sexta-feira, 5 de junho de 2009
Vídeos: Falta do que fazer
Assistam os vídeos. É, no mínimo, engraçado.
Nem a xuxa escapou dessa.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Parece piada
"O Reverendo Patrick O'Donoghue, Bispo de Lancaster, afirmou que pessoas com formação académica espalham cepticismo e insurreição. No lugar de seguir os ensinamentos da Igreja, essas pessoas são "hedonistas", "egoístas" e "egocêntricas".
Em particular, o Bispo queixou-se de alguns Católicos influentes que em politica e na imprensa tentam minar o trabalho da Igreja. O Bispo sugeriu que essas pessoas foram corrompidas pela sua educação, que tem "um lado negro, devido ao pecado original".
O Bispo publicou recentemente um relatório onde apresenta como renovar o Catolicismo no Reino Unido, onde argumenta que "educação em massa levou causou uma doença na Igreja e na Sociedade".
"O que observámos na sociedade ocidental depois da Segunda Grande Guerra foi o desenvolvimento de educação em massa, que resultou em crescimento económico, avanços científicos e tecnológicos, assim como enriquecimentos culturais e sociais para milhões de pessoas, no entanto, qualquer feito humano tem o seu lado negro, devido ao pecado original. No caso da educação, podemos ver uma distorção devido à disseminação de cepticismo radical, positivismo, utilitarismo e relativismo"."
Ver aqui (http://www.telegraph.co.uk/news/newstopics/religion/3464073/Educated-Catholics-have-sown-dissent-and-confusion-in-the-Church-claims-bishop.html)
Ahhhhh. Nada como os continuados apelos ao obscurantismo religioso, e ao regresso à teocracia totalitária e medieval por parte de "líderes religiosos". Isto da educação académica, do conhecimento, do espírito crítico, do cepticismo é coisa indesejável. O ideal era o regresso a tempos mais simples, com os camponeses na doce ignorância, e os religiosos com o saber fechado a sete chaves.
É de esperar que estas pessoas se sintam amarguradas e façam estes apelos. Mas reparem, para acompanhar os tempos, há que o fazer com um toque de modernidade.
"O lado negro dos feitos humanos". Fantástico!
Só falta mesmo é o Darth Vader ser o novo Satanás, a bradar aos céus de Bespin: "feitos da humanidade… eu sou o vosso pai!"
Terra (e pior, Reino Unido, um pais civilizado e sofisticado), século 21.
Evolução
Evolução
"O carvão, o petróleo e o gás são chamados combustíveis fósseis porque são compostos principalmente dos resíduos fósseis de seres remotos. A nossa civilização funciona pela queima dos resíduos de criaturas humildes que habitaram a Terra centenas de milhões de anos antes que os primeiros humanos aparecessem na cena. Como num terrível culto canibal, subsistimos dos corpos de nossos ancestrais e parentes distantes." (Carl Sagan, "Bilhões e bilhões")
Nossos bisavós acreditavam que a religião lhes servia para saber tudo o que precisava ser aprendido. E viviam muito felizes. Pelo menos foi essa a idéia que nos foi transmitida por nossos avós. Já os nossos pais, talvez já pensassem que a coisa não era bem assim. Alguns deles, mais exagerados, chegavam a negar qualquer valor àquelas verdades dogmáticas. "O que a ciência não comprova eu não aceito". Ou, como dizia o pai de um amigo meu, que, espelhando-se no exemplo paterno, um dia, jovem ainda, proclamou que ele também era ateu. Ou agnóstico, sei lá. "E você lá tem idade para não acreditar em Deus, fedelho?" foi o sábio conselho que ouviu na ocasião.
Graças à ciência aprendemos que a vida começou no mar, o verdadeiro pulmão da Humanidade. Um dia os peixes se cansaram daquele ir e vir infernal e resolveram tentar a vida cá fora. Parece que, de início, deslumbrados com o tamanho do céu, os antigos peixes resolveram explorar todo aquele espaço. Mas logo descobriram que bater as asas vinte e quatro horas por dia não estava com nada. Até porque precisavam de comer e de beber, se quisessem sobreviver. Talvez até dormir, coisa que, segundo dizem, até os peixes fazem. Aliás, botar ovos na maciez das nuvens, nem pensar, concluíram eles, sabiamente. E os peixes, que haviam evoluído para aves, agora evoluíram para mamíferos, coisa, aliás, que as baleias e os golfinhos já eram. Disso segue que, rigorosamente, o morcego não é um rato que voa, como geralmente se diz. Ao contrário, repare que as asas do morcego, cujo esqueleto mostra isso, até mesmo com unhas nas pontas, é o prenúncio do que seriam as pernas dianteiras do rato. A rigor, o rato é que é uma "evolução" do morcego.
O que acaba me levando de volta à religião. Ou, melhor, à sua forma disfarçada de invadir a área pretensamente científica, como a ciência do Direito, que se apóia em dogmas claramente religiosos. Obrigar um judeu ou um muçulmano a ser juiz em uma sala onde está pendurado o símbolo do cristianismo é, quando menos, um disparate. Mas que é mantido pelos nossos juízes, em nome de algo que o Gilberto Gil, se entendesse do assunto, chamaria de "cultura".
Um desses dogmas está presente na idéia de que o homem não evolui: é hoje o que foi sempre. Ele não foi criado à imagem e semelhança de Deus, mesmo que não saibamos como é a imagem de Deus? Pois então. O problema será descobrirmos se essa mera semelhança não se tornou igualdade.
