Repostado do Estadão.
Testes mostram que pessoas 'socialmente desconectadas' tendem a projetar qualidades humanas no ambiente
Carlos Orsi, do estadao.com.br
SÃO PAULO - Pessoas solitárias têm uma tendência maior de atribuir características humanas a objetos inanimados ou animais irracionais e a acreditar em entidades sobrenaturais, como anjos, demônios ou Deus. A conclusão vem de três experimentos realizados por psicólogos americanos das universidades de Chicago e Harvard, e que estão descritos am artigo publicado na edição de fevereiro do periódico Psychological Science.
"As pessoas são levadas a manter uma conexão social com outras, e as que não têm essa conexão... podem tentar compensar criando um senso de ligação humana com agentes não-humanos", diz o texto.
Nos três experimentos apresentados no artigo, voluntários foram classificados como socialmente "conectados" ou "desconectados", e submetidos a testes onde tinham de definir em que grau objetos ou animais pareciam possuir características como "livre arbítrio" ou "simpatia".
Além disso, em dois dos estudos, participantes responderam a perguntas sobre suas crenças, classificando o quanto acreditavam em fantasmas, anjos, milagres, o demônio, Deus e maldições numa escala de zero (nenhuma crença) a 10 (muita crença).
Na primeira experiência, os voluntários foram separados entre "conectados" e "desconectados" por meio de um questionário. Nos outros dois, a sensação de estar ligado ou não a outras pessoas foi induzida. Em um deles, por um falso perfil psicológico, que afirmava que a pessoa teria "tendência de se ver sozinha no futuro", ou que teria "tendência a ter relacionamentos recompensadores". No outro, pela exibição de clipes de filmes, como Náufrago e O Silêncio dos Inocentes.
Todos os resultados, dizem os autores do trabalho, encabeçado por Nicholas Epley, da Universidade de Chicago, indicam uma tendência maior à humanização e à crença sobrenatural entre pessoas desconectadas. "Desconexão social pode não transformar um ateu num fundamentalista", reconhece o artigo, "mas pode dar um impulso à crença religiosa entre crentes e descrentes".
O artigo sugere que "pessoas solitárias podem criar um objeto dotado de mente, um mascote ou um deus para povoar seus mundos" e que, dada a alternativa - o sofrimento causado pela solidão - essa pode ser uma estratégia terapêutica. "A correlação positiva entre a posse de um mascote e o bem-estar é bem documentada", diz o texto.
Outra hipótese levantada na descrição do estudo é a de um efeito oposto - de pessoas muito bem integradas em seu meio social tenderem a ver como menos humanas as de fora desse meio.
"Isto é mais uma hipótese que temos que um resultado experimental confirmado", explicou Epley, por e-mail. "Mas seria um resultado análogo ao do nosso artigo".
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
sábado, 26 de janeiro de 2008
Respostas de Richard Dawkins às críticas de "Deus, um delírio"
Repostado de 1001 gatos.
NÃO SE PODE CRITICAR A RELIGIÃO SEM UMA ANÁLISE DETALHADA DE LIVROS ERUDITOS DE TEOLOGIA.
Best-seller-surpresa? Se eu tivesse me embrenhado, como um crítico intelectual consciente gostaria, nas diferenças epistemológicas entre Aquino e Duns Scotus; se tivesse feito jus a Erígena na questão da subjetividade, a Rahner na da graça ou a Moltmann na da esperança (como ele esperou em vão que eu fizesse), meu livro teria sido mais que um best-seller- surpresa: teria sido um best-seller milagroso. Mas a questão não é essa. Diferentemente de Stephen Hawking (que seguiu o conselho de que cada fórmula que ele publicasse reduziria as vendas pela metade), eu de bom grado abriria mão do status de best-seller caso houvesse a mais remota esperança de que Duns Scotus fosse iluminar minha questão central, se Deus existe ou não. A enorme maioria dos textos teológicos simplesmente assume que ele existe, e parte daí. Para os meus propósitos, preciso levar em conta apenas os teólogos que considerem a sério a possibilidade de que Deus não exista e argumentem por sua existência. Acho que isso o capítulo 3 faz, com — espero — bom humor e abrangência suficientes. Em termos de bom humor, não tenho como superar a esplêndida “Resposta do cortesão”, publicada por P. Z. Myers em seu blog Pharyngula.
Analisei as insolentes acusações do sr. Dawkins, exasperado com sua falta de seriedade acadêmica. Aparentemente, ele não leu os discursos detalhados do conde Roderigo de Sevilha sobre o couro singular e exótico das botas do imperador, nem dedica um segundo sequer à obra-prima de Bellini, Sobre a luminescência do chapéu de plumas do imperador. Temos escolas inteiras dedicadas a escrever tratados eruditos sobre a beleza dos trajes do imperador, e todos os grandes jornais têm uma seção dedicada à moda imperial; […] Dawkins ignora com arrogância todas essas ponderações filosóficas profundas e acusa cruelmente o imperador de nudez. […] Enquanto Dawkins não for treinado nas lojas de Paris e Milão, enquanto não aprender a distinguir um babado de uma pantalona, devemos todos fingir que ele não se manifestou contra o gosto do imperador. Sua educação em biologia pode lhe dar a capacidade de reconhecer genitálias balançantes quando vir uma, mas não o ensinou a apreciar adequadamente os Tecidos Imaginários.
Ampliando o argumento, a maioria de nós desqualifica sem problemas as fadas, a astrologia e o Monstro de Espaguete Voador, sem precisar afundar em livros de teologia pastafariana, e assim por diante. A próxima crítica é parente desta: a grande crítica do “testa-de-ferro”.
VOCÊ SEMPRE ATACA O QUE HÁ DE PIOR NA RELIGIÃO E IGNORA O QUE HÁ DE MELHOR.
“Você persegue oportunistas grosseiros e incendiários como Ted Haggard, Jerry Falwell e Pat Robertson, em vez de teólogos sofisticados como Tillich ou Bonhoeffer, que ensinam o tipo de religião em que acredito.” Se o predomínio fosse só dessa espécie sutil e amena de religião, o mundo sem dúvida seria um lugar melhor, e eu teria escrito outro livro. A melancólica verdade é que esse tipo de religião decente e contido é numericamente irrelevante. Para a imensa maioria de fiéis no mundo todo, a religião parece-se muito com o que se ouve de gente como Robertson, Falwell ou Haggard, Osama bin Laden ou o aiatolá Khomeini. Não se trata de testas-de-ferro; são todos influentes demais e todo mundo hoje em dia tem de lidar com eles.
SOU ATEU, MAS QUERO ME DISSOCIAR DE SUA LINGUAGEM ESTRIDENTE, DESTEMPERADA E INTOLERANTE.
Na verdade, quando se analisa a linguagem de Deus, um delírio, ela é menos destemperada ou estridente do que a que achamos muito normal — quando ouvimos analistas políticos, por exemplo, ou críticos de teatro, arte ou literatura. Minha linguagem só soa contundente e destemperada por causa da estranha convenção, quase universalmente aceita (veja a citação de Douglas Adams nas páginas 45 e 46), de que a fé religiosa é dona de um privilégio único: estar além e acima de qualquer crítica.
Em 1915, o parlamentar britânico Horatio Bottomley recomendou que, depois da guerra, “se por acaso num restaurante você descobrir que está sendo servido por um garçom alemão, jogue a sopa na cara suja dele; se você se vir sentado ao lado de um secretário alemão, vire o tinteiro na cabeça suja dele”. Isso, sim, é estridente e intolerante (e, eu teria pensado, ridículo e ineficaz como retórica mesmo para aquela época). Compare a frase com a que abre o capítulo 2, que é o trecho citado com mais freqüência como “estridente”. Não cabe a mim dizer se fui bem-sucedido, mas minha intenção estava mais próxima da de um golpe duro, mas bem-humorado, do que da polêmica histérica. Nas leituras em público de Deus, um delírio, esse é exatamente o trecho que garantidamente produz uma boa risada, e é por isso que minha mulher e eu sempre o usamos como abertura para quebrar o gelo com uma nova platéia. Se eu pudesse me aventurar a sugerir por que o humor funciona, acho que diria que é o desencontro incongruente entre um assunto que poderia ter sido expresso de forma estridente ou vulgar e a expressão real, numa lista compridíssima de latinismos ou pseudo-academicismos (”filicida”, “megalomaníaco”, “pestilento”).
