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domingo, 3 de fevereiro de 2008

Dawkins, um delírio

Artigo do site Saindo da Matrix, em que o autor critica Richard Dawkins. Agora é minha vez de criticar o autor desse artigo, embora concorde com ele em algumas poucas passagens. Meus comentários em vermelho.

Post original: http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2007/08/dawkins_um_deli.html

Digamos que apareça um barbudo de turbante falando que sua missão é converter as pessoas para Deus, generalizando que um "povo sem Deus" não tem moral e é corrupto. E convocando outros religiosos como ele a se unirem em sua luta contra esse estado de coisas. Esse homem seria visto como um louco, um fanático religioso, e por um momento você desejaria que ele estivesse preso na base militar de Guantánamo com um capuz na cabeça.
Comentário: esse exemplo acontece todos os dias. Basta andar na Av. Paulista. E ninguém os considera loucos ou algo que o valha. Apenas fanáticos, coitados. Nenhum deles vai para Guantánamo.

Mas, quando este homem tem a barba feita e tem título de cientista, falando exatamente o mesmo que o barbudo acima, mas trocando os lados, ele vende livros. Muito livros. E dá entrevistas nos melhores jornais do mundo. E é respeitado.
Comentário: talvez porque os livros dele sejam coerentes. E talvez porque ele trabalhe com algo que os religiosos em geral não têm: evidências. Evidências geram respeito. Diferentemente do respeito IMPOSTO pela religião, com o qual discordo veementemente, o respeito de Dawkins é conquistado pela maneira brilhante que ele coloca os fatos e pelo indiscutível dom (não divino, obviamente) de escrever bem.

Não o conheço, não li seus livros. Mas, pelo teor de sua entrevista ao Estado de SP, pode-se ver claramente o tipo de pessoa que ele é. Richard Dawkins é, na mais lisongeira expessão que posso usar, uma caricatura de Arnaldo Jabor. Se Jabor fosse um Alfa Romeo, Dawkins seria um Hummer. Ele nem parece britânico; está mais pra o estilo "assessor de George W. Bush".
Comentário: ou seja, vamos criticar sem ler. Dawkins leu a Bíblia de cabo a rabo antes de escrever várias passagens de seu livro. Dawkins estudou. Prezado Acid (como você mesmo se intitula), assista aos documentários de Dawkins - Root of All Evil? e Enemies of Reason, bem como Growing Up in The Universe - e leia seus livros - especialmente The Selfish Gene, A Devil's Chaplain, Climbing Mount Improbable e The God Delusion - antes de dizer que Dawkins é assessor de Bush ou caricatura de Arnaldo Jabor. Seria o mesmo que dizer, pelo que li dos seus comentários, que você é uma bicha religiosa que tenta defender o misticismo desnecessário para o povo. Mas não posso dizer isso porque não te conheço. Nem sei quem você é. Portanto, pense antes de escrever.

De suas obras, li apenas um resumo de "O Gene Egoísta", na revista Superinteressante, e confesso que gostei da idéia. De fato fazemos muitas coisas no automatismo, entregues ao nosso lado animal. Só não sei se ele tenta explicar TUDO com base nessa proposta que, ao meu ver, é apenas modesta. Agora o best seller da moda não é mais O Código da Vinci, e sim "Deus, um Delírio", onde Dawkins defende que a fé religiosa (seja qual for a denominação) não é apenas uma ilusão inofensiva, mas um delírio nocivo do qual a sociedade precisa ser curada.
Comentários: o livro "O Gene Egoísta" não fala que fazemos coisas no automatismo. Diz que nossos genes (e não nós) têm a única missão de procriar. Assim, de certa forma, eles controlam nossas reações, nossa aparência, sendo que isso não tem nada a ver com automatismos. A fé religiosa é um delírio nocivo, sim. Não sempre, mas nas poucas vezes em que o é, já faz pensarmos em eliminá-la completamente. Até porque, como Deus não existe, acreditar nele torna as pessoas presas a algo enganoso. As promessas religiosas soam como uma propaganda de carro em que dizem: por apenas 2000 reais, você adquire esse modelo de luxo com 4 portas, imenso porta-mala, ar-condicionado, trava elétrica, Car System instalado, dvd player, painel digital, câmbio automático, além de blindagem contra fuzis e bazucas. Só que, para isso, você não pode pegar as vias expressas, só pode andar na cidade, tem que levar o carro para a revisão todo domingo, não pode pôr gasolina comum, não pode pôr mulheres bonitas dentro do carro e, caso infrinja qualquer uma dessas regras, o carro vai ser tirado de você para sempre e você será obrigado a pagar o real valor de todos os adicionais sem direito a recurso. E mesmo que você aceite as condições, chegando na loja eles dizem: olha, o valor é 2000 reais, mas tem o imposto x, o imposto y, o imposto z mais a taxa de retirada do produto, mais a gasolina colocada, mais os pneus cheios, mais a taxa de compra do veículo, totalizando 28.500 reais. Ou seja, é tudo uma enganação. E as pessoas mesmo assim parecem gostar de ser enganadas o tempo todo.