Tudo o que nossos olhos e nosso olfato nos mostram é que os peixes e os macacos jamais haviam pensado em poluir o mar e os rios ou queimar as florestas para produzir mais gás carbono do que a atmosfera poderia suportar. Somente graças à "evolução" do ser humano é que esse "progresso" logrou ser alcançado.
Os verdadeiros cientistas sabem e dizem que a ciência consiste em um conjunto de conclusões que se baseiam naquilo que pode ser conhecido hoje. O amanhã a Deus pertence, diriam eles se dissessem o que pensam.
O Direito pretende ser ciência. Em nome disso proclama que homens e mulheres são iguais. Nem um cego de nascença faria uma afirmação disparatada dessas. Nem precisa chegar a Papa para sabê-lo. Nem ter lido São Paulo. Mas vá negar esse dogma jurídico para ver o que te acontece.
Diz-se também que todos os homens são bons e que o pecado é coisa natural no ser humano, motivo pelo qual devemos ser tolerantes para com esse sinal de nossa fraqueza, demonstração de que ainda somos apenas imagem, ainda não atingimos a perfeição que só Deus possui. Acontece que "crime" e "pecado" são dois conceitos que não se confundem, cientificamente falando. A penitência, que a teologia católica vincula ao pecado, nada tem a ver com a pena, que o Direito Penal vincula ao crime. O "olho por olho", por sinal de origem religiosa, tinha por escopo, na área mundana, mostrar ao pecador o tamanho do mal que havia causado. Matou? pois que morra. Graças à contaminação religiosa, deu-se ao local onde os criminosos, nos países mais atrasados, devem ficar durante algum tempo, depois de condenados por uma autoridade civil, o sintomático nome de "penitenciária". O estrago estava feito. Roubou cem ou roubou um milhão? Pena de três anos, com direito de liberdade provisória depois de alguns dias do início do cumprimento. Só não imita o criminoso quem for muito besta. Ou muito medroso.
Felizmente, para a sobrevivência de outros animais, a evolução do ser humano está a produzir o derretimento das geleiras do hemisfério norte da Terra. Com isso, o nível dos oceanos deve elevar-se até cinco metros nas próximas décadas, segundo os cálculos mais otimistas. O que bastará para fazer submergir as principais cidades que a inteligência humana fez construir nos litorais do mundo. Graças a isso os peixes voltarão a multiplicar-se, até porque não haverá o ser humano para dizimá-los. Com o tempo voltarão a voar. Depois terão as asas atrofiadas. Um belo dia aparecerá de novo na face da Terra um evoluído animal, andando sobre as patas traseiras, que se achará no direito de encerrar o ciclo evolutivo, dizendo-se o eleito de Deus. Com ele virá nova revolução industrial, produção industrial sempre crescente para atender ao consumismo desenfreado, países lutando para preservar suas fontes de combustível e seus mercados cativos e tudo o mais que já conhecemos.
E tome poluição.
sábado, 12 de abril de 2008
Vídeo: Caminhando para lugar nenhum
Como disse Nietzsche: "O último Cristão morreu na cruz".
sexta-feira, 21 de março de 2008
Contra o aborto, igreja usa réplica de feto durante missa
Em nova ofensiva contra o aborto, a Igreja Católica do Rio passou a usar fetos de resina e vídeos durante missas e palestras, informa reportagem de Malu Toledo e Johanna Nublat publicada na edição desta terça-feira da Folha de S.Paulo (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).
"Em paróquias do Rio, como a Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, zona sul, uma almofada com a escultura de um feto é levada até o altar nas missas dominicais e é mostrada entre os freqüentadores. Na igreja Santa Margarida, na Lagoa, o "feto' está dentro de um vidro com gel, como se tivesse na placenta, exposto no altar", afirma a reportagem.
No total, foram confeccionados 600 bonecos em forma de feto para serem distribuídos nas 264 paróquias da cidade e usados nas missas de domingo durante a Quaresma. O combate ao aborto é tema da campanha da fraternidade deste ano da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). O lema é "Escolhe, pois, a vida".
Mais polêmica é a exibição de quatro vídeos com cenas reais de fetos sendo retirados de mulheres. Neles, médicos descrevem como é feito o procedimento.
Em Ipanema, uma trilha sonora dramática acompanha uma das imagens mais chocantes: um feto sendo arrancado pela cabeça.
Comentário: Ridículo. Todos os dias coçamos nossos narizes e matamos trilhões de células vivas que potencialmente poderiam gerar um ser humano. Minha opinião, se é que conta alguma coisa, é que o corpo é da mulher e a decisão é primariamente da mulher. Infelizmente, devido a conceitos religiosos estúpidos arraigados em nossa cultura, o aborto (que acontece espontaneamente muitas vezes - mesmo "Deus" valorizando a vida como dizem) é visto como prática de assassinato. Normalmente, na idade gestacional em que é produzido, o feto não tem sistema nervoso central formado, ou seja, não pensa nem sente nada. E, como almas não existem, nada há que contraindique tal prática. Exceto as questões legais, que deveriam ser revistas por pessoas que pensam, e não por crédulos religiosos.
quinta-feira, 20 de março de 2008
Olha isso!

terça-feira, 11 de março de 2008
O prazer de perdoar

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Por que sou ateu?