Meu modelo aqui foi um dos escritores mais engraçados do século xx, e ninguém chamaria Evelyn Waugh de histérico ou estridente (até entreguei o jogo ao mencionar seu nome na anedota que vem logo depois, na página 55). Críticos de literatura ou de teatro podem ser zombeteiramente negativos e ganhar elogios pela contundência sagaz da resenha. Mas nas críticas à religião até a clareza deixa de ser virtude para soar como hostilidade. Um político pode atacar sem dó um adversário no plenário do Parlamento e receber aplausos por sua combatividade. Mas basta um crítico sóbrio e justificado da religião usar o que em outros contextos seria apenas um tom direto para a sociedade polida balançar a cabeça em desaprovacão; até a sociedade polida laica, e especialmente aquela parte da sociedade laica que adora anunciar: “Sou ateu, MAS…”.
VOCÊ SÓ ESTÁ PREGANDO PARA OS JÁ CONVERTIDOS. DE QUE ADIANTA?
O “Cantinho dos Convertidos” no RichardDawkins.net já invalida a mentira, mas mesmo que a levássemos a sério há boas respostas. Uma é que o coro dos descrentes é bem maior do que muita gente imagina, sobretudo nos Estados Unidos. Mas, de novo sobretudo nos Estados Unidos, é em grande parte um coro “no armário”, e precisa desesperadamente de incentivo para sair dele. A julgar pêlos agradecimentos que recebi em toda a turnê americana do lançamento do livro, o incentivo dado por pessoas como Sam Harris, Dan Dennett, Christopher Hitchens e por mim é bastante apreciado. Uma razão mais sutil para pregar aos já convertidos é a necessidade de conscientização. Quando as feministas nos conscientizaram sobre os pronomes sexistas, elas estariam pregando só aos já convertidos no que se referia a questões mais significativas dos direitos das mulheres e dos males da discriminação. Mas aquele coro decente e liberal ainda precisava ser conscientizado sobre a linguagem do dia-a-dia. Por mais atualizados que estivéssemos nas questões políticas relativas aos direitos e à discriminação, ainda assim adotávamos inconscientemente convenções que faziam metade da raça humana sentir-se excluída.
Há outras convenções lingüísticas que precisam seguir o mesmo caminho dos pronomes sexistas, e o coro ateísta não é exceção. Todos nós precisamos ser conscientizados. Tanto ateus como teístas observam inconscientemente a convenção da sociedade … de que devemos ser especialmente polidos e respeitadores em relação à fé. E nunca me canso de chamar a atenção para a aceitação tácita, por parte da sociedade, da rotulação de crianças pequenas com as opiniões religiosas de seus pais. Os ateus precisam se conscientizar da anomalia: a opinião religiosa é o tipo de opinião dos pais que — por consenso quase universal — pode ser colada em crianças que, na verdade, são pequenas demais para saber qual é suaopinião. Não existe criança cristã: só filhos de pais cristãos. Use todas as oportunidades para marcar essa posição.
VOCÊ É TÃO FUNDAMENTALISTA QUANTO AQUELES QUE CRITICA.
Não, por favor, é fácil demais confundir uma paixão capaz de mudar de opinião com fundamentalismo, coisa que nunca farei. Cristãos fundamentalistas são apaixonadamente contra a evolução, e eu sou apaixonadamente a favor dela. Paixão por paixão, estamos no mesmo nível. E isso, para algumas pessoas, significa que somos igualmente fundamentalistas. Mas, parafraseando um aforismo cuja fonte eu não saberia precisar, quando dois pontos de vista contrários são manifestados com a mesma força, a verdade não está necessariamente no meio dos dois. É possível que um dos lados esteja simplesmente errado. E isso justifica a paixão do outro lado.
Os fundamentalistas sabem no que acreditam e sabem que nada vai mudar isso. A citação de Kurt Wise na página 366 diz tudo: “[…] se todas as evidências do universo se voltarem contra o criacionismo, serei o primeiro a admiti-las, mas continuarei sendo criacionista, porque é isso que a Palavra de Deus parece indicar. Essa é minha posição”. A diferença entre esse tipo de compro¬misso apaixonado com os fundamentos bíblicos e o compromisso igualmente apaixonado de um verdadeiro cientista com as evidências é tão grande que é impossível exagerá-la. O fundamentalista Kurt Wise declara que todas as evidências do universo não o fariam mudar de opinião. O verdadeiro cientista, por mais apaixonadamente que “acredite” na evolução, sabe exatamente o que é necessário para fazê-lo mudar de opinião: evidências. Como disse J. B. S. Haldane, quando questionado sobre que tipo de evidência poderia contradizer a evolução: “Fósseis de coelho no Pré-cambriano”. Cunho aqui minha própria versão contrária ao manifesto de Kurt Wise: “Se todas as evidências do universo se voltarem a favor do criacionismo, serei o primeiro a admiti-las, e mudarei de opinião imediatamente. Na atual situação, porém, todas as evidências disponíveis (e há uma quantidade enorme delas) sustentam a evolução. É por esse motivo, e apenas por esse motivo, que defendo a evolução com uma paixão comparável à paixão daqueles que a atacam. Minha paixão baseia-se nas evidências. A deles, que ignora as evidências, é verdadeiramente fundamentalista”.
SOU ATEU, MAS A RELIGIÃO VAI PERSISTIR. CONFORME-SE.
“Você quer se ver livre da religião? Boa sorte! Você acha que vai conseguir se ver livre da religião? Em que planeta você vive? A religião faz parte dele. Esqueça isso!” Eu agüentaria qualquer um desses argumentos, se eles fos¬sem ditos num tom que chegasse pelo menos perto do da pena ou da preocupação. Pelo contrário. O tom de voz é às vezes até alegrinho. Não acho que se trate de masoquismo. O mais provável é que possamos de novo classificar o fenômeno como a “crença na crença”. Essa gente pode não ser religiosa, mas adora a idéia de que os outros sejam. O que me leva à categoria final das minhas réplicas.
SOU ATEU, MAS AS PESSOAS PRECISAM DA RELIGIÃO.
“O que você vai colocar no lugar dela? Como você vai consolar quem perde um ente querido? Como vai suprir a carência?”Quanta condescendência! “Você e eu, é claro, somos inteligentes e cultos demais para precisar de religião. Mas as pessoas comuns, a patuléia, o proletariado orwelliano, os semi-idiotas deltas e ípsilons huxleanos, eles precisam da religião.” Isso me faz lembrar de uma ocasião em que estava dando uma palestra numa conferência sobre a compreensão pública da ciência, e investi brevemente contra “baixar o nível”. Na sessão de perguntas e respostas do final, uma pessoa da platéia ficou de pé e sugeriu que “baixar o nível” poderia ser necessário para “trazer as minorias e as mulheres para a ciência”. Seu tom de voz mostrava que ela realmente acreditava que estava sendo liberal e progressista. Só fico imaginando o que as mulheres e as “minorias” da platéia acharam. Voltando à necessidade de consolo da humanidade, ela existe, é claro, mas não há alguma infantilidade na crença de que o universo nos deve um consolo, como de direito? A afirmação de Isaac Asimov sobre a infantilidade da pseudociência é igualmente aplicável à religião: “Vasculhe cada exemplar da pseudociência e você encontrará um cobertorzinho de estimação, um dedo para chupar, uma saia para segurar”. É impressionante, além do mais, a quantidade de gente que não consegue entender que “X é um consolo” não significa “X é verdade”. Uma crítica análoga a essa trata da necessidade de um “propósito” na vida. Citando um crítico canadense:
Os ateus podem estar certos sobre Deus. Vai saber. Mas, com Deus ou sem Deus, fica claro que há algo na alma humana que demanda a crença de que a vida tem um objetivo que transcende o plano material. Era de imaginar que um empiricista do tipo mais-racional-que-vós como Dawkins reconhecesse esse aspecto imutável da natureza humana […] Será que Dawkins acha mesmo que este mundo seria um lugar mais humano se todos nós procurássemos a verdade e o consolo em Deus, um delírio e não na Bíblia?