Pela entrevista que li (abaixo), dá pra perceber que esse homem não é alguém não-religioso (não há nada de errado nisso, as pessoas podem ter religião ou não): ele é ANTI-religioso. E passional. E a sociedade não parece achar isso nada demais.Isso faz meu "sentido de aranha" pipocar. Só pra lembrar, foi a partir da indiferença da sociedade que a Alemanha nazista se tornou ANTI-Judia, porque UM GRUPO era anti-judeu e o povo alemão era, no máximo, omisso, indiferente, recalcado. Eu sempre uso esse exemplo extremo dos nazistas pra tudo, pois é o ápice do exemplo da maçã podre contaminando o cesto inteiro.
Comentário: Dawkins não quer que matemos as pessoas religiosas. Ele julga a religião uma imbecilidade (e de fato o é) e, portanto, tenta, através de seus livros, esclarecer as pessoas que vivem sob a ilusão de um Deus presente. Nenhuma, absolutamente nenhuma, correlação com os nazistas pode ser detectada em seus livros.

Cada resposta dele parece saída da boca de um talibã. Dá pra encontrar erros grosseiros em cada uma delas!! Não sei se por falta de conhecimento da matéria que pretende criticar ou por pura maldade. Se o cara pretende meter o pau nas religiões, precisa ter um mínimo de estudo pra criticar. Como eu não li o livro (e, pelo que li abaixo, não fiquei com a MENOR vontade de fazê-lo), me utilizarei das palavras dele na entrevista como base pra escrever uma réplica logo abaixo de cada resposta dele:
Comentário: Erros grosseiros? Nem acho que vale a pena comentar. Dawkins realmente conhece a matéria que critica. Mesmo que não conhecesse, você provavelmente não acredita em fadas e magos e não é especialista em "fadologia" e "magologia" para criticar ou desprezar sua existência. Por que seria diferente com a teologia?

Estadão: O sr. argumenta em seu livro que a religião é algo nocivo, que pode levar a guerras, terrorismo e preconceito. A maioria das pessoas religiosas, entretanto, não sai dirigindo carros-bomba por aí. Acreditam em Deus, vão à igreja aos domingos e seguem suas vidas sem problema. A religião é algo intrinsecamente ruim ou apenas quando levada ao extremo?
Dawkins: Nem tudo na religião é ruim, claro que não. A maioria das pessoas comuns, que vão à igreja todo domingo, não levam isso muito a sério - mas uma minoria leva, sim, extremamente a sério. O que eu quero dizer é que são essas pessoas comuns, do dia-a-dia religioso, que doutrinaram todos nós durante a infância de que a fé é uma coisa boa, e que a religião é algo que precisa ser respeitada. Isso cria um ambiente propício para o fundamentalismo, abre caminho para o extremismo.
Acid: Falácia. MUITAS pessoas que vão à igreja todo domingo levam a sério suas religiões, ou sequer iriam (como a maioria dos brasileiros que se dizem católicos mas só botam os pés na igreja quando vão a casamentos). Milhares de anos se passaram com pais ensinando a seus filhos que fé é uma coisa boa, e que a religião é algo que precisa ser respeitada, e não temos sequer um país extremista católico (ou homens-bomba da Sei-Cho-No-Ie, por exemplo). O que abre caminho pra o fundamentalismo é armar até os dentes uma facção de malucos (como os Talibãs) pra se defender de um inimigo em comum e esperar que ela seja dócil após subida ao poder. Parodiando a frase do Papa João Paulo II pra Bush quando de sua "Cruzada", eu diria: "Deixe a religião fora disso".
Comentário: Concordo que armar os talibãs foi um erro e certamente predispôs à guerra. Mas será que esse grupo guerreia por guerrear? Ou será que o fazem em nome de Alá? Ah, sim. Fazem isso em nome de Alá. Decapitam professoras que permitem que seus alunos desenhem caricaturas de Maomé em nome de Alá. Matam a sangue-frio repórteres americanos em nome de Alá. Não dá para deixar a religião fora disso. Ela está intrincada no coração de cada um dos extremistas muçulmanos.