POR QUE SOU ATEU?
REFLITA!
Eu sou ATEU, mas é bom que fique claro que eu não sou contra a sua religião.
Em primeiro lugar, eu sou contra qualquer igreja ou templo que arrecada dinheiro porque fé não se compra e muito menos uma vaga no céu. Todas as igrejas cristãs que conheço cobram dízimo. Mas por que se paga este ''imposto''? Que benefício se ganha? Provavelmente as pessoas acreditam que vão para o céu se pagarem em dia o seu dízimo. Enquanto isso as igrejas vão aumentando seus patrimônios de forma impressionante. Para que você vai todo domingo à igreja? Para garantir a sua vaga no céu? Mas se Deus é onipresente, para que você vai à igreja se você pode falar com ele em qualquer lugar?
Por que várias igrejas cristãs são contra pessoas como Ozzy Osbourne e Raul Seixas? Porque eles têm uma crença diferentes da dos cristãos. Com a desculpa de que são satanistas, eles discriminam pessoas normais que têm crenças diferentes. Até onde sei Raul Seixas não fez mal a ninguém. Como eu sou contra qualquer tipo de discriminação, sou completamente contra essas igrejas cristãs.
Nós -os ateus- não somos mais minorias. Segundo dados da ONU, há cerca de 1.000.000.000 (um bilhão) de ateus e agnósticos no mundo, que se concentram principalmente na China. Os ateus estão bastante presentes em outros países, como Reino Unido, Suécia, Dinamarca, Rússia, Ucrânia, França, Finlândia, Coréia, Bélgica, Holanda e Cuba. No Brasil o índice de educação é ainda muito baixo, o que não favorece a libertação da influência das agremiações religiosas. A tendência, porém, é que haja um considerável aumento em médio prazo, em função sobretudo do crescimento do protestantismo, que se choca com o catolicismo e as religiões afro-brasileiras, surgindo assim um grande número de ateus e pessoas sem religião.
Todos os ateus que conheço eram cristãos e depois se desconverteram. O único caso que conheço de ex-ateu foi o do nosso ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, após perder as eleições para prefeito de São Paulo para Jânio Quadros por se declarar ateu três dias antes das eleições, em um debate, converteu ao catolicismo romano e hoje acredita na trindade e é devoto de santos e da Nossa Senhora...
Comentário: Tive que corrigir cerca de 1500 erros de português desse texto. E não achei que tivesse uma conclusão pertinente. E olha que eu sou ateu. Mas essa pessoa, apesar da boa vontade que mostra em espalhar o ateísmo, não o faz com inteligência. Pois se Richard Dawkins e Sam Harris querem chamar nós, os ateus, de "brights" (brilhantes), esse indivíduo foge à regra. Não afirme que é mais inteligente que os cristãos, pois nem sua língua natal você sabe escrever direito. Eu pego pesado na crítica porque acredito que devemos ter coerência naquilo que falamos.
Resposta ao comentário do Aquele que crê: Não fui eu quem escreveu esse texto. Apenas coloquei-o aqui. Concordo em partes com o autor. Dedico um blog a alguém que não existe justamente pelo efeito maléfico que esse serzinho exerce sobre as pessoas. Guerras, doenças na África, tudo por causa da religião, em que cada um acredita no seu Deus e não quer que o outro acredite em outro. E a religião proíbe o uso de camisinha... Convenhamos que isso é burrice.
Se você crê tanto assim, vai lá passar seu tempo rezando enquanto eu vou curtir minha vida. Meus domingos são todos livres... Hahaha... E não, eu não vou queimar no inferno. Se esse é o medo que os católicos ou quem quer que seja querem incutir no meu cérebro, "bring it on". Eu faço um inferno do inferno e ainda como o capeta. Abraços e continue crendo, pois assim eu tenho a quem chamar de ignorante, visto que você não se identificou. Será medo?
domingo, 27 de janeiro de 2008
Vídeo: O que é ser Cristão?
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
O que é preciso saber!!! (sem interrogação)
por Edmund Standing - original (em inglês):
http://www.butterfliesandwheels.com/articleprint.php?num=280
Recentemente, livros de sucesso de autores ateus como Richard Dawkins e Christopher Hitchens têm recebido críticas de setores religiosos. O mais recente ataque veio de Rowan Williams, arcebispo de Canterbury. Segundo Williams, nas discussões sobre cristianismo, a religião criticada por Dawkins, Hitchens e outros não é a mesma que ele reconhece como sua, e que estes autores, errônea e arrogantemente, dizem aos cristãos "eu sei o que você quer dizer", quando na verdade não sabem, e isso aparentemente o "incomoda".
O argumento básico de Williams e outros é que esses escritores simplesmente não se dispuseram a estudar um pouco de teologia e dirigir-se aos "argumentos de verdade". Como eu sou formado com mérito em Teologia e Estudos Religiosos, presumo que Williams não pode alegar que não tenho idéia do que estou falando, embora eu concorde com as conclusões de Dawkins e Hitchens.
A seguir, delinearei brevemente as bases da crença cristã, mostrando o que Williams considera como sendo verdade, usando suas próprias palavras. Minha conclusão é que Dawkins e companhia não erraram muito na sua representação da fé cristã, e sua falta de estudo teológico não afeta em nada a veracidade de seus argumentos.