Na verdade sim, já que você mencionou “humano”, sim, acho, mas devo repetir, mais uma vez, que o potencial de consolo de uma crença não eleva seu valor de verdade. É claro que não posso negar a necessidade de consolo emocional, e não tenho como defender que a visão de mundo adotada neste livro ofereça um consolo mais que apenas moderado para, por exemplo, quem perdeu um ente querido. Mas, se o consolo que a religião parece oferecer se fundamenta na premissa neurologicamente implausibilíssima de que sobrevivemos à morte de nosso cérebro, você está mesmo disposto a defendê-lo? De qualquer maneira, acho que nunca encontrei ninguém que não concorde que, nas cerimônias fúnebres, as partes não religiosas (homenagens, poemas ou músicas favoritas do falecido) são mais tocantes que as orações.
Depois de ler Deus, um delírio, o dr. David Ashton, um médico britânico, escreveu-me contando da morte inesperada, no Natal de 2006, deseu adorado filho Luke, de dezessete anos. Pouco antes, os dois haviam conversado elogiando a entidade sem fins lucrativos que estou montando para incentivar a razão e a ciência. No enterro de Luke, na ilha de Man, seu pai sugeriu à congregação que, se alguém quisesse fazer algum tipo de contribuição em memória do filho, deveria enviá-la a minha fundação, como Luke gostaria. Os trinta cheques recebidos somaram mais de 2 mil libras, incluindo mais de seiscentas libras arrecadadas num evento no público local. O garoto era obviamente muito querido. Quando li o livreto da cerimónia fúnebre, chorei, literalmente, embora não conhecesse Luke, e pedi permissão para reproduzi-lo no RichardDawkins.net. Um gaitista solitário tocou o lamento local “Ellen Vallin”. Dois amigos fizeram discursos de homenagem, e o dr. Ashton recitou o belo poema “Fern Hill” [”Monte das samambaias”] (”Era eu jovem e tranqüilo, debaixo das macieiras” — que evoca tão dolorosamente a juventude perdida). E então, e tenho de respirar fundo para contar, ele leu as primeiras linhas de meu Desvendando o arco-íris, linhas que havia tempos eu tinha separado para o meu próprio enterro.
Nós vamos morrer, e isso nos torna afortunados. A maioria das pessoas nunca vai morrer, porque nunca vai nascer. As pessoas potenciais que poderiam estar no meu lugar, mas que jamais verão a luz do dia, são mais numerosas que os grãos de areia da Arábia. Certamente esses fantasmas não nascidos incluem poetas maiores que Keats, cientistas maiores que Newton. Sabemos disso porque o conjunto das pessoas possíveis permitidas pelo nosso DNA excede em muito o conjunto de pessoas reais. Apesar dessas probabilidades assombrosas, somos eu e você, com toda a nossa banalidade, que aqui estamos…
Nós, uns poucos privilegiados que ganharam na loteria do nascimento, contrariando todas as probabilidades, como nos atrevemos a choramingar por causa do retorno inevitável àquele estado anterior, do qual a enorme maioria jamais nem saiu?
É óbvio que há exceções, mas suspeito que para muitas pessoas o principal motivo de se agarrarem à religião não seja o fato de ela oferecer consolo, e sim o de elas terem sido iludidas por nosso sistema educacional e não se darem conta de que podem não acreditar. Decerto é assim para a maioria das pessoas que acham que são criacionistas. Simplesmente não ensinaram direito a elas a impressionante alternativa de Darwin. É provável que o mesmo aconteça com o mito depreciativo de que as pessoas “precisam” da religião. Numa conferência recente, em 2006, um antropólogo (e exemplar perfeito do tipo eu-sou-ateu-mas) citou a resposta de Golda Meir quando questionada se acreditava em Deus: “Acredito no povo judaico, e o povo judaico acredita em Deus”. Nosso antropólogo usou sua própria versão: “Acredito nas pessoas, e as pessoas acreditam em Deus”. Prefiro dizer que acredito nas pessoas, e as pessoas, quando incentivadas a pensar por si sós sobre toda a informação disponível hoje em dia, com muita freqüência acabam não acreditando em Deus, e vivem uma vida realizada — uma vida livre de verdade.
NÃO SE PODE CRITICAR A RELIGIÃO SEM UMA ANÁLISE DETALHADA DE LIVROS ERUDITOS DE TEOLOGIA.
Best-seller-surpresa? Se eu tivesse me embrenhado, como um crítico intelectual consciente gostaria, nas diferenças epistemológicas entre Aquino e Duns Scotus; se tivesse feito jus a Erígena na questão da subjetividade, a Rahner na da graça ou a Moltmann na da esperança (como ele esperou em vão que eu fizesse), meu livro teria sido mais que um best-seller- surpresa: teria sido um best-seller milagroso. Mas a questão não é essa. Diferentemente de Stephen Hawking (que seguiu o conselho de que cada fórmula que ele publicasse reduziria as vendas pela metade), eu de bom grado abriria mão do status de best-seller caso houvesse a mais remota esperança de que Duns Scotus fosse iluminar minha questão central, se Deus existe ou não. A enorme maioria dos textos teológicos simplesmente assume que ele existe, e parte daí. Para os meus propósitos, preciso levar em conta apenas os teólogos que considerem a sério a possibilidade de que Deus não exista e argumentem por sua existência. Acho que isso o capítulo 3 faz, com — espero — bom humor e abrangência suficientes. Em termos de bom humor, não tenho como superar a esplêndida “Resposta do cortesão”, publicada por P. Z. Myers em seu blog Pharyngula.
Analisei as insolentes acusações do sr. Dawkins, exasperado com sua falta de seriedade acadêmica. Aparentemente, ele não leu os discursos detalhados do conde Roderigo de Sevilha sobre o couro singular e exótico das botas do imperador, nem dedica um segundo sequer à obra-prima de Bellini, Sobre a luminescência do chapéu de plumas do imperador. Temos escolas inteiras dedicadas a escrever tratados eruditos sobre a beleza dos trajes do imperador, e todos os grandes jornais têm uma seção dedicada à moda imperial; […] Dawkins ignora com arrogância todas essas ponderações filosóficas profundas e acusa cruelmente o imperador de nudez. […] Enquanto Dawkins não for treinado nas lojas de Paris e Milão, enquanto não aprender a distinguir um babado de uma pantalona, devemos todos fingir que ele não se manifestou contra o gosto do imperador. Sua educação em biologia pode lhe dar a capacidade de reconhecer genitálias balançantes quando vir uma, mas não o ensinou a apreciar adequadamente os Tecidos Imaginários.
Ampliando o argumento, a maioria de nós desqualifica sem problemas as fadas, a astrologia e o Monstro de Espaguete Voador, sem precisar afundar em livros de teologia pastafariana, e assim por diante. A próxima crítica é parente desta: a grande crítica do “testa-de-ferro”.
VOCÊ SEMPRE ATACA O QUE HÁ DE PIOR NA RELIGIÃO E IGNORA O QUE HÁ DE MELHOR.
“Você persegue oportunistas grosseiros e incendiários como Ted Haggard, Jerry Falwell e Pat Robertson, em vez de teólogos sofisticados como Tillich ou Bonhoeffer, que ensinam o tipo de religião em que acredito.” Se o predomínio fosse só dessa espécie sutil e amena de religião, o mundo sem dúvida seria um lugar melhor, e eu teria escrito outro livro. A melancólica verdade é que esse tipo de religião decente e contido é numericamente irrelevante. Para a imensa maioria de fiéis no mundo todo, a religião parece-se muito com o que se ouve de gente como Robertson, Falwell ou Haggard, Osama bin Laden ou o aiatolá Khomeini. Não se trata de testas-de-ferro; são todos influentes demais e todo mundo hoje em dia tem de lidar com eles.
