontrei 3 episódios.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Vídeo: Pat Condell

Deus, o Psicótico
Excelente, como sempre... Pat Condell e sua língua mordaz.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Vídeo: Deus é pai

Excelente sátira: Deus e Jesus vão à analista. "Farelo de pão? Você ainda está preocupado com esse farelo de pão, caralho?". Hilário.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Vídeo: Paulo de Tarso Vs. Tiago

Vídeo mostrando as contradições do novo testamento de forma diferente e divertida.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

As muitas mortes de Deus

Repostado do JC Online

Numa reação pendular à onda de terrorismo fundamentalista que anda assolando o mundo, o ateísmo virou um boom editorial. Exemplo disso é o best-seller de Christopher Hitchens, Deus não é Grande, onde o tom provocativo é de regra. O editor brasileiro adotou-o logo no lay-out da capa, literalmente assim: deus Não É GRANDE... Experimentei dois sentimentos opostos ao lê-lo. De um lado, admiração pela coragem pessoal do autor, um jornalista inglês amigo do escritor Salman Rushdee, autor do famoso “Versículos Satânicos”, que vive até hoje escondido com medo de ser assassinado por um muçulmano disposto a ir para o céu prometido por Khomeini a quem o matasse. Hitchens diz coisas contra o islamismo capazes de ter atraído igual ira. O seu livro, enquanto defesa das sociedades liberais - aquelas que separaram a religião do estado -, é uma valiosa contribuição a um salutar neo-iluminismo.

Mas, do ponto de vista teológico - e olha que estou longe de ser um expert nesse assunto -, seus argumentos me pareceram simplórios, destinados a um público consumidor pouco afeito às discussões sobre esse assunto. Hitchens se compraz em reduzir a absurdos as leituras literais (desculpem a aparente redundância) da Bíblia, contrapondo o que ela diz aos dados da ciência. É uma empresa fácil e anacrônica, porque não há nada de novo sob o sol desde pelo menos o início do século XVIII, quando Laplace, explicando a Napoleão a mecânica celeste, respondeu da seguinte forma a pergunta do Imperador a respeito de onde ficava Deus: “Não precisei dessa hipótese”.

De fato, frente ao conhecimento moderno sobre um universo infinito e descentrado, está excluída a hipótese de uma corte celestial instalada num lugar físico qualquer do firmamento. Depois da arqueologia e da paleontologia, que teólogo contemporâneo sustenta que o mundo foi criado há 6 mil anos atrás? À parte “criacionistas” americanos, ninguém. Nesse sentido, Hitchens está metendo o pé em portas abertas faz tempo. Ele retoma a velha questão a respeito do que fazia Deus antes do primeiro dia da criação. A pergunta é uma espécie de “pegadinha” para a qual já existe resposta desde o século IV da era cristã, dada por Santo Agostinho: não existe um antes da criação, porque Deus, ao criar o mundo, criou o tempo junto com ele! E basta, porque minha curta teologia já se esgotou.

O neo-iluminismo de Hitchens repete a crença ingênua do velho iluminismo de que o progresso da ciência acabaria com a metafísica. Engano. Se conseguimos descobrir o mistério dos trovões e já não vemos nos terremotos manifestações da ira divina, há outros mistérios que permanecerão enquanto formos seres humanos, e eles continuam alimentando a sede de respostas que a ciência não dá. A morte é um deles. O sentindo da vida, outro, e as soluções existencialistas, ao invés de consolarem, acrescentam mais angústia. Para não falar do mistério dos mistérios: o do próprio ser. “Por que existe algo ao invés de nada?” Noutros termos, por que o universo existe? Questão fundamental e intransponível. Aparentemente sem sentido para o distraído homem comum, ela ilumina o paradoxo do ateu que acha absurda a existência de um Deus incriado, mas não nota que a existência de um mundo sem Deus, ou seja, também incriado, é igualmente absurda! São questões que já atormentaram pensadores do quilate de Artistóteles e São Tomás de Aquino. Elas permanecem irresolvidas, e vão continuar assim mesmo depois do livro de Hitchens.