Vamos dar uma olhada rápida na narrativa bíblica básica: [N.T.: pode pular este parágrafo se quiser]
Existe um ser incrivelmente poderoso e inteligente chamado Deus, cuja existência precede o próprio tempo. Por alguma razão, ele decide criar o universo, dando uma atenção especial ao planeta Terra. Tendo criado o universo, a Terra e todas as espécies nela contidas ("criando" o Big Bang e "guiando" a evolução, no estilo de interpretativo de Williams), ele decide focar toda sua atenção a alguns grupos tribais do Oriente Médio, em particular os israelitas, o "povo escolhido" que se torna sua obsessão, ao mesmo tempo tempo que aparentemente ignora o resto da população mundial. Ele baixa numerosas, primitivas e arbitrárias leis morais e cerimoniais, e então se envolve em disputas políticas tribais internas e disputas de terras, incitando atos de brutalidade, crimes de guerra, genocídio e estupro no processo. Aí pulamos para o Oriente Médio sob Ocupação Romana, e Deus decide que é hora de dar as caras. Por meios místicos, ele vêm à Terra em forma humana, nascido de uma virgem, encarnado como um judeu que peregrina pelo atual território Israel-Palestina, fazendo uma forte crítica social (mas nunca dando nenhuma explicação sistemática de como suas idéias poderiam ser úteis politicamente), praticando a cura pela fé (exorcizando "demônios"), truques de magia (como andar sobre a água e ressuscitar um homem morto), e discursando insistentemente sobre pecado, punição eterna para a maioria da população mundial e o iminente fim do mundo. Ele acaba crucificado, a fim de oferecer-se em sacrifício a si mesmo, para o nosso bem. Alguns dias depois ele sai andando de sua tumba e perambula com alguns de seus seguidores (aparentemente não se preocupando em aparecer para ninguém que já não acreditasse nele), antes de "ascender" ao "Paraíso" a fim de esperar a hora de retornar para ressuscitar todo ser humano que já tenha vivido, a fim de julgá-los e jogar a maioria num lago de fogo, selecionando alguns poucos para seu "reino" eterno, onde viverão felizes para sempre.
Esses são os "tijolos" com os quais a teologia cristã é erigida. Williams e outros obviamente protestarão que eles não vêem a coisa de maneira tão simplista, mas essa narrativa sustenta a Bíblia, os credos e liturgias da Igreja, e séculos de especulação teológica.
Williams alega que "quando nós, crentes, lemos Dawkins e Hitchens, eis como nos sentimos ao virar as páginas: 'Está tudo errado. Seja qual for a religião atacada aqui, não é a mesma em que acredito'". Talvez nós ateus tenhamos entendido Williams mal, e alguma profundidade tenha sido perdida. Então, vamos ver o que Williams declara acreditar, e ver se é o caso.
Williams declara que "seria totalmente errado e destrutivo declarar do púlpito algo em que eu não acreditasse" e que "oferecer-se para a ordenação requer tomar a responsabilidade pela totalidade da fé da igreja, e não pedacinhos dela". O que é "a fé da igreja"? Há alguma relação com a crua narrativa supracitada? O Credo Niceno serve, para muitas das grandes denominações cristãs, como uma declaração unificada de fé, tendo emergido de debates sobre a natureza da fé cristã, nos primórdios da igreja. Ele é lido por padres e congregações todo domingo eucarístico. Se Williams concorda com esse texto - o que ele claramente faz, já que também o recita alegremente - e, como vimos, ele acha que seria "totalmente errado" proclamar algo que ele não considerasse verdadeiro, então podemos tomar o Credo como um reflexo preciso de sua visão da realidade.
Eis a íntegra do Credo Niceno:
[N.T.: pode pular se quiser]
Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do Céu e da Terra,
de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigênito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, luz da luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;
gerado, não criado,
consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, homens,
e para nossa salvação desceu dos Céus.
E encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria
e se fez homem.
Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia,
conforme as Escrituras;
e subiu aos Céus,
onde está sentado à direita do Pai.
De novo há de vir em sua glória
para julgar os vivos e os mortos;
e o seu Reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo,
Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho;
e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado:
Ele que falou pelos Profetas.
Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica.
Professo um só batismo para a remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos
e vida do mundo que há de vir. Amém.
Estas são as coisas básicas em que alguém deve crer para ser um cristão. Esta é "a fé da igreja", a qual Williams acredita ser "responsável" por defender e proclamar. Vemos a história de um deus criador que "fala pelos profetas" israelitas e coloca informações importantes e precisas sobre o futuro nas "Escrituras" (ou seja, o Antigo Testamento); um deus que "desceu" de (e "subiu" a) um lugar real chamado "os Céus", nasceu de uma mãe virgem, foi crucificado "por nós", ergueu-se dos mortos, e um dia deve retornar "dos Céus" para ressuscitar os mortos, a fim de julgá-los, e ele levará os crentes para um "Reino" eterno. Deve estar bem claro que eu não li mal ou interpretei de forma errada as alegadas verdades da Cristandade, e que Dawkins ou qualquer outra pessoa poderia razoavelmente ler essa declaração de fé e decidir se a acha plausível , ou se a considera um nonsense fictício e fantasioso.