SOU ATEU, MAS QUERO ME DISSOCIAR DE SUA LINGUAGEM ESTRIDENTE, DESTEMPERADA E INTOLERANTE.
Na verdade, quando se analisa a linguagem de Deus, um delírio, ela é menos destemperada ou estridente do que a que achamos muito normal — quando ouvimos analistas políticos, por exemplo, ou críticos de teatro, arte ou literatura. Minha linguagem só soa contundente e destemperada por causa da estranha convenção, quase universalmente aceita (veja a citação de Douglas Adams nas páginas 45 e 46), de que a fé religiosa é dona de um privilégio único: estar além e acima de qualquer crítica.
Em 1915, o parlamentar britânico Horatio Bottomley recomendou que, depois da guerra, “se por acaso num restaurante você descobrir que está sendo servido por um garçom alemão, jogue a sopa na cara suja dele; se você se vir sentado ao lado de um secretário alemão, vire o tinteiro na cabeça suja dele”. Isso, sim, é estridente e intolerante (e, eu teria pensado, ridículo e ineficaz como retórica mesmo para aquela época). Compare a frase com a que abre o capítulo 2, que é o trecho citado com mais freqüência como “estridente”. Não cabe a mim dizer se fui bem-sucedido, mas minha intenção estava mais próxima da de um golpe duro, mas bem-humorado, do que da polêmica histérica. Nas leituras em público de Deus, um delírio, esse é exatamente o trecho que garantidamente produz uma boa risada, e é por isso que minha mulher e eu sempre o usamos como abertura para quebrar o gelo com uma nova platéia. Se eu pudesse me aventurar a sugerir por que o humor funciona, acho que diria que é o desencontro incongruente entre um assunto que poderia ter sido expresso de forma estridente ou vulgar e a expressão real, numa lista compridíssima de latinismos ou pseudo-academicismos (”filicida”, “megalomaníaco”, “pestilento”).
Meu modelo aqui foi um dos escritores mais engraçados do século xx, e ninguém chamaria Evelyn Waugh de histérico ou estridente (até entreguei o jogo ao mencionar seu nome na anedota que vem logo depois, na página 55). Críticos de literatura ou de teatro podem ser zombeteiramente negativos e ganhar elogios pela contundência sagaz da resenha. Mas nas críticas à religião até a clareza deixa de ser virtude para soar como hostilidade. Um político pode atacar sem dó um adversário no plenário do Parlamento e receber aplausos por sua combatividade. Mas basta um crítico sóbrio e justificado da religião usar o que em outros contextos seria apenas um tom direto para a sociedade polida balançar a cabeça em desaprovacão; até a sociedade polida laica, e especialmente aquela parte da sociedade laica que adora anunciar: “Sou ateu, MAS…”.
VOCÊ SÓ ESTÁ PREGANDO PARA OS JÁ CONVERTIDOS. DE QUE ADIANTA?
O “Cantinho dos Convertidos” no RichardDawkins.net já invalida a mentira, mas mesmo que a levássemos a sério há boas respostas. Uma é que o coro dos descrentes é bem maior do que muita gente imagina, sobretudo nos Estados Unidos. Mas, de novo sobretudo nos Estados Unidos, é em grande parte um coro “no armário”, e precisa desesperadamente de incentivo para sair dele. A julgar pêlos agradecimentos que recebi em toda a turnê americana do lançamento do livro, o incentivo dado por pessoas como Sam Harris, Dan Dennett, Christopher Hitchens e por mim é bastante apreciado. Uma razão mais sutil para pregar aos já convertidos é a necessidade de conscientização. Quando as feministas nos conscientizaram sobre os pronomes sexistas, elas estariam pregando só aos já convertidos no que se referia a questões mais significativas dos direitos das mulheres e dos males da discriminação. Mas aquele coro decente e liberal ainda precisava ser conscientizado sobre a linguagem do dia-a-dia. Por mais atualizados que estivéssemos nas questões políticas relativas aos direitos e à discriminação, ainda assim adotávamos inconscientemente convenções que faziam metade da raça humana sentir-se excluída.
Há outras convenções lingüísticas que precisam seguir o mesmo caminho dos pronomes sexistas, e o coro ateísta não é exceção. Todos nós precisamos ser conscientizados. Tanto ateus como teístas observam inconscientemente a convenção da sociedade … de que devemos ser especialmente polidos e respeitadores em relação à fé. E nunca me canso de chamar a atenção para a aceitação tácita, por parte da sociedade, da rotulação de crianças pequenas com as opiniões religiosas de seus pais. Os ateus precisam se conscientizar da anomalia: a opinião religiosa é o tipo de opinião dos pais que — por consenso quase universal — pode ser colada em crianças que, na verdade, são pequenas demais para saber qual é suaopinião. Não existe criança cristã: só filhos de pais cristãos. Use todas as oportunidades para marcar essa posição.
VOCÊ É TÃO FUNDAMENTALISTA QUANTO AQUELES QUE CRITICA.
Não, por favor, é fácil demais confundir uma paixão capaz de mudar de opinião com fundamentalismo, coisa que nunca farei. Cristãos fundamentalistas são apaixonadamente contra a evolução, e eu sou apaixonadamente a favor dela. Paixão por paixão, estamos no mesmo nível. E isso, para algumas pessoas, significa que somos igualmente fundamentalistas. Mas, parafraseando um aforismo cuja fonte eu não saberia precisar, quando dois pontos de vista contrários são manifestados com a mesma força, a verdade não está necessariamente no meio dos dois. É possível que um dos lados esteja simplesmente errado. E isso justifica a paixão do outro lado.
Os fundamentalistas sabem no que acreditam e sabem que nada vai mudar isso. A citação de Kurt Wise na página 366 diz tudo: “[…] se todas as evidências do universo se voltarem contra o criacionismo, serei o primeiro a admiti-las, mas continuarei sendo criacionista, porque é isso que a Palavra de Deus parece indicar. Essa é minha posição”. A diferença entre esse tipo de compro¬misso apaixonado com os fundamentos bíblicos e o compromisso igualmente apaixonado de um verdadeiro cientista com as evidências é tão grande que é impossível exagerá-la. O fundamentalista Kurt Wise declara que todas as evidências do universo não o fariam mudar de opinião. O verdadeiro cientista, por mais apaixonadamente que “acredite” na evolução, sabe exatamente o que é necessário para fazê-lo mudar de opinião: evidências. Como disse J. B. S. Haldane, quando questionado sobre que tipo de evidência poderia contradizer a evolução: “Fósseis de coelho no Pré-cambriano”. Cunho aqui minha própria versão contrária ao manifesto de Kurt Wise: “Se todas as evidências do universo se voltarem a favor do criacionismo, serei o primeiro a admiti-las, e mudarei de opinião imediatamente. Na atual situação, porém, todas as evidências disponíveis (e há uma quantidade enorme delas) sustentam a evolução. É por esse motivo, e apenas por esse motivo, que defendo a evolução com uma paixão comparável à paixão daqueles que a atacam. Minha paixão baseia-se nas evidências. A deles, que ignora as evidências, é verdadeiramente fundamentalista”.
SOU ATEU, MAS A RELIGIÃO VAI PERSISTIR. CONFORME-SE.
“Você quer se ver livre da religião? Boa sorte! Você acha que vai conseguir se ver livre da religião? Em que planeta você vive? A religião faz parte dele. Esqueça isso!” Eu agüentaria qualquer um desses argumentos, se eles fos¬sem ditos num tom que chegasse pelo menos perto do da pena ou da preocupação. Pelo contrário. O tom de voz é às vezes até alegrinho. Não acho que se trate de masoquismo. O mais provável é que possamos de novo classificar o fenômeno como a “crença na crença”. Essa gente pode não ser religiosa, mas adora a idéia de que os outros sejam. O que me leva à categoria final das minhas réplicas.
