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terça-feira, 1 de julho de 2008

Pesquisa relaciona ateísmo com QI alto

Os pesquisadores Richard Lynn, Helmuth Nyborg, e John Harvey publicam em setembro um artigo revista acadêmica Intelligence cuja a tese é: pessoas com QI (Quociente de Inteligência) mais alto são mais propensas ao ateísmo.

A pesquisa foi realizada em 137 países. Os pesquisadores compararam a média de QI com o de religiosidade e concluíram que em 23 dos 137 países a porcentagem de ateus é de 20% e que esses países são os que apresentam índices de QI mail elevados.

O estudo dividiu os países em dois grupos. Um grupo era formado pelos países cujas médias de QI eram em torno de 64 a 86 pontos, considerado baixo. Apenas 1,95% da população não acredita em Deus. No grupo de países de QI mais alto (de 87 a 108 pontos), a média de ateus chegou a 16,99%.

Há também exceções. Os pesquisadores apontam Cuba (com 40% ateus) e Vietnã (com 81%), que possuem taxa maior de descrentes do que em países de QI semelhante. Cuba tem média de QI 85 e Vietnã QI de 94. Segundo os autores, este fato estaria relacionado com o regime comunista que fez forte propaganda contra as crenças religiosas.

Os Estados Unidos também consta na lista de exceções. O país tem média de QI considerada alta (98), mas apenas 10,5% declaram-se ateus, uma taxa bem inferior à registrada no noroeste e na região central da Europa - onde há altos índices de QI e de descrença religiosa.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Coluna de Christopher Hitchens na revista Época

Repostado de Época.

Está na hora de os EUA abolirem a CIA

A CIA acaba de dar credibilidade ao regime mentiroso do Irã.

Parece improvável que o presidente George W. Bush tenha tomado conhecimento do relatório da CIA, sua agência de inteligência, sobre as ambições nucleares iranianas só alguns dias antes de nós. Mas sua reação mostra que ele pode estar dizendo a verdade. Afinal, se o governo soubesse há mais tempo que os mulás haviam apertado o botão “pausa” no fim de 2003, poderia alegar que a deposição de Saddam Hussein impressionou os iranianos tanto quanto os líbios, fazendo-os reconsiderar sua vontade de desafiar o tratado de não-proliferação de armas.

Visto que a verificação do imenso estoque da Líbia também revelou o comércio nuclear paquistanês, a remoção de Saddam do tabuleiro teve mais efeito para conter o comércio ilegal de armas de destruição em massa do que se acredita.

Ninguém sabe o que fez as agências de inteligência americanas mudar de opinião, mas parece provável que a deserção do general Ali Reza Asgari, ex-vice-ministro da Defesa do Irã, em fevereiro, tenha algo a ver com isso. Ele pode ter confirmado suspeitas que já existiam sobre a pausa nas ambições nucleares do Irã.

É o máximo que pode ser dito sobre essas ambições. É falso alegar, com base no informe da CIA, que o Irã tenha deixado de ser um candidato ao “clube” nuclear. O Irã quer armamentos, tem os meios para obtê-los e foi pego mentindo sobre o processo. Mesmo se suspendeu partes declaradamente militares do projeto por causa de uma apreensão justificável em 2003, persistiu firmemente na instalação de centrífugas de gás na usina de Natanz e na construção de um reator de água pesada em Arak. Tudo o que o relato da CIA fez foi rebaixar a definição de arma e sugerir a distinção entre uma dimensão “civil” e uma “militar” do programa. Os mulás acumulam regularmente urânio e plutônio para uma arma e logo poderão fazer uma pausa no ponto em que um pequeno intervalo de tempo e um pequeno aumento do esforço serão suficientes para conseguir a bomba.

Por que então as agências de inteligência deram à teocracia iraniana mentirosa um atestado de credibilidade, ao mesmo tempo envergonhando publicamente o presidente (e mal disfarçando a satisfação) e prejudicando sua política? Não só um ataque hipotético ao Irã tornou-se quase impossível por esse relatório da CIA. A política de fazer a ONU adotar sanções ao regime, que estava a ponto de conseguir votos cruciais, agora pode ser considerada clinicamente morta. Belo trabalho para quem diz estar nos protegendo enquanto dormimos.

Agora temos mais uma confirmação da espantosa anarquia e insubordinação que imperam nos mais altos escalões da CIA. Numa época em que acusações de tortura indiscutíveis estão ajudando a prejudicar a opinião pública e desacreditar os EUA no mundo inteiro, um alto funcionário da CIA toma uma decisão unilateral de destruir evidências cruciais. Isso deve ser descrito como o que realmente é: motim e traição. A CIA não consegue se livrar da impressão de que tem o direito de subverter o processo democrático. O comportamento criminoso e a arrogância poderiam talvez ser parcialmente desculpados se os espiões tivessem feito alguma coisa certa, mas, por coisas como prever a sobrevivência indefinida da União Soviética e negar que Saddam Hussein ia invadir o Kuwait, eles bateram um recorde digno do inspetor Clouseau da Pantera Cor-de-Rosa, que conseguiram superar de novo com a absolvição do Irã. Depois da estimativa grotesca sobre a continuidade da saúde e da prosperidade da União Soviética, o falecido senador Daniel Patrick Moynihan defendeu que a CIA deveria ser abolida. Está mais que na hora de retomar essa proposta. O sistema é pior do que inútil, é uma verdadeira ameaça. Precisamos fechar tudo e começar de novo.

Data original: 15/12/2007

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Resposta do Jornal Pequeno à Reportagem da Revista Galileu

A Reportagem do Jornal Pequeno (evangélico) você encontra aqui.

O post sobre a reportagem da revista Galileu você encontra aqui.