Uma alegação-chave é que, como os "novos ateus" nunca estudaram teologia, eles não sabem realmente do que estão falando. Talvez algo importante tenha sido perdido. Talvez o Credo precise de alguma reflexão teológica para que seu "verdadeiro significado" possa ser discernido. Tomemos, por exemplo, a suposta ressurreição de Jesus. Se Dawkins estudasse teologia, por acaso ele entenderia algo diferente de um evento histórico literal sobre um corpo sem vida acordando e saindo andando do túmulo? Mas não é o caso de Williams. Quando o bispo ultraliberal John Shelby Spong sugeriu que Williams não acreditava realmente em cadáveres que saem andando, Williams declarou que isso o deixa "bastante irritado", porque:
Sou genuinamente bem mais conservador do que ele gostaria que eu fosse. Tomemos a ressurreição. Acho que ele disse foi que obviamente eu sei tudo o que os estudiosos pensam sobre o assunto, e portanto quando eu falo em "ressuscitado" eu falo de algo diferente de um túmulo vazio. Mas não é o caso, e não sei como persuadi-lo disso.
Então, Williams acredita, sim, em cadáveres que andam. Mas e todo aquele papo sobre Jesus ser Deus encarnado? Talvez Dawkins e companhia, se tivessem estudado teologia, descobririam que Williams e seus pares têm uma interpretação mais criativa e poética, e menos literal. Mas, de novo, parece que não:
Alguns dos padrões fundamentais dos ensinamentos cristãos - a criação do mundo a partir do nada, o envolvimento total de Deus, Jesus e o Espírito Santo - são para mim a gramática de tudo que dissermos. Não me espanto quando alguém diz que deveríamos ser criativos sobre estes padrões; eles são aquilo que nos cria, são as realidades que tornam possível que sejamos os seres humanos que Deus deseja. Não consigo imaginar querer ser criativo a respeito a isso mais do que eu faria com o ar que respiro.
Pode-se perguntar de novo de que forma exatamente Dawkins e outros supostamente fizeram uma caricatura, um espantalho da fé cristã, e como Williams pode achar que "Seja qual for a religião atacada aqui, não é a mesma em que acredito", dado sua clara concordância com as noções mostradas no Credo.
Nesse ponto, sou obrigado a admitir que, para que certos aspectos do Credo poderem ser totalmente entendidos, seria necessária ao menos uma leitura rápida de teologia patrística. Algumas das frases têm um significado muito técnico, ao qual muitas vezes se chega depois de acalorado debate. Três conceitos que se destacam são os seguintes: "nascido do Pai antes de todos os séculos", "consubstancial ao Pai", e que o Espírito Santo "procede do Pai e do Filho". Entretanto, o cerne da mensagem da cristandade não é dependente desse obscurantismo e pedantismo teológico. Essas frases são derivadas de reflexões posteriores, sobre as quais embasei o que chamei de "tijolos" da fé cristã. Não é necessário entender as meditações teológicas dos pensadores dos primórdios da igreja para concluir que um nascimento a partir de uma virgem, anjos, demônios, milagres, sacrifício de sangue divino, cadáveres que saem andando, céu e inferno, são conceitos sem sentido. Vemos aqui um exemplo claro da natureza da teologia, e porque este estudo é genuinamente desnecessário para que a fé cristã seja rejeitada.
Em princípio, qualquer um é capaz de julgar as alegadas verdades da cristandade unicamente a partir da leitura da Bíblia, pois toda a reflexão teológica posterior assume que essas narrativas são um reflexo preciso da história do mundo e da derradeira realidade. Tire as narrativas, e todo o edifício teológico desmorona. Eis o que se encontra na teologia: durante séculos, pessoas eruditas tentam fazer suas crenças claramente irracionais parecerem coerentes e lógicas, mas tudo baseado no mesmo conjunto pequeno de crenças básicas.
A essência da teologia é definida de modo conciso numa frase de Santo Anselmo de Canterbury (1033-1109): fides quaerens intellectum (fé em busca de entendimento). De fato, foi a primeira definição que me ensinaram, quando estudante de teologia. A noção de "fé em busca de entendimento" demonstra claramente o quanto a teologia é intelectualmente vazia, e quão baixa deveria ser sua credibilidade como objetivo acadêmico (no sentido de engajar-se ativamente em produção teológica, em contraste com o seu estudo acadêmico puro como parte da história das idéias).
A Teologia vira de cabeça para baixo o método científico que seguimos desde o Iluminismo. A pesquisa científica pode iniciar com uma proposição razoável baseada em evidência existente (hipótese), e então coleta e examina dados para ver se a proposição é realisticamente precisa, ou pode simplesmente levar à descoberta de dados que ninguém havia previsto. Já a teologia começa com a aceitação de idéias sem base factual, ou para os quais a evidência é espantosamente fraca, e orgulhosamente proclama a aceitação dessas idéias com base na "fé" como uma virtude, e então continua a tentar fazer essas crenças a priori parecerem racionais e inteligíveis.
Em outras palavras, chega-se aos "resultados" da teologia antes de ser feito qualquer estudo para confirmá-los. O teólogo não usa as doutrinas básicas da fé cristã como possíveis verdades cuja consistência lógica deve ser testada; em vez disso, ele começa com a conclusão que , pela fé, são verdadeiras suas "crenças", uma série de afirmações internamente incoerentes, pré-científicas e fantásticas, e então tenta revesti-las com credibilidade intelectual.