SOU ATEU, MAS AS PESSOAS PRECISAM DA RELIGIÃO.
“O que você vai colocar no lugar dela? Como você vai consolar quem perde um ente querido? Como vai suprir a carência?”Quanta condescendência! “Você e eu, é claro, somos inteligentes e cultos demais para precisar de religião. Mas as pessoas comuns, a patuléia, o proletariado orwelliano, os semi-idiotas deltas e ípsilons huxleanos, eles precisam da religião.” Isso me faz lembrar de uma ocasião em que estava dando uma palestra numa conferência sobre a compreensão pública da ciência, e investi brevemente contra “baixar o nível”. Na sessão de perguntas e respostas do final, uma pessoa da platéia ficou de pé e sugeriu que “baixar o nível” poderia ser necessário para “trazer as minorias e as mulheres para a ciência”. Seu tom de voz mostrava que ela realmente acreditava que estava sendo liberal e progressista. Só fico imaginando o que as mulheres e as “minorias” da platéia acharam. Voltando à necessidade de consolo da humanidade, ela existe, é claro, mas não há alguma infantilidade na crença de que o universo nos deve um consolo, como de direito? A afirmação de Isaac Asimov sobre a infantilidade da pseudociência é igualmente aplicável à religião: “Vasculhe cada exemplar da pseudociência e você encontrará um cobertorzinho de estimação, um dedo para chupar, uma saia para segurar”. É impressionante, além do mais, a quantidade de gente que não consegue entender que “X é um consolo” não significa “X é verdade”. Uma crítica análoga a essa trata da necessidade de um “propósito” na vida. Citando um crítico canadense:
Os ateus podem estar certos sobre Deus. Vai saber. Mas, com Deus ou sem Deus, fica claro que há algo na alma humana que demanda a crença de que a vida tem um objetivo que transcende o plano material. Era de imaginar que um empiricista do tipo mais-racional-que-vós como Dawkins reconhecesse esse aspecto imutável da natureza humana […] Será que Dawkins acha mesmo que este mundo seria um lugar mais humano se todos nós procurássemos a verdade e o consolo em Deus, um delírio e não na Bíblia?
Na verdade sim, já que você mencionou “humano”, sim, acho, mas devo repetir, mais uma vez, que o potencial de consolo de uma crença não eleva seu valor de verdade. É claro que não posso negar a necessidade de consolo emocional, e não tenho como defender que a visão de mundo adotada neste livro ofereça um consolo mais que apenas moderado para, por exemplo, quem perdeu um ente querido. Mas, se o consolo que a religião parece oferecer se fundamenta na premissa neurologicamente implausibilíssima de que sobrevivemos à morte de nosso cérebro, você está mesmo disposto a defendê-lo? De qualquer maneira, acho que nunca encontrei ninguém que não concorde que, nas cerimônias fúnebres, as partes não religiosas (homenagens, poemas ou músicas favoritas do falecido) são mais tocantes que as orações.
Depois de ler Deus, um delírio, o dr. David Ashton, um médico britânico, escreveu-me contando da morte inesperada, no Natal de 2006, deseu adorado filho Luke, de dezessete anos. Pouco antes, os dois haviam conversado elogiando a entidade sem fins lucrativos que estou montando para incentivar a razão e a ciência. No enterro de Luke, na ilha de Man, seu pai sugeriu à congregação que, se alguém quisesse fazer algum tipo de contribuição em memória do filho, deveria enviá-la a minha fundação, como Luke gostaria. Os trinta cheques recebidos somaram mais de 2 mil libras, incluindo mais de seiscentas libras arrecadadas num evento no público local. O garoto era obviamente muito querido. Quando li o livreto da cerimónia fúnebre, chorei, literalmente, embora não conhecesse Luke, e pedi permissão para reproduzi-lo no RichardDawkins.net. Um gaitista solitário tocou o lamento local “Ellen Vallin”. Dois amigos fizeram discursos de homenagem, e o dr. Ashton recitou o belo poema “Fern Hill” [”Monte das samambaias”] (”Era eu jovem e tranqüilo, debaixo das macieiras” — que evoca tão dolorosamente a juventude perdida). E então, e tenho de respirar fundo para contar, ele leu as primeiras linhas de meu Desvendando o arco-íris, linhas que havia tempos eu tinha separado para o meu próprio enterro.
Nós vamos morrer, e isso nos torna afortunados. A maioria das pessoas nunca vai morrer, porque nunca vai nascer. As pessoas potenciais que poderiam estar no meu lugar, mas que jamais verão a luz do dia, são mais numerosas que os grãos de areia da Arábia. Certamente esses fantasmas não nascidos incluem poetas maiores que Keats, cientistas maiores que Newton. Sabemos disso porque o conjunto das pessoas possíveis permitidas pelo nosso DNA excede em muito o conjunto de pessoas reais. Apesar dessas probabilidades assombrosas, somos eu e você, com toda a nossa banalidade, que aqui estamos…
Nós, uns poucos privilegiados que ganharam na loteria do nascimento, contrariando todas as probabilidades, como nos atrevemos a choramingar por causa do retorno inevitável àquele estado anterior, do qual a enorme maioria jamais nem saiu?
É óbvio que há exceções, mas suspeito que para muitas pessoas o principal motivo de se agarrarem à religião não seja o fato de ela oferecer consolo, e sim o de elas terem sido iludidas por nosso sistema educacional e não se darem conta de que podem não acreditar. Decerto é assim para a maioria das pessoas que acham que são criacionistas. Simplesmente não ensinaram direito a elas a impressionante alternativa de Darwin. É provável que o mesmo aconteça com o mito depreciativo de que as pessoas “precisam” da religião. Numa conferência recente, em 2006, um antropólogo (e exemplar perfeito do tipo eu-sou-ateu-mas) citou a resposta de Golda Meir quando questionada se acreditava em Deus: “Acredito no povo judaico, e o povo judaico acredita em Deus”. Nosso antropólogo usou sua própria versão: “Acredito nas pessoas, e as pessoas acreditam em Deus”. Prefiro dizer que acredito nas pessoas, e as pessoas, quando incentivadas a pensar por si sós sobre toda a informação disponível hoje em dia, com muita freqüência acabam não acreditando em Deus, e vivem uma vida realizada — uma vida livre de verdade.
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Repostagem: Fundies
Repostado de Godlessliberator.
Através do Pharyngula, encontrei esse link contendo algumas pérolas de fundamentalistas cristãos em fóruns. Alguns são engraçados, outros são agressivos. Fiz aqui uma pequena compilação do primeiro caso. Eis, então, uma pequena amostra de como os fundies vêem o mundo. Os grifos são meus.
Sobre Evolução:
Uma das leis mais básicas do universo é a Segunda Lei da Termodinâmica. Ela diz que a desordem de um sistema aumenta com o tempo. A Teoria da Evolução vai contra uma lei aceita POR TODOS EM TODO O MUNDO. Ela diz que no começo as coisas eram simples, e com o tempo ficaram mais complexas. Isso simplesmente não é possível; a não ser que houvesse uma fonte gigantesca de energia abastecendo a Terra. Se houvesse tal fonte, os cientistas certamente saberiam.
Sobre doenças mentais:
A maior parte de aflições como essas são causadas por pecados cometidos ainda no útero. Se ela se arrepender, Deus pode fazê-la tão humana quanto eu ou você, mas senão ela sempre vai ficar assim.
Sobre a gravitação:
A gravidade não existe. Se items com massa tivessem qualquer impacto uns nos outros, então as montanhas teriam pessoas orbitando-as. Claro, isso é apenas a ponta do iceberg do mito da gravidade. Pense nisso. Os cientistas querem que acreditemos que o sol exerce uma atração forte a ponto de manter Netuno ou plutão em órbita, mas não para manter a Lua em órbita? Por quê?O que eu acredito que está acontecendo é o seguinte: esses objetos no espaço ainda não foram tocados pelo homem, logo não há pecado que pese sobre eles. Não é o caso da Terra, onde vemos o impacto do pecado transferido a objetos materiais. Quanto mais pecado, mais pesado.