Deus é um assunto complexo demais para ser tratado jornalisticamente. Valioso como libelo contra a violência por motivos de religião, o livro de Hitchens erra o alvo. O problema não é Deus. O problema é a instrumentalização política do espírito religioso, sua apropriação por qualquer tipo de fundamentalismo - islâmico ou cristão, que também já fez das suas. E nós outros, brasileiros, o que temos com isso? Boa pergunta para a qual há uma boa resposta. Temos no Brasil iniqüidades sem fim, mas, pelo menos, nunca tivemos guerra de religião. Nosso sincretismo religioso e nosso caráter pouco dado ao confronto criaram aqui uma experiência de tolerância religiosa que pode servir de exemplo a um mundo conflagrado por razões que não chegamos a compreender. Porque são mesmo incompreensíveis.

Por Luciano Oliveira. LUCIANO OLIVEIRA é bacharel em Direito, mestre e doutor em Sociologia e professor da UFPE.

Comentário: Prezado Luciano. Não sei qual a sua posição religiosa. A minha nem preciso dizer. Entretanto, a questão Deus, como você coloca, só tem uma importância deste tamanho porque nos primórdios da religião, quem não acreditava morria. Ou seja, todos eram "obrigados" a acreditar nessa sobrenaturalidade idiota, mesmo aqueles que não acreditavam. Isso deu margem a uma sociedade onde virou tabu criticar qualquer tipo de religião. Ah, religião tem que respeitar. Ou seja, um soldado americano que está com saudades da mãe não pode voltar para vê-la. Mas se ele alegar que sua religião prevê que os próximos 5 dias são feriados santos, pronto. Ele vê a mãe, vai a bailes de carnaval, apronta tudo mais um pouco com autorização divina. E ai de quem disser alguma coisa. Desrespeito à fé é crime. Façam-me o favor. Eu minto sempre quando é para o meu benefício. Se tem um feriado judeu, eu me converto na hora. Se é um feriado islâmico, sou muçulmano de carteirinha. Se for católico, nem precisa porque já é feriado mesmo. E todos os outros se beneficiam. Que coisa, não? Pelo menos é para isso que as religiões servem para mim. Sugiro ao autor Luciano que leia os livros que recomendo mais abaixo aqui no Blog. Entre outros, como "The End of Faith", de Sam Harris. Abraços.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Vídeo: Mais imbecilidade

Assistam ao vídeo abaixo e depois digam se eu estou errado em ser ateu.




Comentário: é com esses argumentos que o imbecil que colocou esse vídeo espera que nós, ateus, nos convertamos. É o mesmo que eu fazer um vídeo dizendo que eu ganhei na Mega Sena três vezes consecutivas, depois me casei com a Sabrina Sato e de quebra sou amante da Mulher Samambaia. Sem fotos ou vídeos, meu caro, nada feito. Quero provas. Falar e mostrar vídeo qualquer um faz. Quero ver evidências, que é o que falta a toda religião. Provas, evidências, seriedade, são três palavras que os religiosos não sabem o que significam. Cegueira e paralisia histérica existem e são documentadas CIENTIFICAMENTE pela psiquiatria. A menos que você considere as medicações como sendo Deus agindo através da química. Acho que não. Os relatos bíblicos de química não são lá muito precisos... dizer que o ouro enferruja não foi lá muito sábio, não é mesmo? Acho que Deus deveria saber disso ao escrever o "Livro Sagrado". Um grande abraço e ah, um lembrete: DEUS NÃO CURA AMPUTADOS NEM ACÉFALOS NEM PORTADORES DE SÍNDROME DE DOWN.


Pós-comentário: Como todo bom ateu, reconheço que não vi que o vídeo se tratava de uma sátira. Reconhecer os erros e tentar corrigi-los são coisas que os religiosos não fazem. Desculpe, Fernando, por não ter notado. Parabéns pela iniciativa e o comentário acima fica para aqueles que concordam com o que o vídeo diz... Esses sim são cegos porque não querem ver. Obrigado por corrigirem meu post. E OBRIGADO PELA PRESENÇA NO MEU SITE. Colaborem quando puderem. Mandem coisas para o meu e-mail. Tento fazer deste site um verdadeiro REDUTO DOS ATEUS. Abraços,

Daniel Vasques

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Solidão reforça crenças religiosas e sobrenaturais, diz estudo

Repostado do Estadão.

Testes mostram que pessoas 'socialmente desconectadas' tendem a projetar qualidades humanas no ambiente
Carlos Orsi, do estadao.com.br

SÃO PAULO - Pessoas solitárias têm uma tendência maior de atribuir características humanas a objetos inanimados ou animais irracionais e a acreditar em entidades sobrenaturais, como anjos, demônios ou Deus. A conclusão vem de três experimentos realizados por psicólogos americanos das universidades de Chicago e Harvard, e que estão descritos am artigo publicado na edição de fevereiro do periódico Psychological Science.