Meus comentários vão no meio dessa reportagem, em vermelho.

Viver segundo a Bíblia, é possível?

Data de Publicação: 14 de janeiro de 2008
Índice Texto Anterior Próximo Texto Eudes Oliveira de Alencareudesalencar@hotmail.com

A chamada de capa diz assim: “Missão impossível? Dá para viver segundo a Bíblia hoje?” A revista Galileu inspirou-se na experiência do americano A. J. Jacobs, jornalista que viveu, por um ano, segundo os preceitos bíblicos, do Velho Testamento, diga-se. Claro, rendeu um livro que se tornou best-seller nos EUA e logo será lançado no Brasil.

A idéia não é incomum. Livros e documentários nasceram assim nos últimos tempos. Outro americano há pouco tempo atrás viveu três meses à base de comida fast food – McDonalds – o que lhe rendeu o documentário “Super size me” (algo como meu super tamanho) que obrigou a empresa a disponibilizar pratos menos calóricos além de grande debate que gerou em todo mundo.

A Galileu, antes dela a Superinteressante, revistas que vendem informação científica com certo estardalhaço (sempre preservando a informação científica, nunca vi informação falsa em nenhuma das duas revistas), fazem pelo menos metade das edições com algum assunto religioso ao logo do ano (sim, fazem edições com assunto religioso, pois são assunto em voga e revistas científicas que se prezem têm que acabar com o mito das religiões). Em cada um deles puxam para a provocação, o exagero, algo que desperte o interesse dos leitores, afinal é preciso vender (vender? ou será que é preciso falar a verdade, mesmo que ela 'pareça' sensacionalista? pois para mim não há nada de exagero em dizer que Deus não existe, que Jesus foi inventado, que o Espírito Santo é uma invenção total). Para se ter uma idéia, há dois números a Galileu trazia na capa o título: “A guerra contra Deus”. Tratava sobre a recente onda de livros de ateus que, segundo dizem, provam que Deus foi passado para trás por causa do avanço científico. Já abordamos este assunto aqui. (sim, abordaram, apelando para a fé, que, como nós, ateus, já cansamos de dizer, não prova absolutamente nada. O fato de se acreditar muito, mas muito mesmo, em algo, não faz dele verdade nem realidade nem nada parecido com isso).

Bem, a experiência da Galileu consistiu em escalar um de seus jornalistas para passar dois meses vivendo segundo a Bíblia. O resultado, eu diria, é um pastelão (claro que sim. O que vocês esperavam de alguém que viveu dois meses seguindo essas regras da Bíblia? Eu não esperava nada diferente de um pastelão. O próprio autor da reportagem quis que fosse assim). O autor da façanha, Cláudio Julio Tognolli, é ateu de carteirinha, não que isso signifique alguma coisa. (exceto que ele é inteligente e esclarecido)

Misturaram alhos com bugalhos, ou para ser simpático, fizeram perguntas infantis, coisa de alguém que nunca leu a Bíblia (sim, porque quem leu a Bíblia faz perguntas muito adultas... como no vídeo O delírio ateu que eu postei dia 14/01/2008... Realmente perguntas brilhantes)e, no entanto, adora passar a idéia de que bastam umas duas folheadas e pronto, vira especialista bíblico mostrando todas as suas “contradições”. Aliás, esta palavrinha é falada o tempo todo na reportagem. (ué, mas não tem contradição em excesso mesmo? Aposto que se não houvesse nenhuma, a reportagem não usaria essa palavra. Qual o problema em dizer isso?)

Se você tem bom humor (é preciso ter) e não acha que a experiência do Cláudio é uma afronta a Deus (a reportagem é uma afronta a Deus, mas não se preocupem... Ele não existe), recomendo a leitura, chega a ser engraçado pela literalidade com que ele interpreta o texto (se o texto não deve ser interpretado literalmente, por que Deus, todo onipotente e onisciente, não previu que os humanos ficariam confusos ao ler a Bíblia e não escreveu um livro mais claro? Ou então, se a Bíblia depende de interpretação, para que lê-la? Não é mais fácil cada um fazer o que dá na telha, porque no final é o que cada um acaba fazendo mesmo, e pronto?). Talvez deva ser um alerta para todos os cristãos. Uma palavra do “ateu” Claudio, entretanto, cabe destacar e a uso como ponto de partida de nosso texto: “Vê-se que seguir a Bíblia não é apenas mudar a casca que nos cobre: é colocar-se em xeque. Mergulhar para dentro de você mesmo, tendo como foice um ponto de interrogação, é quase que uma operação sem anestesia.” Sem se dar conta, ele mesmo achou uma bela resposta. O que é seguir as orientações morais, éticas e espirituais da Bíblia para nós hoje? Ou para usar um termo do autor da reportagem: “Afinal, dá para levar tantas determinações de Deus ao pé da letra no insano século 21?”

São duas respostas. Sim e não. Se a abordagem é a mesma da reportagem, é a de muitos cristãos – infelizmente – que privilegiam o legalismo; a barganha com Deus; que pensam agradá-Lo seguindo regras; o guardar dias e fazer rituais; comer isso, mas não aquilo; vestir tal roupa; manter cabelos e barbas. A resposta é um redondo Não. É uma carga excessivamente pesada, como exclama Brennan Manning: “Que fardo insuportável! A luta para se tornar apresentável diante de um Deus distante e perfeccionista é exaustiva.”*

Mas tão somente se tomamos Jesus (que não existiu) como modelo, se nos submetemos à Graça de Deus que nos amou primeiro; que nos dá um presente imerecido; que nos justifica; que aceita o homem mediante o sacrifício de Cristo(que não existiu - vide Zeitgeist); que não se impressiona conosco, pois é mais íntimo de nós do que nós mesmos, como disse Agostinho; então podemos dizer que Sim.