Sobre sexo pré-marital:
Se você fizer sexo antes de casar, aos olhos de Deus você está casado com aquela pessoa. Se um homem estupra uma mulher, então aos olhos de Deus eles estão casados. Que pena para ela, mas fazer o quê?
Sobre lógica:
Assegure-se de que sua resposta use as escrituras, e não a lógica.
Através do Pharyngula, encontrei esse link contendo algumas pérolas de fundamentalistas cristãos em fóruns. Alguns são engraçados, outros são agressivos. Fiz aqui uma pequena compilação do primeiro caso. Eis, então, uma pequena amostra de como os fundies vêem o mundo. Os grifos são meus.
Sobre Evolução:
Uma das leis mais básicas do universo é a Segunda Lei da Termodinâmica. Ela diz que a desordem de um sistema aumenta com o tempo. A Teoria da Evolução vai contra uma lei aceita POR TODOS EM TODO O MUNDO. Ela diz que no começo as coisas eram simples, e com o tempo ficaram mais complexas. Isso simplesmente não é possível; a não ser que houvesse uma fonte gigantesca de energia abastecendo a Terra. Se houvesse tal fonte, os cientistas certamente saberiam.
Sobre doenças mentais:
A maior parte de aflições como essas são causadas por pecados cometidos ainda no útero. Se ela se arrepender, Deus pode fazê-la tão humana quanto eu ou você, mas senão ela sempre vai ficar assim.
Sobre a gravitação:
A gravidade não existe. Se items com massa tivessem qualquer impacto uns nos outros, então as montanhas teriam pessoas orbitando-as. Claro, isso é apenas a ponta do iceberg do mito da gravidade. Pense nisso. Os cientistas querem que acreditemos que o sol exerce uma atração forte a ponto de manter Netuno ou plutão em órbita, mas não para manter a Lua em órbita? Por quê?O que eu acredito que está acontecendo é o seguinte: esses objetos no espaço ainda não foram tocados pelo homem, logo não há pecado que pese sobre eles. Não é o caso da Terra, onde vemos o impacto do pecado transferido a objetos materiais. Quanto mais pecado, mais pesado.
Sobre sexo pré-marital:
Se você fizer sexo antes de casar, aos olhos de Deus você está casado com aquela pessoa. Se um homem estupra uma mulher, então aos olhos de Deus eles estão casados. Que pena para ela, mas fazer o quê?
Sobre lógica:
Assegure-se de que sua resposta use as escrituras, e não a lógica.
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Perguntas e Respostas Sobre Ateísmo com Richard Dawkins
Traduzido por Daniel Vasques de http://richarddawkins.net/article,1219,The-Atheism-FAQ-with-Richard-Dawkins,Diganta-Richard-Dawkins
Link original: http://desicritics.org/2007/05/26/003610.php
Por Diganta e Richard Dawkins
Obrigado a ranjani pelo link
Richard Dawkins, autor do best-seller do NY Times - Deus, um delírio - foi entrevistado muitas vezes recentemente. As questões colocadas eram principalmente relacionadas a seu livro, as visões sobre ateísmo, moralidade e o mundo atual.
Ele respondeu a todas as questões de um modo impecável e confiante. Toda resposta fala sobre a sua paixão e a sua ânsia de explicar sua posição sobre cada ponto. É uma experiência incrível vê-lo falando. Tentei levantar alguns tópicos comumente perguntados e suas respectivas respostas.
Por que você é contra a fé?
Porque eu sou uma pessoa que se importa com a verdade. A religião e qualquer tipo de dogma são os grandes obstáculos contra a verdade. Não só isso, também me preocupo com a posição que a religião ocupa em nossa sociedade. Você pode atacar a visão política de alguém, criticar um técnico de futebol, mas não pode atacar a fé religiosa de ninguém. É uma espécie de imunidade a críticas que a religião experimenta, apesar de ser provado que isso é ilógico.
Há bilhões de pessoas pelo mundo seguindo suas fés e vivendo suas vidas. Como você as descreve?
Claro, há bilhões de pessoas vivendo suas vidas religiosas e a maioria delas são inofensivas. Mas elas carregam um vírus de fé com elas, que transmitem de uma geração a outra, e poderiam criar uma 'epidemia' de fé a qualquer momento. Como eu disse, sou uma pessoa que se importa com a verdade e também quero ver as pessoas seguindo a verdade. A verdade não é uma revelação, mas a verdade foi estabelecida através de evidências e experimentos repetidos.
Há cientistas que são religiosos. O que você acha deles?
Sim, infelizmente há muitos bons cientistas que o são. Embora eu não entenda claramente sua posição na vida, me parece que ou eles agem como pessoas religiosas conscientemente por alguma outra razão ou compartimentalizam suas visões baseadas no contexto.
Pessoas religiosas afirmam que tiram sua moralidade da religião. De onde deriva a moralidade de um ateu?
Pessoas religiosas não tiram sua moralidade da religião. Eu discordo (com o entrevistador) neste ponto. Quase todos nós concordamos com bases morais onde a religião não tem efeito. Por exemplo, nós todos odiamos a escravidão, nós queremos a emancipação das mulheres - são todas nossas bases morais. Essas bases morais começaram a ser construídas apenas alguns séculos atrás e muito depois de todas as religiões já terem se estabelecido. Nossa moralidade deriva do ambiente em que vivemos, talk shows, romances, editoriais de jornais e, é claro, orientação dos pais. A religião talvez teria apenas um papel pequeno a desempenhar nesse campo. Um ateu tem sua moralidade derivada das mesmas fontes que as pessoas religiosas.
Mas todos os livros religiosos dão orientação moral às pessoas, como não matar o próximo. Por que você acha que eles ainda são ruins?
Os livros religiosos falam sobre não matar o próximo da mesma maneira que falam em não mostrar a pele das mulheres e em matar os infiéis. O Deus do Velho Testamento, conforme eu descrevi, não é de modo algum uma 'pessoa' boa. Deus é certamente muito melhor no Novo Testamento. Contudo, quando você seleciona e escolhe os versos bons de um livro religioso, os parâmetros, aqueles que você usa, certamente não vêm da religião em si. Por exemplo, quando você diz que o Novo Testamento é melhor, você certamente não está usando o Cristianismo como juiz. Os parâmetros que você usa são o efeito da moralidade que já está em você assimilada das diferentes fontes da sua vida.
Em seu livro, você diz que Deus 'quase com certeza não existe'. Por que deixa aberta a possibilidade?
Qualquer pessoa de ciência deixará aberta a possibilidade, já que não é possível negar a existência de qualquer evento improvável. Eu seria a primeira pessoa a aceitar Deus se as evidências apontassem a favor dele.
Então você aceita que a Ciência não pode negar a existência de Deus. Qual é o problema se as pessoas seguem as religiões até que Deus seja descartado?
A Ciência não pode negar Deus assim como não pode negar Apollo nem Juju nem Thor com seu martelo nem mesmo um monstro de spaghetti voador criando o universo. Contudo, nós não acreditamos neles porque é improvável que eles existam. Nós também não acreditamos nas fadas de Hans Andersen embora não possamos provar sua inexistência. Acreditar em um evento improvável ou em uma deidade apenas porque não podemos provar sua inexistência parece tolice para mim.
Por que você não acha que o Universo, imenso, complexo e misterioso seja criação de um ser Supremo, onde podemos ver que todas as coisas complexas são de fato criadas?
Primeiro, se você assume que todas as coisas complexas são criadas, então um Deus, capaz de criar um universo tão complexo, também deve ser uma entidade complexa e também deve ter um criador. Por outro lado, se você seguir o caminho da evolução Darwiniana, você verá como um organismo complexo pode ser construído a partir de seres relativamente mais simples pelo processo de Seleção Natural. E é muito mais lógico acreditar que nós e o Universo em geral começamos de um começo mais simples do que um criador complexo dando início a tudo.