"As pessoas são levadas a manter uma conexão social com outras, e as que não têm essa conexão... podem tentar compensar criando um senso de ligação humana com agentes não-humanos", diz o texto.

Nos três experimentos apresentados no artigo, voluntários foram classificados como socialmente "conectados" ou "desconectados", e submetidos a testes onde tinham de definir em que grau objetos ou animais pareciam possuir características como "livre arbítrio" ou "simpatia".

Além disso, em dois dos estudos, participantes responderam a perguntas sobre suas crenças, classificando o quanto acreditavam em fantasmas, anjos, milagres, o demônio, Deus e maldições numa escala de zero (nenhuma crença) a 10 (muita crença).

Na primeira experiência, os voluntários foram separados entre "conectados" e "desconectados" por meio de um questionário. Nos outros dois, a sensação de estar ligado ou não a outras pessoas foi induzida. Em um deles, por um falso perfil psicológico, que afirmava que a pessoa teria "tendência de se ver sozinha no futuro", ou que teria "tendência a ter relacionamentos recompensadores". No outro, pela exibição de clipes de filmes, como Náufrago e O Silêncio dos Inocentes.

Todos os resultados, dizem os autores do trabalho, encabeçado por Nicholas Epley, da Universidade de Chicago, indicam uma tendência maior à humanização e à crença sobrenatural entre pessoas desconectadas. "Desconexão social pode não transformar um ateu num fundamentalista", reconhece o artigo, "mas pode dar um impulso à crença religiosa entre crentes e descrentes".

O artigo sugere que "pessoas solitárias podem criar um objeto dotado de mente, um mascote ou um deus para povoar seus mundos" e que, dada a alternativa - o sofrimento causado pela solidão - essa pode ser uma estratégia terapêutica. "A correlação positiva entre a posse de um mascote e o bem-estar é bem documentada", diz o texto.

Outra hipótese levantada na descrição do estudo é a de um efeito oposto - de pessoas muito bem integradas em seu meio social tenderem a ver como menos humanas as de fora desse meio.

"Isto é mais uma hipótese que temos que um resultado experimental confirmado", explicou Epley, por e-mail. "Mas seria um resultado análogo ao do nosso artigo".

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Livros lidos e recomendados

"Deus, um Delírio" - Richard Dawkins
















"Deus não é Grande - como a religião envenena tudo" - Christopher Hitchens














"Carta a uma Nação Cristã" - Sam Harris





















"Quebrando o Encanto - a religião como fenômeno natural" - Daniel C. Dennett

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Ciclones sobre a cruz

Repostado de Digestivo Cultural.

Por Guga Schultze

Uma das melhores leituras, em 2007, foi o best-seller de Richard Dawkins, Deus, um delírio (Companhia das Letras, 2007, 528 págs.). Julio Daio Borges, nosso editor, já escreveu sobre ele aqui, no Digestivo Cultural. A ousadia de Dawkins é bastante explícita, a ponto de protegê-lo da acusação de pretensioso ou arrogante, porque Dawkins se coloca de cara na linha de tiro, declarando a intenção de converter o leitor ao ateísmo. Não dá pra acusá-lo de tentar uma catequese invertida, ou de fazer um proselitismo escuso. Ele diz, com todas as letras, que é isso mesmo o que ele está tentando fazer.

Dawkins tem coragem, ao mexer numa casa de marimbondos. Uma casa bem menor, hoje, do que nos tempos de Bertrand Russell, quando este lançou, por volta de 1957, Porque não sou cristão (Livraria Exposição do Livro, 1972) ou quando Herman Hesse cometeu pequenas mas instigantes heresias e apostasias em Demian. De qualquer forma, é preciso um mínimo de coragem para afrontar uma "insensatez generalizada, erguida em consenso, a ferro e fogo, sobre o Ocidente".

As críticas que Dawkins recebeu pela sua "virulência" são infundadas. Deus, um delírio é um livro suave, bastante bem-humorado, tranqüilo, até. Pese as falhas da tradução, que tornam muitas passagens mal articuladas, o livro é bastante claro, no seu todo. O tradutor parece que não acompanha bem o que Dawkins está dizendo, ou não entende bem o que ele diz, de forma que às vezes é literal demais, uma coisa perigosa quando se traduz do inglês, particularmente.