Lembremo-nos das palavras de Jesus(que não existiu): “Venham para mim todos vocês que estão cansados de carregar o peso do seu fardo, e eu lhes darei descanso. Carreguem a minha carga e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para suas vidas. Porque a minha carga é suave e o meu fardo é leve.” (Mt 11.28-30 – EP)

Na casa dos amigos Lázaro, Maria e Marta, Jesus (que não existiu) chama a atenção desta última atarefada que estava, sobrecarregada, preocupada com os afazeres domésticos: “...andas inquieta e te preocupas com muitas coisas...pouco é necessário... (Lc 10.41,42). Amor define todo o modo de seguir a Bíblia. Amar a Deus, a si mesmo e ao próximo. Toda a lei acaba aqui. Amor se recebe e amar se aprende pelo modelo do Emanuel.

Erram aqueles que acham que seguir a Bíblia é guardar leis (ah, então não é para fazer nada daquilo de honrar pai e mão, amar a Deus sobre tudo, não matar, etc. No fim, basta acreditar em Deus e pedir perdão que fica tudo perdoado). Amaldiçoar-se com uma carga enorme de coisas a serem feitas não nos tornam agradáveis perante Deus(que não existe). Diante dele, acertou Cláudio, basta a exposição nua, não é suficiente cobrir-se com uma carapaça de regras, os fariseus sabiam fazê-lo e deles já se sabe qual é a opinião de Jesus(que não existiu). Um deles bateu no peito e disse: “Ó Deus, eu te agradeço porque não sou avarento, nem desonesto, nem imoral como as outras pessoas.” (Lc 18.11 – NTLH).

Jesus (que não existiu) escandalizou aos religiosos porque estava sempre muito para além da letra da lei. Nenhum texto será capaz de expressar a vontade de Deus (que não existe), o ser parecido com Jesus (que não existiu), sim. Impossível? Se pensarmos em algo instantâneo, um boneco que sai de uma linha de montagem, sim. Mas se imaginamos um processo, um crescer, um desenvolver a salvação (Fp 2.12) mediante o relacionamento vivo com Jesus(que não existiu), então seguir a Bíblia é mais que possível, pois não importa a tormenta do “insano século XXI” como disse a reportagem, não importa, afinal, o que está lá fora, por mais terrível que seja. Importa se a pessoa é habitação de Deus(não habita ninguém em mim. Que história é essa?). Tem que ser perfeito para isso? Os religiosos legalistas, os incrédulos, os cínicos, dizem que sim. Mas esta perfeição tomamos de empréstimo de Jesus(que não existiu). Perfeição pega.

Relembro o Cláudio novamente. Seguir a Bíblia é colocar-se em xeque. Não submetendo-se a mil regras, já dissemos. É permitir, disse João Batista, que Ele cresça e o eu diminua. A prioridade é dEle, a primazia em tudo. Alguém só se torna verdadeiro quando seus impostores são desmascarados e ele se desnuda em sua verdadeira face. Não é o que sociedade quer, os comportamentos, a moda, o protocolo, os rapapés sociais, é o que o Senhor quer que eu seja(então acho que ele quer que eu seja ateu). E, digo, nascer de novo não é uma cirurgia sem anestesia.

* Texto do livro “O impostor que vive em mim” (pág 95)

Resposta ao comentário de Filipe Martins:

Admito, Filipe, que realmente escrevo com paixão. A paixão que é tomada por aqueles que prezam a verdade. Muitas vezes escrevo com a emoção e deixo a razão de lado, talvez porque me irrite ver a fé cega das pessoas, que muitas vezes não querem ver.
No entanto, acusar-me de ter fé cega, assim como os que crêem, é um acinte. Realmente, no final de meus comentários, insisti na coisa do "que não existe(iu)" depois de cada Jesus ou Deus do texto. Mas isso foi com o intuito de realçar que eu não acredito em nada disso. Na verdade, a meu ver, a existência ou não de Deus não deveria nem ser questionada, visto ser evidente que ele não existe. No entanto, devido à facilidade com que nossos cérebros são lavados por qualquer baboseira (ler Daniel Dennett, "Quebrando o Encanto"), assim que surgiu o Deus de hoje, derrotando todos os outros e alegando ser apenas um, essa história tomou tamanha proporção que até hoje é difícil lutar contra ela.
De qualquer modo, você disse que eu acreditei num documentariozinho qualquer. Eu assisti ao Zeitgeist, que foi um documentário muito comentado no meio cinematográfico. E não dei total crédito a ele. Logo depois, fui ler sobre o assunto e verifiquei que todas as informações dadas no documentário conferiam. Assim, a pessoa Jesus pode até ter existido, mas não o Jesus Bíblico, de poderes infinitos e milagres incontáveis. Esse só existe na imaginação das pessoas.
Agora, se você acha o meu site motivo de piada, não o leia mais. Ou leia e ria bastante, eu de fato não me importo com o que você acha a respeito. Um blog é isso. É a opinião de cada um. Não vou mudar minha opinião para agradas uns e outros.

Grande abraço...

domingo, 13 de janeiro de 2008

Reportagem Revista Carta Capital

Kaká e a Fé Religiosa

Repostado de Blog do Pedro Emílio

SÃO PAULO – Há quatro meses, o juiz da 1ª Vara Criminal de São Paulo, Marcelo Batlouni Mendroni, espera respostas do meia Kaká, eleito o melhor jogador de futebol do mundo pela Fifa, sobre a sua relação com a Igreja Renascer e seus donos, Estevam e Sônia Hernandes. A informação foi publicada na edição desta semana da revista Carta Capital, que também revelou que o dízimo anual pago pelo jogador à Renascer passa de R$ 2 milhões.