Nesse sentido, a Teologia não é uma busca acadêmica adequada, mas uma tentativa de mascarar a superstição numa névoa de verbosidade pseudo-intelectual. Williams é bom nisso. Já sabemos em que ele acredita sobre Deus, Jesus e tudo mais a partir de suas próprias palavras e por sua concordância com a doutrina da igreja; mas quando fala em público, ele tenta "turvar a água" com uma retórica insípida como numa palestra recente:
O religiosos diz que integridade moral, introspecção, honestidade e confiança são estilos de vida que se conectam com o caráter de um agente eterno e livre, que a maioria das religiões chama de Deus. Podem concordar ou não, mas aviso aos críticos: ao menos saber do que exatamente estamos falando. Muitas vezes os ateus parecem estar falando sobre uma coisa diferente.
Não, Dr. Williams, os ateus não estão "falando sobre uma coisa diferente", mas sim das crenças que você proclama como verdadeiras. Revestir as idéias cristãs sobre Deus com termos como "agente livre e eterno", é criar uma cortina de fumaça com jargões sem sentido, tentando fazer a superstição parecer algo sofisticado.
Pelas palavras de Williams, parece bem provável que ele não tenha se dado ao trabalho de ler os escritos que ele critica. É incrível que ele tenha a desfaçatez de associar a fé cristã à "integridade moral, introspecção, honestidade e confiança", sem atacar as duras críticas feitas por Dawkins em "Deus, um Delírio" à noção de moralidade e religiosidade derivadas da Bíblia. Parece que o que estamos vendo é apenas a repetição de argumentos de séculos de idade, tão fracos que mesmo uma criança do primeiro grau poderia desmanchar: a noção de que a crença em Deus é integralmente ligada a padrões éticos, com a implicação que ateus são incapazes de serem morais, já que não acreditam em um vigia divino que um dia nos levará a julgamento.
Será que Dawkins, Hitchens e vários outros pensadores ateus fizeram uma representação grosseira da cristandade? Será que os cristãos tem alguma razão para dizer que a religião citada por esses pensadores é diferente daquela que eles pelo menos dizem seguir? A reposta para as duas perguntas é não. Será que, para rejeitar a crença religiosa, Dawkins e outros precisam mergulhar em séculos de falastrice teológica? Claro que não.
As declarações de Williams e outros como ele não passam de reações de reflexo contra o racionalismo. Eles se queixam que sua fé foi mal entendida, quando o que parece é que eles mesmos é que estão representando mal suas reais crenças. Como é que o Arcebispo de Canterbury, um homem que por sua própria posição crê em todos os ensinamentos centrais da fé cristã, pode declarar que as críticas dos ateus evitam os ditos "argumentos de verdade", é algo que me escapa.
A verdade é a seguinte: não há "argumentos de verdade". No fundo, a própria Teologia é uma questão de fé, e não argumento intelectual genuíno. Os teólogos podem continuar escrevendo livros imensos e artigos usando um tom denso e erudito, mas realmente não é preciso que os ateus os leiam, já que no fim eles se reduzem às mesmas derradeiras crenças, que os ateus - corretamente, a meu ver - rejeitam, por falta de credibilidade intelectual e moral.
Edmund Standing é graduado em Teologia & Estudos Religiosos e mestre em Teoria Cultural e Crítica [i]
http://godlessliberator.blogspot.com/2007/11/o-que-preciso-saber-sem-interrogao.html
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Vídeo: Confissões de um Ex-Cristão
domingo, 13 de janeiro de 2008
Lavagem cerebral pelo medo
1 - TEME A DEUS - ou seja, eles já começam o folheto pedindo para você ter medo de Deus. Interessante. Ter medo de um ser que teoricamente me ama. Por quê? Meu pai me ama e não tenho medo dele. Minha namorada me ama e não tenho medo dela. Agora Deus me ama, mas tenho que ser temente a ele. Para mim não faz sentido algum. Faz para vocês?
2 - DEVER DE TODO HOMEM - não há escolha. Não posso ser budista, muçulmano, xintoísta, ateu. Tenho que crer nesse Deus aí do folheto e temer a ele. Senão, não tem negócio. Dá vontade de rir. E tem gente que lê isso e leva a sério. Não dá nem para fazer comentário sério.
3 - CRER E OBEDECER e QUEM NÃO CRÊ JÁ ESTÁ CONDENADO - bem, gente, foi legal blogar com vocês. Vejo vocês no inferno. Já estou condenado mesmo. Fazer o quê? Não consigo crer. E não basta crer. Tem que obedecer. Nem sei o que ele mandou, pois morro de medo dele. Tem que crer, temer e obedecer. Não me dou ao luxo nem de gostar dele. Como vou gostar de alguém em quem tenho de acreditar sem ver, obedecer senão serei punido por toda a eternindade e que ainda tem o cinismo de dizer que me ama? Ainda mais com um folheto tão explicativo como esse.4 - O SENHOR SE COMPADECE DAQUELES QUE O TEMEM - ainda bem. Já pensou se Ele, todo-poderoso, vê um reles mortal se borrando de medo, dá uma gargalhada celestial e diz: pode temer, mortal, mas isso não vai impedir de eu pulverizar sua alma. E dá um peteleco fatal no mortal, que a essa altura já está usando fraldas e já tem urubus em volta de tanto medo. Ainda bem que o Senhor se compadece. É o mínimo, né? Já temos que ter medo dele sem nem saber o porquê.