Dawkins vai contra a idéia de "deus", no geral. Por tabela, ataca a religião. A culpa não é de Dawkins apenas, já que a religião se apossou quase que totalmente de "deus", de forma que fica difícil pra qualquer um falar em deus fora da esfera da influência religiosa. As religiões se proclamaram, desde sempre, porta-vozes exclusivas da questão, não dando espaço para nenhuma outra forma de se tratar o assunto, a não ser nos próprios moldes, ou seja, transformaram "deus" em uma questão de fé, apenas.

O darwinismo de Dawkins é sofisticado e maleável ao ponto de ser uma interpretação a posteriori daqueles princípios básicos. Ele não repete Darwin, apenas se orienta por onde Darwin abriu caminho. E, evidentemente, Dawkins apresenta o evolucionismo como ferramenta para a compreensão da natureza, não como verdade em si. Dawkins pareceria dizer que "deus" também pode ser uma questão de investigação científica. Mas nem Dawkins escapou totalmente da imposição religiosa de "deus", de maneira que, quando descarta a idéia, está descartando o novelo religioso por inteiro.

No livro Cem anos de solidão, de García Márquez, o padre de Macondo vem visitar o velho patriarca, José Arcadio Buendía, que está meio louco, preso por cordas debaixo de uma castanheira. O padre vem humanitariamente fazer companhia ao velho e tenta ensinar o jogo de xadrez. Ao perceber que o jogo é uma batalha, o patriarca confunde o padre ao dizer que não concebe como duas facções inimigas podem concordar com as mesmas regras.

Algo parecido está em jogo no livro de Dawkins, na medida em que a religião apresenta apenas duas alternativas, como uma regra única para o jogo do ser humano à procura de suas origens: crer ou não crer em deus. Ou seja, crer, segundo a religião, é a única forma de encarar a hipótese de um criador. E, uma vez aceita a hipótese, apresenta-se ao crente a imagem religiosa de deus, com todas as suas implicações extremamente humanas e, por que não, absurdas. Dawkins escolhe não crer.

Dawkins recebeu pelo menos uma resposta, O delírio de Dawkins, livro de um casal de teólogos, Alister e Joanna McGrath. Bem escrito mas cheio de evasivas, não tem, nem de longe, o impacto natural que Dawkins provoca. Talvez mereça uma resposta de Dawkins, e os autores podem agradecer à boa sorte por ser Dawkins o debatedor e não Christopher Hitchens.

O livro de Dawkins é até um livro calmo. O mesmo não se pode dizer de Deus não é grande, do jornalista inglês, citado acima, Christopher Hitchens. Hitchens não é cientista e não tenta calmamente provar que está certo. Apenas detona a religião, baseado em suas experiências como jornalista, em sua capacidade de pensar por si mesmo e em seu desprezo agudo por enganações de toda espécie. Um verbo que Hitchens deve odiar, sem culpa, é "tergiversar".

Em comum, Hitchens e Dawkins defendem a moralidade natural do ser humano, em contraste com a necessidade dessa moral ser "soprada" dos altos escalões celestes, como insistem os pastores para o rebanho. Para Hitchens o comportamento das altas cúpulas celestiais, eclesiásticas e do rebanho inteiro chega a ser imoral.

Até aí eles estão parelhos, mas enquanto Dawkins se esforça pela volta de um iluminismo científico e, provavelmente, está atento às repercussões positivas do seu livro, Hitchens não está nem aí. Demarca friamente sua distância da procissão dos crentes, é brilhante sem tentar ser persuasivo e contundente até onde sua experiência nas letras (ou no jornalismo) lhe permite. Aceita tranqüilamente que "o mal", digamos assim, está presente no homem e independe da religião. Mas ridiculariza esse mesmo argumento quando é usado para justificar atrocidades cometidas em nome de deus. Hitchens não aceita irresponsabilidades e exige responsabilidade assumida.

Não pretendo me estender demais sobre os dois livros. Não caberia aqui. Basta apontá-los como boas leituras, de certa forma originais na medida em que são poucos os livros que "peitam" as crenças em geral.