O casal de bispos Estevam Hernandes Filho e Sônia Haddad Moraes Hernandes, fundadores da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, que possui residência em Miami e outros bens nos EUA, responde a processo por evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A prisão de ambos ocorreu porque eles desembarcaram com US$ 56 mil, em dinheiro vivo, mas só declararam US$ 10 mil (quantia máxima permitida) às autoridades alfandegárias dos Estados Unidos.

Craque do Milan e da seleção brasileira, Kaká demonstra publicamente a sua devoção pela igreja evangélica. O meia usa uma pulseira grafada com a palavra “Jesus”. Na língua de sua chuteira, pediu para gravarem “Deus é Fiel”. A cada gol marcado, o ex-jogador do São Paulo levanta as mãos em direção ao céu. Kaká é uma das figuras de grande destaque da Renascer e já declarou que, quando encerrar a carreira, vai se tornar pastor da igreja.

O objetivo da Justiça brasileira é esclarecer a relação entre o jogador e o casal Hernandes, envolvidos em operações financeiras que não teriam sido declaradas às autoridades brasileiras. Possíveis crimes como lavagem de dinheiro e outras atividades ilegais são investigados pelo juiz Marcelo Mendroni, informa a revista Carta Capital.

Com base no interrogatório enviado a Milão, segundo a reportagem, Kaká pode ser considerado mais uma vítima-testemunha. De acordo com o jornal italiano La Gazetta Dello Sport, Kaká ganha 17 mil euros, cerca de 45 mil reais por dia, o que anualmente chegaria a R$ 16 milhões por ano, sem levar em conta as premiações e cotas de patrocínio recebida pelo craque.

É com base nessas contas que Kaká repassaria à Renascer mais de R$ 2 milhões por ano. E, segundo Mendroni, durante anos os dízimos da igreja foram desviados pelo casal Hernandes, que possui um patrimônio estimado em cerca de R$ 130 milhões.

“Qual é seu grau de amizade e que relação tem com as pessoas acusadas? Os acusados costumam freqüentar a sua casa na Itália ou no Brasil? O senhor freqüenta a casa deles no Brasil ou nos Estados Unidos? Você sabe o destino que foi e que é dado ao dinheiro das suas colaborações?”. Essas são algumas das perguntas que Kaká terá que responder à Justiça brasileira, segundo a Carta Capital.

Crise religiosa

Além das perguntas encaminhadas pela Justiça brasileira, outro fato vem incomodando o jogador, ainda de acordo com a revista. A opção religiosa do genro sempre foi mal vista pela mãe de Caroline, esposa de Kaká, Rosangela Lyra, católica fervorosa e integrante da Renovação Carismática.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Reportagem Revista Vida Simples

Repostado de Revista Vida Simples de Janeiro de 2008

Deus e eu

Você acredita que o Universo tenha tido um criador? E, se acredita, como se relaciona com ele?

Será que você tem idéia de que a imagem interna que você tem de Deus pode influenciar sua vida, quer acredite nele ou não?

por Liane Alves

A camiseta branca bordada com strass cintilava na vitrine. Era impossível desviar o olhar da frase que ela trazia: “Who is your God?” Ou: quem é o seu Deus? Diante dessa pergunta tão inesperada numa loja de shopping, nenhuma resposta seria melhor do que o silêncio. E mais perguntas: “Quem é o Deus em que eu acredito? Quem está no lugar dele, se resolvi eleger outras prioridades na vida? Que relação tenho com ele? Íntima, distante, fria, ocasional? Ou realmente já fechei questão de que ele não existe?”

Uma hora na vida a gente vai se fazer essas perguntas seriamente, com camiseta branca chamando nossa atenção ou não. E, quando a gente fizer, vale a pena escutar o que dizem as pessoas que já fizeram - e saber algumas das respostas que elas encontraram ou, então, o que as deixou perplexas e fascinadas. Pela quantidade de livros que falam do assunto atualmente, muita gente já colocou para si mesma essas questões. A mais recente onda, por exemplo, é a dos livros escritos por cientistas especializados em neurociência, genética, matemática, física e biofísica. Eles, como outros autores que se arriscam nesse tema, revelam dados surpreendentes. E você nem imagina quanto.

Se alguém quisesse deixar Einstein irritado, era só insinuar que ele era ateu. Não só ele não se considerava ateu, como nutria uma certa antipatia por quem não acreditava em Deus (calma, se você não crê, também existem grandes nomes da ciência que vão lhe dar razão). Segundo sua biografia recém-lançada, Einstein, de Walter Isaacson, o físico alemão costumava dizer que os ateus haviam conseguido se libertar dos grilhões por não acreditarem mais num Deus infantil, mas que ainda assim sentiam o peso das correntes por não conseguir conceber a idéia de um eus revelado na harmonia do Universo.

Era justamente a dança do cosmo, das galáxias aos átomos, que fascinava Einstein. Aquilo tudo não podia ser por acaso. A sincronia que ele conseguia vislumbrar como cientista sempre o deixou reverente. Mas vale perguntar: quem era esse Deus em que Einstein acreditava?
Não era ninguém com quem se pudesse manter uma relação pessoal, seja rezar, seja adorar. Era mais como uma Inteligência impessoal, uma Grande Mente que ressoava na música das esferas celestes, que estava presente em tudo e em todos, e de quem ninguém era objetivamente separado. Einstein, apesar de ser judeu e ter estudado numa escola católica, tinha simpatia pelas idéias budistas e essa forma não pessoal da divindade o interessava muito. Na verdade, ele enxergava o Absoluto em todas as manifestações. E aqui, junto com Einstein, chegamos a um ponto fundamental. Cada um acredita, ou deixa de acreditar, no seu Deus. Quando alguém diz que não crê em Deus, é preciso perguntar: em qual?