5 - QUER QUEIRA, QUER NÃO - Não adianta. Você vai encontrar com Deus. Esqueça Alá, em quem você acreditou a vida toda. Seu negócio é com Deus. Alá que se dane. Tá escrito aí no folheto, ó. E se você tinha contas a acertar com Zeus ou com Juju da montanha, vai ficar para a próxima. A reunião com Deus tá marcada. Não adianta querer cabular. Tem que ir.
6 - PREPARA-TE PARA TE ENCONTRARES COM TEU DEUS - Peraí, mas meu Deus é nenhum. Xiiii... Esse folheto tá confuso. E cita essa frase duas vezes. Deve ser importante. Então ele me diz que encontrar com Deus é inevitável, o Deus da Bíblia. Depois ele me diz para me preparar para me encontrar com meu Deus, que pode ser nenhum, pode ser Alá, pode ser Thor, pode ser Zeus, pode ser Chronos, pode ser Júpiter, pode ser Wotan. Ufa... Menos mal. Só não sei em qual sentença acreditar.
7 - SUA DECISÃO HOJE... BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ.... AGORA - Resumindo: acabe de ler o folheto e converta-se. É sua última chance de ter um destino eterno seguro para sua alma. Mas eu não acredito em alma. Então você já está condenado.
8 - SEM DERRAMAMENTO DE SANGUE NÃO HÁ PERDÃO DOS PECADOS - aqui a coisa fica interessante. Não era a Bíblia que dizia para não matar? Ou é para matar aqueles que não acreditam em Deus? Ou que acreditam num Deus diferente? Não entendi. Tô confuso. Esse livro é muito confuso e o folheto não ajudou em nada. Como é que eu vou conseguir perdão dos pecados pecando mais?
9 - O HOMEM É SALVO NÃO PELAS OBRAS, MAS PELA FÉ EM JESUS CRISTO - Ah, bom. Então vou sair roubando, matando, estuprando, vou bater no meu pai, na minha mãe, vou usar drogas, beber, jogar pedras na Igreja, atropelar pessoas, atear fogo em casas, transmitir doenças, causar guerras, corromper crianças, aliciar mulheres, entre muitas outras coisas, mas EM NENHUM MOMENTO VOU DEIXAR DE TER FÉ EM JESUS CRISTO. Pronto. Estou salvo.
Que simples. Achei que era mais difícil.
10 - DEUS PEDIU PARA TE AVISAR, E VOCÊ ESTÁ AVISADO - Certo, mano? Senão, vai acordar com a boca cheia de formiga. O tambor vai girar e a casa vai cair. O aviso tá dado. Se pá, nóis cola aqui de novo amanhã pra dá outro aviso, truta. Mas o barato é o seguinte. Se não colar lá na Igreja, o pico vai ficar pequeno para você lá no Inferno, tá ligado?
AH, FAÇAM-ME O FAVOR. RASGUEM ESSE PANFLETO SE O RECEBEREM. SÓ NÃO O JOGUEM EM VIA PÚBLICA.
POST COLOCADO COM A COLABORAÇÃO DE EVARISTO SHIGA.
Vídeo: O motivo de ainda ter muito ateu no armário
domingo, 6 de janeiro de 2008
Casamento
Mas o que me chamou a atenção foi aquilo que Richard Dawkins chama de vírus. Detectei, sem querer, uma das fontes de infecção desse vírus de transmissão da religião. Está bem ali, disfarçada, de forma inofensiva, escondida mesmo no rito matrimonial da Igreja Católica. Vou colocar aqui e sublinhar a passagem que me chamou a atenção.
Cel.
Aqui viestes, N. e N. para que, na presença do sacerdote e da comunidade cristã, o vosso amor seja marcado por Cristo com um sinal sagrado. Cristo abençoa o vosso amor. Já vos tendo consagrado pelo batismo, vai enriquecer-vos agora com o sacramento do matrimônio, para que sejais fiéis um ao outro e a todos os vossos deveres. Por isso eu vos pergunto: N. e N. viestes aqui para unir-vos em matrimônio. É de livre e espontânea vontade que o fazeis?
Noivos
Sim.
Cel.
Abraçando o matrimônio, ides prometer amor e fidelidade um ao outro. É por toda a vida que o prometeis?
Noivos
Sim.
Cel.
Estais dispostos a receber com amor os filhos que Deus vos confiar, educando-os na lei de Cristo e da igreja?
Noivos
Sim.
Cel.
Para manifestar o vosso consentimento em selar a sagrada aliança do matrimônio, diante de Deus e de sua igreja, aqui reunida, dai um ao outro a mão direita. N. queres receber N. por tua legítima esposa e lhe prometes ser fiel, amá-la e respeitá-la na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da tua vida?
Noivo
Quero.
Cel.
N. queres receber N. por teu legítimo esposo e lhe prometes ser fiel, amá-lo e respeitá-lo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da tua vida?
Noiva
Quero.
Cel.
Deus confirme este compromisso que manifestastes perante a igreja e derrame sobre vós as suas bênçãos! O que Deus uniu o homem não separe.
Noivos
Amém.