Quando você fica no topo de uma montanha, a vastidão do mundo não o abala? Você não fica encantado com a beleza da natureza e com as misteriosas leis do vasto Universo?
Claro que sim. E eu mencionei isso no primeiro capítulo do meu livro como a espiritualidade seguida por Einstein. Ele estava muito encantado com os mistérios do mundo e era uma experiência muito excitante explorá-los. É um tipo de espiritualidade que não requer Deus, uma deidade pessoal para explicar os mistérios da Natureza. É bem diferente de uma religião centralizada em torno de um Deus que pode ler mentes, manter rastros de pecados, julgar pessoas após a morte, punir descrentes e regrar o Universo.
Qual a sua opinião acerca de Stalin e Hitler como ateus?
Eu disse em meu livro que Hitler não era de modo algum ateu, já que ele era religiosamente inclinado contra os Judeus. Stalin estava dogmaticamente seguindo o comunismo. Eu já falei que nenhum de nós, efetivamente, obtém sua moralidade pela religião. Stalin, de fato, usava o comunismo dogmático como sua fonte de moralidade - se pudermos chamar isso de moralidade. Ser ateu não requer que você se torne dogmático nem comunista, apenas requer que você não acredite em Deus. Uma pessoa trabalhando num grupo da Máfia pode também ser ateu embora seja ilógico afirmar que o ateísmo tenha impulsionado o tal sujeito a isso. Há outros colegas trabalhando com ele que são religiosos.
Por que você relaciona religião com 'abuso infantil'?
Eu relaciono rotular as crianças como 'menino judeu' ou 'criança muçulmana' como abuso infantil porque, na infância, as crianças ainda não escolheram sua visão religiosa. Não apenas isso, elas são criadas de um modo separado de outros grupos e visões religiosas de forma que sigam a fé religiosa de seus pais. Obstruir a visão das crianças claramente constitui abuso infantil.
Sua ambição é que as pessoas que lerem o seu livro abandonem sua fé, não é?
Não há mal algum em sonhar alto e pode-se dizer que essa é minha ambição. Mas, na prática, queremos que as pessoas que seguem o terreno médio, que nunca pensaram mais profundamente nesse assunto, pensem duas vezes e conscientemente rejeitem Deus. Também posso ver que, nos EUA, 10 a 15% das pessoas são ateus, mais que qualquer grupo religioso minoritário. Contudo, eles não têm quaisquer poderes políticos ou lobbies comparados a um forte lobby judeu. Eu quero que os ateus se unam e estabeleçam uma visão política 'neutra em relação a Deus', com uma visão própria, para um mundo melhor e mais equilibrado.
Referências
Link original: http://desicritics.org/2007/05/26/003610.php
Por Diganta e Richard Dawkins
Obrigado a ranjani pelo link
Richard Dawkins, autor do best-seller do NY Times - Deus, um delírio - foi entrevistado muitas vezes recentemente. As questões colocadas eram principalmente relacionadas a seu livro, as visões sobre ateísmo, moralidade e o mundo atual.
Ele respondeu a todas as questões de um modo impecável e confiante. Toda resposta fala sobre a sua paixão e a sua ânsia de explicar sua posição sobre cada ponto. É uma experiência incrível vê-lo falando. Tentei levantar alguns tópicos comumente perguntados e suas respectivas respostas.
Por que você é contra a fé?
Porque eu sou uma pessoa que se importa com a verdade. A religião e qualquer tipo de dogma são os grandes obstáculos contra a verdade. Não só isso, também me preocupo com a posição que a religião ocupa em nossa sociedade. Você pode atacar a visão política de alguém, criticar um técnico de futebol, mas não pode atacar a fé religiosa de ninguém. É uma espécie de imunidade a críticas que a religião experimenta, apesar de ser provado que isso é ilógico.
Há bilhões de pessoas pelo mundo seguindo suas fés e vivendo suas vidas. Como você as descreve?
Claro, há bilhões de pessoas vivendo suas vidas religiosas e a maioria delas são inofensivas. Mas elas carregam um vírus de fé com elas, que transmitem de uma geração a outra, e poderiam criar uma 'epidemia' de fé a qualquer momento. Como eu disse, sou uma pessoa que se importa com a verdade e também quero ver as pessoas seguindo a verdade. A verdade não é uma revelação, mas a verdade foi estabelecida através de evidências e experimentos repetidos.
Há cientistas que são religiosos. O que você acha deles?
Sim, infelizmente há muitos bons cientistas que o são. Embora eu não entenda claramente sua posição na vida, me parece que ou eles agem como pessoas religiosas conscientemente por alguma outra razão ou compartimentalizam suas visões baseadas no contexto.
Pessoas religiosas afirmam que tiram sua moralidade da religião. De onde deriva a moralidade de um ateu?
Pessoas religiosas não tiram sua moralidade da religião. Eu discordo (com o entrevistador) neste ponto. Quase todos nós concordamos com bases morais onde a religião não tem efeito. Por exemplo, nós todos odiamos a escravidão, nós queremos a emancipação das mulheres - são todas nossas bases morais. Essas bases morais começaram a ser construídas apenas alguns séculos atrás e muito depois de todas as religiões já terem se estabelecido. Nossa moralidade deriva do ambiente em que vivemos, talk shows, romances, editoriais de jornais e, é claro, orientação dos pais. A religião talvez teria apenas um papel pequeno a desempenhar nesse campo. Um ateu tem sua moralidade derivada das mesmas fontes que as pessoas religiosas.
Mas todos os livros religiosos dão orientação moral às pessoas, como não matar o próximo. Por que você acha que eles ainda são ruins?
Os livros religiosos falam sobre não matar o próximo da mesma maneira que falam em não mostrar a pele das mulheres e em matar os infiéis. O Deus do Velho Testamento, conforme eu descrevi, não é de modo algum uma 'pessoa' boa. Deus é certamente muito melhor no Novo Testamento. Contudo, quando você seleciona e escolhe os versos bons de um livro religioso, os parâmetros, aqueles que você usa, certamente não vêm da religião em si. Por exemplo, quando você diz que o Novo Testamento é melhor, você certamente não está usando o Cristianismo como juiz. Os parâmetros que você usa são o efeito da moralidade que já está em você assimilada das diferentes fontes da sua vida.
Em seu livro, você diz que Deus 'quase com certeza não existe'. Por que deixa aberta a possibilidade?
Qualquer pessoa de ciência deixará aberta a possibilidade, já que não é possível negar a existência de qualquer evento improvável. Eu seria a primeira pessoa a aceitar Deus se as evidências apontassem a favor dele.
Então você aceita que a Ciência não pode negar a existência de Deus. Qual é o problema se as pessoas seguem as religiões até que Deus seja descartado?
A Ciência não pode negar Deus assim como não pode negar Apollo nem Juju nem Thor com seu martelo nem mesmo um monstro de spaghetti voador criando o universo. Contudo, nós não acreditamos neles porque é improvável que eles existam. Nós também não acreditamos nas fadas de Hans Andersen embora não possamos provar sua inexistência. Acreditar em um evento improvável ou em uma deidade apenas porque não podemos provar sua inexistência parece tolice para mim.
Por que você não acha que o Universo, imenso, complexo e misterioso seja criação de um ser Supremo, onde podemos ver que todas as coisas complexas são de fato criadas?
Primeiro, se você assume que todas as coisas complexas são criadas, então um Deus, capaz de criar um universo tão complexo, também deve ser uma entidade complexa e também deve ter um criador. Por outro lado, se você seguir o caminho da evolução Darwiniana, você verá como um organismo complexo pode ser construído a partir de seres relativamente mais simples pelo processo de Seleção Natural. E é muito mais lógico acreditar que nós e o Universo em geral começamos de um começo mais simples do que um criador complexo dando início a tudo.
Quando você fica no topo de uma montanha, a vastidão do mundo não o abala? Você não fica encantado com a beleza da natureza e com as misteriosas leis do vasto Universo?
