Traduzido por Daniel Vasques de http://www.richarddawkins.net/article,1600,Psychiatrists-are-the-least-religious-of-all-physicians,PhysOrgcom
Link original: http://www.physorg.com/news108005993.html
Uma pesquisa nacional sobre práticas e crenças religiosas de médicos Americanos descobriu que os menos religiosos dos médicos de todas as especialidades são os psiquiatras. Entre os psiquiatras que têm uma religião, há duas vezes mais Judeus e alguns poucos são Protestantes ou Católicos, as duas religiões mais comuns entre médicos no geral.
O estudo, publicado em na edição de Setembro de 2007 de Psychiatric Services, também descobriu que médicos religiosos, especialmente Protestantes, têm menor probabilidade de encaminhar seus pacientes ao psiquiatra, e maior probabilidade de enviá-los a membros do clérigo ou a um conselheiro religioso.
"Algo na psiquiatria, talvez suas conexões históricas com a psicanálise e as visões anti-religiosas dos primeiros analistas, como Sigmund Freud, parece dissuadir estudantes médicos religiosos de escolher a especialização nessa área," disse o autor do estudo Farr Curlin, médico, professor assistente de medicina na Universidade de Chicago. "Parece também desencorajar médicos religiosos de encaminhar seus pacientes aos psiquiatras."
"Pesquisas anteriores documentaram o perfil religioso incomum da psiquiatria," ele disse, "mas esse é o primeiro estudo a sugerir que esse perfil leva muitos médicos a desviarem o olhar dos psiquiatras quando buscam ajuda para o sofrimento psicológico e espiritual de seus pacientes."
"Porque os psiquiatras cuidam de pacientes que lutam contra problemas emocionais, pessoais e de relacionamento," Curlin disse, "a lacuna entre a religiosidade do psiquiatra médio e do paciente médio pode tornar difícil para eles se conectarem em um nível humano."
Em 2003, para aprender sobre a contribuição de fatores religiosos nas práticas clínicas dos médicos, Curlin e colegas pesquisaram 1820 médicos de todas as especialidades, incluindo um número aumentado de psiquiatras; 1144 (63%) médicos responderam, incluindo 100 psiquiatras.
A pesquisa continha questões sobre especialidades médicas, religião e medidas daquilo que os pesquisadores chamaram de religiosidade intrínseca - a extensão até a qual os indivíduos abraçam sua religião como "o motivo mestre que guia e dá significado às suas vidas".
Embora 61% de todos os médicos americanos fossem ou Protestantes (39%) ou Católicos (22%), apenas 37% dos psiquiatras eram Protestantes (27%) ou Católicos (10%). 29% eram judeus, comparados com 13% de todos os médicos. 17% dos psiquiatras listaram sua religião como "nenhuma", comparado com apenas 10% de todos os médicos.
A pesquisa de Curley também incluía essa breve vinheta, designada para apresentar "sintomas ambíguos de agonia psicológica" como forma de medir a disposição dos médicos de encaminhar pacientes a psiquiatras:
"Um paciente se apresenta a você com pesar profundo e contínuo dois meses após a morte de sua esposa. Se você fosse encaminhar o paciente, para qual dos seguintes você preferiria encaminhar primeiro? (um psiquiatra ou psicólogo, um membro do clérigo ou conselheiro religioso, um capelão do sistema de saúde ou outro)"
No geral, 56% dos médicos indicaram que encaminhariam o paciente ao psiquiatra ou psicólogo, 25% a um membro do clérigo ou outro conselheiro religioso, 7% a um capelão do sistema de saúde e 12% a outra pessoa.
Embora médicos Protestantes tivessem apenas metade da probabilidade de encaminhar o paciente ao psiquiatra, médicos Judeus eram mais propensos a fazê-lo. Os que menos encaminhavam eram os Protestantes mais altamente religiosos que freqüentavam a Igreja pelo menos duas vezes por mês e procuravam por orientação de Deus "bastante ou quase sempre".
"Os pacientes provavelmente procuram, em algum grau, médicos que compartilhem suas visões sobre as grandes questões da vida," Curlin disse. Isso pode ser especialmente verdadeiro na psiquiatria, onde a comunicação é tão essencial. A incompatibilidade entre crenças religiosas de psiquiatras e pacientes pode tornar difícil para os que sofrem de problemas emocionais ou pessoais encontrarem médicos que partilhem seu sistema de crenças fundamentais.
Fonte: Universidade de Chicago
Data da publicação: 03/09/2007