Repararam bem? Ou seja, está ali, embutida, sem contexto algum, uma lavagem cerebral sutil, para que os noivos, embargados pela emoção do casamento em si, nem percebam que, inconscientemente, estão aceitando para seus cérebros a informação de que os filhos, que ainda nem chegaram, serão educados pelos preceitos da Igreja Católica. E aonde fica, neste meio, a vontade da criança que ainda nem nasceu? Será que ela quer ser educada de acordo com o que prega a Igreja Católica? Será que ela quer acreditar em Deus? Minha namorada, que estava comigo (e não é atéia e, por isso, estava morrendo de medo das minhas reações na cerimônia), sem que eu precisasse falar nada, me disse: a gente combina com o padre para ele pular essa parte no nosso casamento. Por quê? Porque minha resposta seria óbvia: "Sim, receberei com amor os filhos que vierem, porém os educarei de acordo com o que for cientificamente aceito à época de seu nascimento. Não os forçarei a acreditar em nada que não seja comprovadamente verdadeiro nem os obrigarei a freqüentar lugar algum que não seja necessário até que tenham maturidade suficiente para fazê-lo, ou não, por livre e espontânea vontade."
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Isenção de Impostos do Clérigo no Fim
Por ação judicial, lei estadual incita a mudança
POR BRENNA R. KELLY BKELLY@NKY.COM
BURLINGTON - Sacerdotes no Condado de Boone foram isentos de pagar impostos sobre salários por sete anos, mas o clérigo pode logo perder essa vantagem.
O Condado planeja remover a isenção terça-feira em resposta a uma nova lei estadual, a Constituição do Estado e um processo movido por um ateu que alega que a isenção não é justa.
Uma vez removida a isenção, os salários dos sacerdotes estariam sujeitos à taxa de 0,8% que todos os trabalhadores do Condado devem pagar. Como a lei do Condado para de cobrar impostos depois que alguém ganha $51.257 por ano, o máximo que um sacerdote poderia pagar no próximo ano em impostos seria $410,06.
A Tesoureira do Condado de Boone Lisa Buerkley não espera que os impostos sobre os sacerdotes gere muito dinheiro.
"Não é por causa do dinheiro, é por causa da obediência à lei", Buerkley disse.
O Condado deu a eles a isenção em 2000 depois de uma sentença na Corte do Circuito do Condado de Kenton que afirmava que os impostos violavam o direito da Primeira Emenda dos sacerdotes de liberdade de religião.
A sentença também afirmava que tal isenção não violava a Constituição Estadual, disse Jim Parsons, administrador do Condado de Boone na época.
Depois da sentença, um sacerdote de Florença ameaçou processar o Condado de Boone se este não permitisse a isenção, disse Parsons.
"Foi um impacto muito pequeno em nossa receita, então decidimos ir em frente", Parsons disse.
O Condado foi processado de qualquer forma, não pelo sacerdote, mas por Edwin Kagin, um residente da União e ateu.
Kagin, que é diretor legal da "American Atheists", disse que a isenção viola a Seção 5 da Constituição de Kentucky.
A seção diz que grupos religiosos não podem ter preferência sob a lei. Segue assim: "nem pessoa alguma deve ser compelida a freqüentar qualquer lugar de veneração, contribuir com a construção ou manutenção de tais lugares nem com o salário ou suporte de qualquer sacerdote de qualquer religião."
Se todos têm que pagar o imposto, exceto os sacerdotes, "você está contribuindo para que eles se mantenham", Kagin disse.
Em protesto, Kagin disse, ele não pagou o imposto por vários anos até que o Condado ameaçou processá-lo. A ação judicial de Kagin está pendente desde 2005, mas ela decairá se o Condado remover a isenção, ele disse.
Kagin falou que não tinha sido sincero sobre a mudança porque ele não queria que as pessoas pensassem que a ação proposta era pró-ateísmo.
"É na verdade pró-Constituição", ele disse. "Todo mundo devia ficar indignado que os sacerdotes são isentos de pagar os impostos devidos."
A questão da isenção dos sacerdotes tem sido interpretada de diferentes maneiras por advogados.
Mas uma lei que o Legislativo passou em 2006 parece esclarecer qualquer confusão, disse o Procurador do Condado de Boone Bob Neace.
Essa lei, que entrou em vigor em julho de 2006, diz que "Sacerdotes de religião devidamente ordenados, comissionados, ou licenciados devem ser sujeitos às mesmas taxas de licensa impostas aos outros no Condado no que diz respeito a salários, pagamentos, comissões e outras formas de compensação recebidas por trabalho feito e serviços prestados.
O Condado deve obedecer com a nova lei do Estado, Neace disse.
"Se o estatuto não existe, temos então um argumento de que podemos ter aquela isenção?" ele disse. "Eu acho que está aberto a interpretações."
No Condado de Campbell, os sacerdotes ainda são isentos dos impostos de 1,05% sobre os salários, disse Linda Eads, a gerente ocupacional de impostos do Condado.
Eads disse que a nova lei foi discutida na conferência da Associação de Licença Ocupacional de Kentucky no ano passado.
"Estou ciente disso," ela disse. "Discutimos na conferência da ALOK (KOLA, no original) e decidimos que ninguém vai nos processar para que lancemos impostos sobre eles."
O Condado de Kenton não retornou as ligações sobre os impostos salariais.
Comentário: já é um progresso. Pelo menos tem lugar que já percebeu que é um roubo padre e pastor não pagar imposto para ficar andando de Mercedes e Rolls Royce. Faltam ainda os cegos de fé tirarem as vendas e os óculos escuros e enxergarem um pouco melhor. Mas já estamos caminhando, não é?