Existem mais alguns dignos de nota, como o ótimo romance Um riso na catedral, do brasileiro Dalmy Gama, professor de literatura, que apresenta uma visão esclarecedora e original sobre crenças, crendices e o que pode estar por trás disso tudo. Outros, mais antigos (e surpreendentes por isso mesmo) como o já citado Porque não sou cristão, de Bertrand Russell e La desilusion de un sacerdote, de um ex-teólogo alemão radicado na Argentina, Franz Griese, são leituras pra lá de esclarecedoras.

A pergunta que geralmente se faz diante dessa controvérsia toda é: por que se preocupar com este assunto? Por que se ocupar com esse debate pró ou contra a religião e qual seria, afinal, a importância desse mesmo debate?

Há várias respostas pertinentes a essa pergunta. Uma delas, talvez a mais abrangente, é que pode mesmo ser necessário ao homem um aprofundamento da velha questão "quem somos, de onde viemos e para onde vamos". Na medida em que a religião pretende que essas perguntas fiquem inteiramente sob sua órbita de influência ou, pior, pretende responder de modo arbitrário a essas indagações, fornecendo nomes, datas, tamanho, modus operandi, endereço, objetivos e idéias da própria entidade conhecida como "o criador", o debate já se justifica.

Só o tamanho absurdo do cosmos, crescendo ao longo das últimas seis décadas (quando foi brutalmente ampliado), depõe, e de uma forma cada vez mais categórica, contra a pretensão humana de ser o centro das atenções do suposto criador desse mesmo cosmos.

Outra resposta possível, mais na esteira do livro de Hitchens, é que a religião, principalmente no Ocidente, firmou-se em bases extremas de ódio. Seis séculos de Inquisição são mais do que suficientes para qualquer religião ter criado seus opositores ferrenhos.

Ao contrário dos europeus, que sofreram diretamente vários flagelos religiosos, o cristão brasileiro não leva tão a sério sua própria fé. "Ouso dizer" (como diz Hitchens) que o o cristão tupiniquim é, geralmente, um despreocupado sem-vergonha. Menos mal. Não frequenta muito a igreja, não se confessa, escolhe no que acreditar, mistura crenças diversas, mantém comércios pessoais com santinhos, conhece a Bíblia de ouvir falar. Em suma, não conhecem bem a religião que professam e ficam meio perplexos com essa "tempestade em copo d'água", promovida por esses autores estrangeiros.

O próprio Leonardo Boff, figura que me parece a síntese do catolicismo brasileiro mais esclarecido ― ameno, humanista e bem-intencionado ―, molha a camisa tentando esclarecer para si e para outros cristãos a realidade da Inquisição, num longo prefácio ao livro mor do Tribunal do Santo Ofício, o Manual dos Inquisidores, usado pela Igreja durante alguns meros séculos. A herança dessa realidade ainda não se dissipou de todo.

Deus parece um tabu. Podemos sentir, em qualquer lugar, o desconforto gerado pela simples menção da divindade. A gente tolera, ainda com razoável simpatia, as expressões tipo "graças a deus" ou "pelo amor de deus" mas, mesmo essas, precisam ser instintivamente dosadas. Seu uso constante não faz bem pra imagem pessoal. Normalmente essas expressões são acompanhadas de rápidos olhares para cima e igualmente rápidas expressões faciais de desamparo. Suportáveis ainda numa tia sabidamente carola, mas não numa pessoa de quem se espera ouvir alguma coisa interessante. Basta alguém olhar para cima e dizer, com convicção, "deus seja louvado" para que a sua próxima frase sofra uma queda enorme no seu percentual de credibilidade.

São razões que talvez não interessem tanto a todo mundo. Ainda que praticamente todo mundo tenha sofrido pelo menos os ecos meio aterrorizantes de palavras cheias de ameaça contra sua integridade física, mental ou espiritual, como queiram. Mas, como diz a Bíblia, "tempo de semear, tempo de colher". E sem colher de chá.

Comentário: O autor mandou muito bem. Crítico, sem medo de expôr suas idéias, e com bastante coerência naquilo que diz. Sem mais comentários. Deixo a critério de vocês, leitores.

Texto do Jainismo

Repostado de Godlessliberator

O texto abaixo foi escrito há mais de mil anos e, por incrível que pareça, não foi escrito por um ateu. Sua origem é do Jainismo, religião indiana que rejeita a necessidade de Deus como criador ou figura central e cuja origem remonta ao século V a.C. O texto pode ser encontrado no livro "A Dança do Universo", de Marcelo Gleiser.