Onde tudo começa

A idéia que temos de Deus é formada na psique durante a tenra infância, dos 3 aos 7 anos, de acordo com o criador da Psicologia Analítica, o suíço Carl Gustav Jung. Ele foi um dos primeiros investigadores da psique a se interessar por esse assunto. Jung chamava essa idéia primordial, ou arquétipo, de Imago Dei ­ imagem de Deus. Ele afirmava que essa imagem formada na infância continua a influenciar nossa vida, ainda que, quando adultos, digamos que deixamos de acreditar em Deus. Dizia Jung que mesmo um ateu ou agnóstico usará essa imagem como ponto de referência, mesmo que seja para não crer nela. Em outras palavras, você pode até não acreditar em Deus, mas não vai se livrar desse conceito imaginário tão facilmente. A Imago Dei continuará firme e forte como uma marca indelével em sua psique. “Essa influência está sempre ali como pano de fundo para tudo o que desejamos na vida, estejamos conscientes disso ou não”, afirma o psiquiatra e psicanalista junguiano Luiz Geraldo Benetton.

E sabe como se dá o processo da formação da Imago Dei em nossa psique? Ela é construída a partir do acolhimento e do amor que tivemos de nossos pais. Portanto, afirmava Jung, Deus será, para nós, mais amoroso e próximo, ou mais rígido e distante, de acordo com o relacionamento que tivemos com nossos genitores. Há algum tempo fizeram uma pesquisa muito interessante: pediram para crianças de 5 a 6 anos de pequenos vilarejos do Leste Europeu para desenharem Deus. Elas viviam em lugares isolados e não foram expostas à mídia ou à influência de igrejas. “O mais interessante é que todas fizeram os traços de Deus com aspectos ou qualidades de seus pais”, diz Benetton. Pode-se dizer que pais amorosos e acolhedores nos ajudam a ter uma imagem mais positiva de Deus e que pais mais autoritários ou frios podem influenciar numa imagem mais punitiva ou distante.

Dependendo do caso, essas associações de infância podem ser bastante positivas. Por exemplo, o escritor Michael Cunningham, autor do romance As Horas, imagina Deus como uma mulher bondosa e negra, assim como foi sua babá. “Considero que essas imagens se formam bem cedo em nossas vidas. Quando penso em Deus, penso nela”, confessou ao cineasta Antonio Monda, que entrevistou atores, escritores e diretores de cinema para escrever o livro Deus e Eu. Para a maioria das pessoas, Deus está ligado à imagem de um ser que satisfaz nossas necessidades. Se eu quero isso, peço para Deus, se quero aquilo, ele também me dará. “Numa escala de 1 a 9 que pudesse medir a compreensão que temos de Deus, a maioria das pessoas não ultrapassaria o nível 3. O entendimento que temos do Criador é ainda de um provedor, como o pai e a mãe, que está no céu para atender às nossas vontades.”

Lembra aquelas cartas que as crianças escreviam para Deus em um livro infantil? Numa delas, uma menina de 8 anos resume bem nossa relação com o Criador. A garota escreveu: “Querido Deus, muito obrigado pelo meu irmãozinho. Mas quando rezei para o Senhor, na verdade tinha pedido um cachorro...” Muitas pessoas acham que o processo é este: a gente pede uma coisa, e o Todo-Poderoso parece que dá outra. E nos conformamos repetindo o ditado que diz que Deus escreve certo por linhas tortas.

Porém, uma pequena porcentagem das pessoas consegue ultrapassar suas necessidades infantis e amar a Deus acima de todas as coisas, isto é, acima do que possa acontecer a elas, pessoalmente. Elas encontram o sagrado não só no Universo, mas dentro de si e na sua relação com os outros.

Essa é uma boa deixa para perguntar: “Quem é Deus para mim? Um provedor? Uma inteligência cósmica? Um ser próximo e amoroso? Um estado de amor perene e impessoal?” É bom deixar isso claro antes de partir, se for o caso, para sua negação.

A linguagem de Deus

O cientista Francis Collins é o diretor responsável pelo Projeto Genoma. Ao tentar desvendar o mapeamanto genético do ser humano, foi tomado por intenso sentimento de veneração a Deus, com base no que reconheceu como sendo uma das suas mais intrincadas criações: o DNA. Escreveu ele em seu livro: “Hoje estamos aprendendo a linguagem pela qual Deus fez a vida. Estamos ficando cada vez mais admirados pela complexidade, pela beleza e pela maravilha da dádiva mais divina e mais sagrada de Deus”. Como Einstein, Francis Collins não é bobo. Seu Deus não é um homem velho de barbas brancas. Detalhista, ele resume no livro as diferentes visões históricas de Deus e como elas espelham a sociedade política, social e econômica de uma época. Com bom humor, também analisa as mais recentes concepções de Deus - por exemplo a que coloca Deus como o mais perfeito e inteligente designer do Universo. A idéia surgiu em 1991 com o livro Darwin em Julgamento, de Phillip Johnson, um profesor da Universidade de Berkeley, na Califórnia. Segundo ele, a teoria da evolução não seria suficiente para explicar a perfeição da natureza, do DNA ao universo atômico, das constelações aos microorganismos. Pois haveria uma inteligência por trás disso, a ID (Inteligent Design). Essa teoria foi abraçada por outro professor, William Dembsky, um matemático especialista em ciências da computação que analisou as probabilidades estatísticas de tanta perfeição (sim, a conclusão é que é matematicamente impossível que o Universo seja obra do acaso ou apenas da evolução).
Esse Deus criador impessoal, mas distante, me faz lembrar de um vizinho, que resumia sua relação com o Criador da seguinte forma: “É a mesma que tenho com o síndico do prédio. Sei que ele está tomando conta de tudo e, às vezes, o encontro no elevador”. Isto é, ele deixava tudo a cargo da administração geral. Nos momentos de aperto chamava o chefão para um papo. Ou então deixava por conta dos encontros fortuitos. Existe muita gente assim.