Claro que sim. E eu mencionei isso no primeiro capítulo do meu livro como a espiritualidade seguida por Einstein. Ele estava muito encantado com os mistérios do mundo e era uma experiência muito excitante explorá-los. É um tipo de espiritualidade que não requer Deus, uma deidade pessoal para explicar os mistérios da Natureza. É bem diferente de uma religião centralizada em torno de um Deus que pode ler mentes, manter rastros de pecados, julgar pessoas após a morte, punir descrentes e regrar o Universo.
Qual a sua opinião acerca de Stalin e Hitler como ateus?
Eu disse em meu livro que Hitler não era de modo algum ateu, já que ele era religiosamente inclinado contra os Judeus. Stalin estava dogmaticamente seguindo o comunismo. Eu já falei que nenhum de nós, efetivamente, obtém sua moralidade pela religião. Stalin, de fato, usava o comunismo dogmático como sua fonte de moralidade - se pudermos chamar isso de moralidade. Ser ateu não requer que você se torne dogmático nem comunista, apenas requer que você não acredite em Deus. Uma pessoa trabalhando num grupo da Máfia pode também ser ateu embora seja ilógico afirmar que o ateísmo tenha impulsionado o tal sujeito a isso. Há outros colegas trabalhando com ele que são religiosos.
Por que você relaciona religião com 'abuso infantil'?
Eu relaciono rotular as crianças como 'menino judeu' ou 'criança muçulmana' como abuso infantil porque, na infância, as crianças ainda não escolheram sua visão religiosa. Não apenas isso, elas são criadas de um modo separado de outros grupos e visões religiosas de forma que sigam a fé religiosa de seus pais. Obstruir a visão das crianças claramente constitui abuso infantil.
Sua ambição é que as pessoas que lerem o seu livro abandonem sua fé, não é?
Não há mal algum em sonhar alto e pode-se dizer que essa é minha ambição. Mas, na prática, queremos que as pessoas que seguem o terreno médio, que nunca pensaram mais profundamente nesse assunto, pensem duas vezes e conscientemente rejeitem Deus. Também posso ver que, nos EUA, 10 a 15% das pessoas são ateus, mais que qualquer grupo religioso minoritário. Contudo, eles não têm quaisquer poderes políticos ou lobbies comparados a um forte lobby judeu. Eu quero que os ateus se unam e estabeleçam uma visão política 'neutra em relação a Deus', com uma visão própria, para um mundo melhor e mais equilibrado.
Referências
- Entrevista com Jeremy Paxman na BBC.
- Entrevista na CNN no Dia de Darwin
- Entrevista na TV Ontario (parte 1, parte 2 e parte 3)
- Entrevista no The Hour (parte 2)
- O debate - parte 1, parte 2 e parte 3
- RichardDawkins.net para mais fontes de vídeos/entrevistas
Diganta Sarkar é um Profissional de Software. Ele é curioso sobre o mundo da ciência e da cultura. Seu objetivo ao escrever é apresentar sua visão lógica ao mundo. Ele apresenta suas visões em seu próprio blog (horizonspeaks) assim como em desicritics.
Post original: 2 de junho de 2007
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sábado, 29 de dezembro de 2007
Garota de 16 anos morre após disputa de hijab com seu pai
Traduzido por Daniel Vasques de http://www.richarddawkins.net/article,1995,Girl-16-dies-after-hijab-dispute-with-father,National-Post-Toronto
Link original: http://network.nationalpost.com/np/blogs/toronto/archive/2007/12/11/girl-16-dies-after-hijab-dispute-with-father.aspx
Obrigado a Linda Ward Selbie pelo link.

Amy Smithers e Katie Rook atualizam a morte de Aqsa Parvez:
A garota de Mississauga de 16 anos que foi alegadamente estrangulada por seu pai em uma disputa acerca de sua recusa em usar o hijab morreu.
Aqsa Parvez, uma estudante de segundo colegial em Applewood Heights, sucumbiu às lesões na noite passada, disse a Polícia Regional de Peel.
O pai de 57 anos da menina, Muhammad Parvez, foi acusado de homicídio. O irmão de 26 anos de Aqsa, Waqas Parvez, foi acusado de obstrução da justiça.
Os amigos acreditam que Aqsa (vista acima em uma foto pessoal) foi vítima de uma disputa acerca do desejo da adolescente em ser mais ocidental. "Ela queria viver a vida a seu modo, não do jeito que seus pais queriam", disse a colega Krista Garbhet ao The Post essa manhã. "Ela queria apenas ser ela mesma, honestamente ela queria apenas mostrar sua beleza, e não ser empurrada por seus pais dizendo-lhe como ela tem que ser, o que ela tem que fazer. Ninguém iria querer."
Um anúncio transmitido na escola, perto da Rua Bloor e da Estrada Cawthra nesta manhã, confirmaram a morte de Aqsa.
Representantes da escola descreveram-na como uma aluna enérgica e bem-quista.
"A polícia de Peel está investigando a morte de Aqsa. É natural querer respostas sobre o porquê desta tragédia ter ocorrido, mas nós realmente não temos nenhuma dessas respostas ainda. É importante evitarmos especulações e rumores. Se alguém tiver informação de primeira mão que julgar relevante para esse caso, pode conversar com um dos professores ou conselheiros, ou com a equipe de plantão," um dos representantes da escola disse aos estudantes.
Um memorial com uma fotografia de Aqsa e livro-dedicatória foi montado no vestíbulo principal da escola.
Conselheiros estarão à disposição no velório para dar apoio aos colegas em choque. Uma bandeira do lado de fora da escola foi abaixada em memória da garota.
O editorial do National Post discute esse caso em seu podcast aqui.
Link original: http://network.nationalpost.com/np/blogs/toronto/archive/2007/12/11/girl-16-dies-after-hijab-dispute-with-father.aspx
Obrigado a Linda Ward Selbie pelo link.

Amy Smithers e Katie Rook atualizam a morte de Aqsa Parvez:
A garota de Mississauga de 16 anos que foi alegadamente estrangulada por seu pai em uma disputa acerca de sua recusa em usar o hijab morreu.
Aqsa Parvez, uma estudante de segundo colegial em Applewood Heights, sucumbiu às lesões na noite passada, disse a Polícia Regional de Peel.
O pai de 57 anos da menina, Muhammad Parvez, foi acusado de homicídio. O irmão de 26 anos de Aqsa, Waqas Parvez, foi acusado de obstrução da justiça.
Os amigos acreditam que Aqsa (vista acima em uma foto pessoal) foi vítima de uma disputa acerca do desejo da adolescente em ser mais ocidental. "Ela queria viver a vida a seu modo, não do jeito que seus pais queriam", disse a colega Krista Garbhet ao The Post essa manhã. "Ela queria apenas ser ela mesma, honestamente ela queria apenas mostrar sua beleza, e não ser empurrada por seus pais dizendo-lhe como ela tem que ser, o que ela tem que fazer. Ninguém iria querer."
Um anúncio transmitido na escola, perto da Rua Bloor e da Estrada Cawthra nesta manhã, confirmaram a morte de Aqsa.
Representantes da escola descreveram-na como uma aluna enérgica e bem-quista.
"A polícia de Peel está investigando a morte de Aqsa. É natural querer respostas sobre o porquê desta tragédia ter ocorrido, mas nós realmente não temos nenhuma dessas respostas ainda. É importante evitarmos especulações e rumores. Se alguém tiver informação de primeira mão que julgar relevante para esse caso, pode conversar com um dos professores ou conselheiros, ou com a equipe de plantão," um dos representantes da escola disse aos estudantes.
Um memorial com uma fotografia de Aqsa e livro-dedicatória foi montado no vestíbulo principal da escola.
Conselheiros estarão à disposição no velório para dar apoio aos colegas em choque. Uma bandeira do lado de fora da escola foi abaixada em memória da garota.
O editorial do National Post discute esse caso em seu podcast aqui.
Publicado em 11 de dezembro de 2007
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