Alguns homens tolos declaram que o Criador fez o mundo.
A doutrina que diz que o mundo foi criado é errônea e deve ser rejeitada.
Se Deus criou o mundo, onde estava Ele antes da criação?
Se você argumenta que Ele era tão transcendente,
e que portanto não precisava de suporte físico, onde está Ele agora?

Nenhum ser tem a habilidade de fazer este mundo —
Pois como pode um deus imaterial criar algo material?
Como pôde Deus criar o mundo sem nenhum material básico?
Se você argumenta que ele criou o material antes, e depois o mundo,
você entrará em um processo de regressão infinita.

Se você declarar que esse material apareceu espontaneamente, você entra em outra falácia,
Pois nesse caso o Universo como um todo poderia ser seu próprio criador.
Se Deus criou o mundo como um ato de seu próprio desejo, sem nenhum material,
Então tudo vem de Seu capricho e nada mais — e quem vai acreditar numa bobagem dessas?

Se Ele é perfeito e completo, como Ele pode ter o desejo de criar algo?
Se, por outro lado, Deus não é perfeito,
Ele jamais poderia criar um Universo melhor do que um simples artesão. (...)

Se Ele é perfeito, qual a vantagem que Ele teria em criar o Universo?
Se você argumenta que Ele criou sem motivos, por que essa é
Sua natureza, então Deus não tem objetivos.
Se Ele criou o Universo como forma de diversão,
então isso é uma brincadeira de crianças tolas, que em geral acaba mal. (...)

Portanto, a doutrina que diz que Deus criou o mundo não faz nenhum sentido.
Homens de bem devem combater os que crêem na divina criação,
enlouquecidos por essa doutrina maléfica.

Saiba que o mundo, assim como o tempo, não foi criado, não tendo princípio nem fim (...)
Eterno e indestrutível, o Universo sobrevive sob a compulsão de sua própria natureza (...)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Vídeo: Fanatismo ao extremo

Impressionante esse completo idiota. O que o extremismo religioso faz... O caseiro achava que os ex-patrões estavam possuídos. QUEM ESTÁ POSSUÍDO É VOCÊ, SEU CASEIRO IMBECIL. VAI REZAR... E LEMBRE-SE: DEUS NÃO EXISTE. VOCÊ DEVERIA SER CONDENADO À PENA CAPITAL.


quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Vídeo: mais um do imbecil

Deixo a cargo de vocês, leitores, me apontarem os erros desse retardado que acha que sabe alguma coisa. E ainda acha que tem fãs e "alunos". Vejam só. Essa anta tem alunos. É o samba do argumento doido. PQP. Alguém por favor faça esse ser encontrar Deus mais cedo, já que ele acredita nisso.

Vídeo: Imbecilidade completa

Assistam esse imbecil argumentando sobre a questão: "Deus, sendo onipotente, seria capaz de criar uma pedra tão pesada que nem Ele poderia levantá-la?"

Esse ser humano não sabe porra nenhuma de física, não sabe porra nenhuma de português e não sabe porra nenhuma de religião. E ainda tenta, coitado, defender a religião. Prefere acreditar nesse ser desprezível e filicida que (seria) Deus a aceitar que somos sós no universo.

Vejam e opinem:

sábado, 26 de janeiro de 2008

10 mitos - e 10 verdades - sobre ateísmo

Traduzido por Daniel Vasques.

Autor: Sam Harris

Repostado de: http://richarddawkins.net/print.php?id=460

Link original: http://www.samharris.org/site/full_text/10-myths-and-10-truths-about-atheism1

Data original: 24 de Dezembro de 2006

The Los Angeles Times

DIVERSAS PESQUISAS indicam que o termo "ateísmo" adquiriu um estigma tão extraordinário nos Estados Unidos que ser um ateu é atualmente um impedimento perfeito para uma carreira política (de uma maneira que ser negro, muçulmano ou homossexual não é). De acordo com uma pesquisa recente da revista Newsweek, apenas 37% dos Americanos votariam por um ateu qualificado para presidente.

Ateus são geralmente tidos como intolerantes, imorais, deprimidos, cegos à beleza da natureza e dogmaticamente fechados à evidência do sobrenatural.

Mesmo John Locke, um dos grandes patriarcas do Iluminismo, acreditava que o ateísmo "não deveria ser tolerado de forma alguma" porque, disse ele, "promessas, convenções e juramentos, que são os pilares das sociedades humanas, não têm valor para um ateu."