A nova onda

Ainda existem dezenas de outros conceitos sobre Deus na área científica. A tendência atual, no entanto, é o conceito do BioLogos, o Deus que “usa” a evolução para aperfeiçoar seu projeto. De acordo com essa visão, defendida pelo próprio diretor do Projeto Genoma, a criação não seria tão perfeita assim (“o que dizer do apêndice?”, pergunta). Segundo Collins, a criação é um projeto em direção à perfeição, constantemente reformulado e aperfeiçoado com base na lei da evolução. Assim, matamos dois coelhos de uma tacada só. Não se é nem só criacionista nem só darwinista, mas um pouco de cada coisa.

No Brasil, o professor-titular de neurocirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Raul Marino Jr., também dá uma importante contribuição à discussão sobre Deus, com seu livro A Religião do Cérebro, que analisa a possibilidade de uma área cerebral responsável pelo conceito de Deus. O doutor Marino traz a pesquisa do neurocientista americano Michael Persinger, que foi capaz de isolar no cérebro a zona (o lobo temporal direito) responsável por uma sensação mística de transcedência, sensação que pode ser reproduzida em laboratórios com a estimulação de campos magnéticos transcranianos.

Outra pesquisa relatada por ele mostra que os processos místicos ou espirituais se valem das mesmas estruturas neurais do cérebro que o processo sexual, embora tenham origens diferentes (o processo sexual é acionado pelas sensações e o místico se inicia diretamente no hipotálamo). Por isso é que tantos santos descreveriam o êxtase e a sensação de união com Deus de forma tão erótica. Não é para menos, tudo acontece no mesmo meio-de-campo dentro do cérebro. Porém, longe de querer provar a não-existência do Criador com essas pesquisas, o médico traça um caminho em que elas só comprovam uma existência maior - e que se vale dos nossos processos neurológicos para se manifestar.

Deus e o solo de sax

Um incomensurável oceano de amor que habita tanto o cosmo quanto nosso coração é a matéria-prima de muitas religiões. É dele que falam os evangelhos cristãos, o Alcorão ou a Torá. É um Ser que quer a relação com suas criaturas, no nível delas, e da maneira que elas são capazes. “Esse Deus que aceita meus trancos e barrancos me interessa”, afirma a psicóloga paulista Maria Helena Monti. “Ele me parece mais real”, diz ela. É para garantir essa relação mais próxima com o sagrado que as religiões oferecem uma legião de intermediários em nossa relação com Deus: santos, anjos e arcanjos, virgens e mestres, ou a própria divindade, mas encarnada como ser humano, como Jesus ou Krishna. Se Deus é o Absoluto Supremo, os intermediários mais próximos a nós parecem compreender melhor nossas fraquezas e limites. Às vezes é mais fácil começar por eles.

Mas como realmente amar aquele que só é Amor e nos aproximarmos mais dele, com todas nossas limitações? No livro Como os Pinguins me Ajudaram a Entender Deus, o pastor americano Donald Miller dá um bom exemplo. Ele diz que não gostava de jazz por ser uma música impossível de ser definida, difícil de entender e muito distante dele mesmo - mais ou menos como o conceito que ele tinha de Deus. Até que viu um homem tocando um solo de jazz no saxofone numa esquina de sua cidade. Durante 15 minutos, o músico parecia estar completamente embevecido e extasiado com a experiência. Naquele momento, Donald Miller achou que poderia começar a gostar de jazz. “Algumas vezes você precisa ver alguém amar muito alguma coisa antes mesmo de você conseguir amá-la. É como se a pessoa estivesse lhe mostrando o caminho”, diz ele.

Hoje muitas pessoas parecem estar mostrando o caminho de como amar a Deus - sejam cientistas, teólogos, filósofos ou o músico da esquina. É só começar a prestar atenção.

Para saber mais

Livros:• A Linguagem de Deus, Francis Collins, Gente• A Natureza Ama Esconder-se, Shimon Malin, Horus• A Religião do Cérebro, Raul Marino Jr., Gente• Como os Pinguins me Ajudaram a Entender Deus, Donald Miller, Thomas Nelson Brasil• Deus e Eu, Antonio Monda, Casa da Palavra• Deus, um Delírio, Richard Dawkins, Companhia das Letras• Eclipse de Deus, Martin Buber, Verus• O Delírio de Dawkins, Alister McGrath & Joanna McGrath, Mundo Cristão• Vivenciando Deus, Leonardo Boff, Vozes• Einstein, Walter Isaacson, Companhia das Letras

Comentários:

1 - Não gostei da reportagem - não fala nada de ateísmo. Só cita. E olha lá.
2 - O editor da revista é religioso de carteirinha. Nem deixaria alguém falar mal de Deus.
3 - Comprei a revista, paguei R$10,90 para ter em primeira mão algo para colocar aqui e tem a revista de graça no site.
4 - Matéria fraca, conteúdo pobre, nada aprofundado, porém diferente do que vemos habitualmente nas revistas.
5 - Einstein não acreditava em Deus.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Reportagem Revista Galileu Janeiro 2008

Excelente matéria da Revista Galileu desse mês.


Nessa reportagem, a equipe da revista Galileu escalou o jornalista Claudio Julio Tognolli, ateu e devoto de Richard Dawkins, para uma tarefa (quase) divina: tentar viver dois meses segundo os mandamentos e regras da Bíblia. A reportagem foi inspirada no livro "The Year of Living Biblicaly", de A.J. Jacobs, que viveu biblicamente por um ano.