Estadão: Tivemos há pouco um evento trágico no Brasil: um acidente de avião no qual morreram 199 pessoas. Numa situação dessas, a religião, a fé, é o único consolo para muitos parentes das vítimas. Nesse caso, também, o senhor acredita que a religião é uma coisa ruim? Como o senhor lida com as tragédias da vida?
Dawkins: Se tivesse religião, me preocuparia com o Deus que deixou uma coisa dessas acontecer. Você não? Deus sempre leva o crédito pelas coisas boas, mas nunca a culpa pelas coisas ruins. Ele deixou que a tragédia acontecesse! É incrível. Não sei se alguém sobreviveu a esse acidente, mas se for o caso, seria capaz de apostar que alguém disse: ‘Vejam que maravilhoso, Deus salvou meu filho, minha filha, ou seja lá quem for.’ Ninguém parece se dar conta de que esse mesmo Deus deixou todas as outras pessoas morrerem.
Acid: Que visão deturpada de mundo é essa, que o homem se recusa a responder uma pergunta óbvia dessas (do tipo que qualquer pessoa séria diria "sim, MAS...") e prefere responder com uma visão esteriotipada que nem tem relação com a pergunta original??! Que houve com você, Dawkins? Sua esposa foi partida ao meio por um urso no cio, e por isso você se revoltou com Deus? Esse homem se considera cientista? Espero que não.
Comentário: não é visão deturpada. É a visão real. Se, desde pequenos, fôssemos acostumados à idéia de que a morte é um fenômenos natural e que quem morre vai embora para sempre, sem essas baboseiras imbecis de vida eterna, paraíso, inferno, purgatório, virgens, enfim, o kit babaquice completo, aceitaríamos a morte com mais naturalidade. Agora, em se tratando de acidentes dessa proporção, muito embora tenham morrido várias pessoas, aquele que ia viajar e não pôde porque teve diarréia e ficou no banheiro do aeroporto vem às câmeras e diz: foi Deus quem me deu essa diarréia. Graças a ele eu estou aqui. Esse mesmo Deus queria matar todos aqueles do avião (ah, não.... é verdade, Deus não é culpado pelas coisas ruins... esse seria o livre arbítrio... entrou no avião quem quis) e quis que um pobre coitado tivesse caganeira para que não fosse morrer junto aos demais PECADORES. E você ainda se considera um crítico? Espero que não.

Estadão: Não consigo pensar em nenhuma sociedade, do presente ou do passado, que não tenha venerado algum tipo de divindade – seja o Deus Sol, o Deus Vento ou qualquer outro tipo de deus. Será que a religião não faz parte do nosso DNA, que não é algo intrínseco à essência do ser humano?
Dawkins: Acho que você tem razão. Todas as sociedades humanas manifestam algum tipo de religião. Grande número de pessoas é religiosa, mas não todas. Não é algo, portanto, que esteja tão incorporado ao nosso DNA que não sejamos capazes de escapar disso. Muitos de nós escapam, especialmente as pessoas que têm uma educação melhor. Eu diria, sim, que há uma predisposição da mente humana que nos torna vulneráveis à religião, mas não acho que isso esteja embutido em nossos genes.
Acid: Vulneráveis? É uma doença? Isso é científico? "Lamento, mas você contraiu o vírus da religião". Que palhaçada é essa?
Comentário: a vulnerabilidade à religião é válida, assim como a vulnerabilidade à imbecilidade. Se pararmos para pensar, somos todos ateus. Parafraseando um autor ateu cujo nome me falta agora: "quando você compreender a razão pela qual você rejeita todos os outros deuses, compreenderá a razão pela qual eu rejeito o seu deus." E mesmo sabendo disso, as pessoas parecem se reunir em times: eu torço por Alá, eu torço por Deus, eu torço por Juju da montanha. Com tantas religiões que alegam que seu Deus é exclusivo, alguém tem que estar errado. E, se você não acha que isso é um vírus, tente passar 2 horas numa sala com um evangélico fanático. Você certamente compreenderá.