Isso foi há mais de 300 anos. Mas nos Estados Unidos de hoje, pouco parece ter mudado. Um notável valor de 87% da população alega "nunca duvidar" da existência de Deus; menos de 10% se identificam como ateus - e sua reputação parece estar deteriorando.

Dado que sabemos que os ateus estão freqüentemente entre os mais inteligentes e letrados cientificamente em qualquer sociedade, parece importante desinflar os mitos que os impedem de participar mais de nosso discurso nacional.

1) Ateus acreditam que a vida é sem sentido.

Pelo contrário, as pessoas religiosas freqüentemente se preocupam com a falta de sentido da vida e imaginam que ela só pode ser redimida pela promessa de felicidade eterna além do túmulo. Ateus tendem a ter muita certeza de que a vida é preciosa. A vida é embuída de sentido sendo vivida real e inteiramente. Nossos relacionamentos com aqueles que amamos têm sentido agora; não precisam durar para sempre para isso. Ateus tendem a achar esse medo da falta de sentido...bem...sem sentido.

2) O Ateísmo é responsável pelos maiores crimes da história da humanidade.

Pessoas de fé freqüentemente alegam que os crimes de Stalin, Hitler, Mao e Pol Pot foram o produto inevitável da descrença. O problema com o fascismo e com o comunismo, contudo, não é o fato de eles serem muito críticos com relação à religião; o problema é que eles são muito parecidos com religiões. Tais regimes são dogmáticos ao extremo e geralmente originam cultos a personalidades que são indistingüíveis de cultos de heróis religiosos. Auschwitz, o gulag e os campos de extermínio não foram exemplos do que acontece quando seres humanos rejeitam o dogma religioso; são exemplos de dogmas políticos, raciais e nacionalistas correndo soltos. Não há sociedade na história humana que tenha sofrido porque suas pessoas se tornaram racionais demais.

3) Ateus são dogmáticos

Judeus, cristãos e muçulmanos alegam que suas escrituras são tão prescientes das necessidades humanas que só poderiam ter sido escritas sob a orientação de uma divindade onisciente. Um ateu é simplesmente uma pessoa que considerou essa afirmação, leu os livros e achou que a afirmação era ridícula. Não é preciso ter fé nem ser dogmático para rejeitar crenças religiosas injustificadas. Conforme o historiador Stephen Henry Roberts (1901-71) disse uma vez: "Eu sustento que somos ambos ateus. Eu apenas acredito em um deus a menos que você. Quando você entender porque você dispensa todos os outros deuses possíveis, você entenderá porque eu dispenso o seu."

4) Ateus pensam que tudo no universo resulta do acaso.

Ninguém sabe porque o Universo veio a existir. De fato, não é inteiramente claro se podemos coerentemente falar sobre o "começo" ou a "criação" do universo, já que essas idéias invocam o conceito de tempo, e aqui estamos falando sobre a origem do próprio espaço-tempo.

A noção de que os ateus acreditam que tudo foi criado por acaso é também regularmente jogada como uma crítica à evolução Darwiniana. Conforme Richard Dawkins explica em seu livro maravilhoso, "Deus, um delírio", isso representa uma total incompreensão da teoria da evolução. Embora nós não saibamos precisamente como a os processos químicos da Terra jovem gerou a biologia, sabemos que a diversidade e a complexidade que vemos no mundo vivente não é o produto do mero acaso. Evolução é uma combinação de mutação ao acaso e seleção natural. Darwin chegou à sentença "seleção natural" por analogia à "seleção artificial" realizada pelos criadores de animais. Em ambos os casos, a seleção exerce um efeito altamente não-aleatório no desenvolvimento de qualquer espécie.

5) O Ateísmo não tem conexão com a ciência.

Embora seja possível ser um cientista e ainda acreditar em Deus - como alguns cientistas parecem conseguir - não há dúvida que um engajamento com o pensamento científico tende a erodir, em vez de sustentar, a fé religiosa. Tomando a população dos EUA como exemplo: a maioria das pesquisas mostra que cerca de 90% do público geral acredita em um Deus pessoal; embora 93% dos membros da Academia Nacional de Ciências não o faça. Isso sugere que há poucos modos de pensar menos apropriados à fé religiosa do que a ciência.

6) Ateus são arrogantes.