A reportagem é um relato de Claudio, que reclama o tempo todo da barba que nunca usou e da academia, que teve de abandonar devido a Levítico 19:19 "Não permitirás que se cruze o teu gado com o de espécie diversa; não semearás o teu campo com semente diversa; nem vestirás roupa tecida de materiais diversos". Assim, a sunga da academia teve de se aposentar.


Claudio também disse ter blasfemado quando seu time (o Corinthians) caiu para a segunda divisão. Mesmo assim, compôs música para o Senhor conforme prega Salmos 33:2 usando harpa de dez cordas (um banjo de cinco cordas com um processador eletrônico que dobra os sons). Tirou a foto de Aleister Crowley da sala para não cultuar imagens.


Porém, como é de praxe para quem, como eu, começa a ler a Bíblia, encontrou contradições. Deu dinheiro a uma cigana pobre. Um pastor não gostou que ele deu dinheiro a uma cigana para ler sua mão devido a Êxodo 23:1 "Não dar as mãos a um homem fraco", mas Claudio disse que deu o dinheiro baseado em Mateus 19:21 "Se queres ser perfeito, deve vender tuas posses e dá-las aos pobres, para poder achar os tesouros do Paraíso" e Deuterônimo 15:7 "não devemos endurecer o coração e fechar as mãos ao irmão pobre".


Claudio não foi aceito na Igreja Bola de Neve, aquela do Rodolfo, ex-vocalista do Raimundos. Conversou ainda com o teólogo da PUC Rafael Rodrigues da Silva, que disse que não se deve ser fundamentalista e chamou o Papa Bento XVI de intolerante. Rafael disse ainda que "Ler a Bíblia ao pé da letra é o limite da estranheza, meu caro!".


Entre muito bom humor e muita crítica, Claudio conclui que pode montar seu Deus "como um prato a quilo", ou seja, como bem lhe convier e como lhe for melhor. Afinal, se a Bíblia depende da interpretação de cada um, (conclusão minha) para que lê-la?


Para saber mais:

Revista Galileu
Edição de janeiro de 2008
http://www.galileu.globo.com/


The Year of Living Biblicaly
A.J. Jacobs
Simon & Schuster, 2007

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Entrevista com Sam Harris na Revista Veja de 26/12

A RELIGIÃO FAZ MAL AO MUNDO


O FILÓSOFO SAM HARRIS, UM DOS ATEUS MAIS BARULHENTOS DOS EUA, DIZ QUE SÓ COM O FIM DA FÉ SE PODERÁ ERGUER UMA CIVILIZAÇÃO GLOBAL


Dependendo do ângulo e que é observado, o filósofo americano Sam Harris, de 40 anos, exibe uma desconcertante semelhança física com o ator Ben Stiller, mas seu trabalho nunca está para comédias. Junto com o biólogo inglês Richard Dawkins, autor de Deus, um Delírio, Sam Harris é um dos mais ativos militantes contra as religiões. Em 2005, nos Estados Unidos, ele lançou O Fim da Fé e ficou mais de trinta semanas na lista dos mais vendidos do jornal The New York Times. Neste ano, produziu um novo best-seller com críticas à religião. Com 91 páginas, Carta a Uma Nação Cristã, já lançado no Brasil pela Companhia das Letras, é um compêndio em defesa do ateísmo. É redigido com uma linguagem tão cortante e argumentos tão implacáveis que, por vezes, roça o panfletário (discordo), mas dá seu recado com clareza absoluta. O filósofo bate em cada um dos pilares da fé e conclui: "A religião agrava e exacerba os conflitos humanos muito mais do que o tribalism, o racismo ou a política". Ele deu a seguinte entrevista:


O MOVIMENTO DOS ATEUS É FORTE NOS ESTADOS UNIDOS E NA INGLATERRA, PRINCIPALMENTE. É UMA DECORRÊNCIA DOS ATENTADOS DE 11 DE SETEMBRO DE 2001? Vejo dois motivos simultâneos para essa confluência geográfica: os atentados de 11 de setembro e a escancarada religiosidade do governo de George W. Bush. A conjunção desses dois fatores levou muitas pessoas a se preocuparem com o fato de que a fé está agora dos dois lados do balcão. Esse é um jogo altamente perigoso.


POR QUÊ? A fé é, intrinsecamente, um elemento que, em vez de unir, divide. A única coisa que leva os seres humanos a cooperar uns com os outros de modo desprendido é nossa prontidão para termos nossas crenças e comportamentos modificados pela via do diálogo. A fé interdita o diálogo, faz com que as crenças de uma pessoa se tornem impermeáveis a novos argumentos, novas evidências. A fé até pode ser benigna no nível pessoal. Mas, no plano coletivo, quando se trata de governos capazes de fazer guerras ou desenvolver políticas públicas, a fé é um desastre absoluto.


O SENHOR ACHA QUE O MUNDO SERIA MELHOR SEM RELIGIÃO, SEM FÉ, SEM CRENÇA EM DEUS? Seria melhor se não houvesse mentiras. A religião é construída, e num grau notável, sobre mentiras. Não me refiro aos espetáculos de hipocrisia, como quando um pastor evangélico é flagrado com um garoto de programa ou metanfetamina, ou ambos. Refiro-me à falência sistemática da maioria dos crentes em admitir que as alegações básicas para sua fé são profundamente suspeitas. É mamãe dizendo que vovó morreu e foi para o céu, mas mamãe na verdade não sabe. A verdade é que mamãe está mentindo, para si própria e para seus filhos, e a maioria de nós encara tal comportamento como se fosse perfeitamente normal. Em vez de ensinarmos as crianças a lidar com o sofrimento e ser felizes apesar da realidade da morte, optamos por alimentar seu poder de se iludir e se enganar.