Quando os cientistas não sabem algo - como por que o universo veio a existir ou como as primeiras moléculas auto-replicantes se formaram - eles o admitem. Fingir saber coisas que não se sabe é uma profunda irresponsabilidade na ciência. E ainda assim é o sangue vital da religião baseada na fé. Uma das ironias monumentais do discurso religioso pode ser encontrada na freqüência com que as pessoas de fé se vangloriam de sua humildade, enquanto afirmam saber fatos sobre cosmologia, química e biologia que nenhum cientista sabe. Quando consideram as questões sobre a natureza do cosmos e nosso lugar dentro dele, ateus tendem a buscar suas opiniões na ciência. Isso não é arrogância; é honestidade intelectual.

7) Ateus são fechados à experiência espiritual.

Não há nada que impeça um ateu de sentir amor, êxtase, arrebatamento e espanto; ateus podem valorizar essas experiências e procurá-las regularmente. O que os ateus não tendem a fazer são afirmações injustificadas (e injustificáveis) sobre a natureza da realidade com base nessas experiências. Não há dúvida que alguns Cristãos mudaram suas vidas para melhor lendo a Bíblia e rezando para Jesus. Isso prova o quê? Prova que algumas disciplinas de atenção e códigos de conduta podem ter um efeito profundo na mente humana. As experiências positivas do Cristão sugerem que Jesus é o únicos salvador da humanidade? Nem remotamente - porque Hindus, Budistas, Muçulmanos e mesmo ateus regularmente têm experiências similares.

Não há, de fato, nenhum Cristão nessa Terra que possa ter certeza de que Jesus usava barbas, muito menos que ele nasceu de uma virgem ou ressurgiu dos mortos. Essas não são o tipo de afirmações que a experiência espiritual possa autenticar.

8) Ateus acreditam que não há nada além da vida e da compreensão humanas.

Ateus são livres para admitir os limites da compreensão humana de uma maneira que nem os religiosos podem. É óbvio que nós não entendemos completamente o universo; mas é ainda mais óbvio que nem a Bíblia e nem o Corão demonstram o melhor conhecimento dele. Nós não sabemos se há vida complexa em algum outro lugar do cosmos, mas pode haver. E, se há, tais seres podem ter desenvolvido um conhecimento das leis naturais que vastamente excede o nosso. Ateus podem livremente imaginar tais possibilidades. Eles também podem admitir que se extraterrestres brilhantes existirem, o conteúdo da Bíblia e do Corão lhes será menos impressionante do que são para os humanos ateus.

Do ponto de vista ateu, as religiões do mundo banalizam completamente a real beleza e imensidão do universo. Não é preciso aceitar nada baseado em provas insuficientes para fazer tal observação.

9) Ateus ignoram o fato de que a religião é extremamente benéfica para a sociedade.

Aqueles que enfatizam os bons efeitos da religião nunca parecem perceber que tais efeitos falham em demonstrar a verdade de qualquer doutrina religiosa. É por isso que temos termos como pensamento desejoso (“wishful thinking”) e “auto-enganação”. Há uma profunda diferença entre uma ilusão consoladora e a verdade.

Em qualquer caso, os bons efeitos da religião podem ser certamente questionados. Na maioria das vezes, parece que as religiões dão péssimos motivos para se agir bem, quando temos realmente bons motivos disponíveis. Pergunte a si mesmo: o que é mais moral? Ajudar os pobres por se preocupar com seus sofrimentos, ou ajudá-los porque acha que o criador do universo quer que você o faça e o recompensará por fazê-lo ou o punirá por não fazê-lo?

10) O Ateísmo não provém uma base para a moralidade.

Se uma pessoa ainda não entendeu que a crueldade é errada, não descobrirá isso lendo a Bíblia ou o Corão – já que esses livros transbordam de celebrações da crueldade, tanto humana quanto divina. Não tiramos nossa moralidade da religião. Decidimos o que é bom em nossos bons livros recorrendo a intuições morais que são (até certo ponto) embutidas em nós e refinadas por milhares de anos de reflexão sobre as causas e possibilidades da felicidade humana.

Fizemos um progresso moral considerável ao longo dos anos, e não o fizemos lendo a Bíblia ou o Corão mais de perto. Ambos os livros toleram a prática de escravidão – e ainda assim seres humanos civilizados agora reconhecem que escravidão é abominável. Tudo que há de bom nas escrituras – como a regra de ouro – pode ser apreciado por sua sabedoria ética sem a crença de que isso nos tenha sido transmitido pelo criador do universo.