É POSSÍVEL CONCILIAR CIÊNCIA E RELIGIÃO? A diferença entre ciência e religião é a diferença entre ter bons ou maus motivos para acreditar nas hipóteses sobre o mundo. Se houvesse boas razões para crer que Jesus nasceu de uma virgem ou que voltará à Terra, tais proposições fariam parte de nossa visão racional e científica do mundo. Mas, como não há boas razões para acreditar nisso, quem o faz está em franco conflito com a ciência. É claro que as pessoas sempre acham um modo de mentir para elas mesmas e para os outros. A estratégia, nesse caso, é dizer que tal crença decorre da fé. Com freqüência, ouvimos dizer que não há conflito entre razão e fé. É o mesmo que dizer que não há conflito entre fingir saber e realmente saber. Ou que não há conflito entre auto-engano e honestidade intelectual.


HAVERÁ O DIA EM QUE A HUMANIDADE DEIXARÁ DE TER FÉ OU A FÉ FAZ PARTE DA NATUREZA HUMANA? O desejo de compreender o que se passa no mundo é inato, assim como o desejo de ser feliz, de estar cercado por pessoas que amamos ou o desejo de ser mais feliz, mais carinhoso, mais ético no futuro. Mas nada disso nos obriga a mentir para nós mesmos, ou para nossos filhos, a respeito da natureza do universo. É claro que nossa compreensão do universo é incompleta e desconhecemos a extensão exata de nossa ignorância. Não temos como antecipar as maravilhosas descobertas que serão feitas. O que sabemos com absoluta certeza, aqui e agora, é que nem a Bíblia nem o Corão trazem nossa melhor compreensão do universo.


MAS NEM A BÍBLIA NEM O CORÃO SE PRETENDEM UM MANUAL CIENTÍFICO PARA ENTENDER O MUNDO. Esses livros não são sequer um guia sobre moralidade que possamos considerar minimamente adequado, e falo de moralidade porque é um campo em que ambos se consideram exemplares. A Bíblia e o Corão, por exemplo, aceitam a escravidão. Qualquer um que os considere guias morais deve ser a favor da escravidão. Não há uma única linha no Novo Testamento que denuncie a iniqüidade da escravidão. São Paulo até aconselha aos escravos que sirvam bem aos seus senhores e sirvam especialmente bem aos seus senhores cristãos. É desnecessário dizer que a Bíblia e o Corão, além de não servirem como guias em termos de moralidade, também não são autoridade em física, astronomia ou economia.


QUE TIPO DE IMPACTO SEU LIVRO PODE TER SOBRE OS LEITORES RELIGIOSOS? Eu ficaria feliz se o livro levasse os leitores a se perguntarem por que, em pleno século XXI, ainda aplaudimos pessoas que fingem saber o que elas manifestamente não sabem nem podem saber. Não há uma única pessoa viva que saiba se Jesus era filho de Deus ou se nasceu de uma virgem. Na verdade, não há uma única pessoa viva que saiba se o Jesus histórico tinha barba. No entanto, em muitos países é uma necessidade política simular que sabemos coisas sobre Deus, sobre Jesus, sobre a origem divina da Bíblia. Imagino que qualquer pessoa religiosa que leia Carta a uma Nação Cristã com a cabeça aberta descobrirá que os argumentos usados contra a fé religiosa são absolutamente irrespondíveis. Isso deve ter algum efeito sobre o modo de ver o mundo dos leitores. Eles certamente vão perceber que ser um cristão devotado faz tanto sentido quanto ser um muçulmano devotado, que, por sua vez, é tão lógico quanto ser um adorador de Poseidon, o deus do mar na Grécia antiga. é hora de falarmos sobre a felicidade humana e nossa disponibilidade para experiências espirituais na linguagem da ciência do século XXI, deixando a mitologia para trás.


O BRASIL É UM PAÍS APARENTEMENTE TOLERANTE COM AS DIFERENTES RELIGIÕES E CONHECIDO PELO SINCRETISMO RELIGIOSO. NUM PAÍS ASSIM, É MAIS FÁCIL OU MAIS DIFÍCIL PARA O ATEÍSMO CRESCER? Em certo sentido, deve ser mais fácil. O convívio intenso de crenças inconciliáveis deve levar as pessoas a compreender que tais crenças são produtos de acidentes históricos, são contingenciais, são criadas pelo homem e, portanto, não são o que pregam ser. Judeus e cristãos não podem estar ambos certos porque o núcleo de suas crenças é contraditório. Na verdade, eles estão equivocados sobre muitas coisas, exatamente como estavam antes os adoradores dos deuses egípcios ou gregos. Ou os adoradores de milhares de deuses que morreram durante a longa e escura noite da superstição e da ignorância humana. Em qualquer lugar que os seres humanos façam um esforço honesto para chegar à verdade, nosso discurso transcende o sectarismo religioso. Não há física cristã, álgebra muçulmana. No futuro, não haverá nada como espiritualidade muçulmana ou ética cristã. Se há verdades espirituais ou éticas a serem descobertas, e tenho certeza de que há, elas vão transcender os acidentes culturais e as localizações geográficas. Falando honestamente, esse é o único fundamento sobre o qual podemos erguer uma civilização verdadeiramente global.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Matéria Revista Veja

Interessantíssima essa matéria sobre ateísmo.

Não é todo dia que podemos nos deparar com textos bem escritos, embora com um certo quê de panos quentes em cima do tema, em revistas de grande circulação.

O link está aí: http://veja.abril.uol.com.br/261207/p_070.shtml

Algumas reportagens ainda estão bloqueadas. Vale a pena comprar a revista.

Mas em duas semanas eles prometeram desbloquear. Pelo menos é o que diz o site das revistas da editora Abril.