Estadão: Por que contrariar esse instinto?
Dawkins: Bem, nós não fazemos tudo que é natural do ser humano, fazemos? Se fizéssemos, todos nós estaríamos andando pelados por aí. Nossos ancestrais selvagens eram caçadores-coletores, que provavelmente lutavam constantemente entre si, principalmente pelo controle das fêmeas. Não é exatamente o tipo de sociedade na qual gostaríamos de viver hoje. Nós evoluímos muito desde então, ao longo de vários séculos de civilização, e nossa emancipação dos deuses é mais um passo desse processo civilizatório.
Acid: Oh... então os religiosos estão defasados, como o videocassete, o LP, a TV preto-e-branco... E a associação "brilhante" entre a violência pré-histórica contra as fêmeas e a religiosidade? Nada sutil... Será que é mesmo "natural" do ser humano andar pelado por aí? Aqui no Brasil pode até ser, mas o que diria um esquimó? Ou um beduíno? Se cobrir de panos cumpre apenas uma função social ou é natural do ser humano (praticamente um macaco sem pêlos) que procuremos proteger nosso corpo? Esse cara é mesmo considerado um pensador?
Comentário: Sim, os religiosos estão defasados à medida em que acham que a Terra tem milhares de anos e não milhões de anos. Estão defasados ao rejeitarem a seleção natural e a teoria da evolução. Estão defasados em relação à origem do Universo, à origem do homem e à existência de Deus e de espíritos e almas. E também em acreditar na existência de vida após a morte. O ser humano começou a usar roupas antes de perder os pêlos e a roupa virou uma "cauda de pavão".

Estadão: Charles Darwin não era ateu, era agnóstico (alguém que não crê em Deus, mas não descarta totalmente sua existência). O sr. acha que ele aprovaria seu livro?
Dawkins: Darwin era um homem muito gentil, que se preocupava muito em não ofender seus amigos religiosos. Chegou a dizer que as pessoas não estavam prontas para o ateísmo. Acho que Darwin não ficaria totalmente satisfeito com o meu livro. Acho até que ele concordaria comigo no fundo do seu coração, mas não concordaria em publicar o livro da maneira como eu publiquei.
Acid: Darwin era um cientista, ao contrário de Dawkins. Nota-se o cuidado que Darwin teve quando escreveu nos pés de páginas do manuscrito Origem das Espécies o seguinte: "Nunca escrever que um organismo é superior ou inferior". Ou seja, ele sabia que cada organismo cumpre seu papel no planeta da melhor forma. Creio até que Darwin, se consultado, diria pra que os humanos se inspirassem na ilha de Galápagos (onde ele esteve para pesquisar precisamente a vida selvagem) e convivessem uns com os outros como os animais dali, que coabitam o lugar sem serem predadores uns dos outros.
Comenário: sim, Darwin era um cientista. Dawkins também o é. Os dois escreveram sobre temas diferentes. Darwin, sobre evolução; Dawkins, sobre religião. Embora Dawkins já tenha escrito livros sobre evolução, no caso de "Deus, o delírio" ele critica especificamente as religiões e não fala tanto sobre evolução como em outros livros. Darwin jamais escreveu nada contra as religiões simplesmente porque esse não era seu intuito. O de Dawkins é.

Estadão: Quando o sr. prega o fim da religião e coloca a ciência como dona da verdade, essa não é uma posição tão radical quanto a dos fundamentalistas religiosos?
Dawkins: Não acho. Os fundamentalistas acreditam em algo simplesmente porque aquilo está escrito em um livro. Só acredito em alguma coisa com base em evidências, e isso é uma grande diferença. Admito ser passional, veemente, mas apenas sobre assuntos para os quais existem evidências. Não sou passional porque fui criado para acreditar em algo ou porque li aquilo em algum livro sagrado.
Acid: Não, não é uma grande diferença. A ciência já acreditou em muita besteira baseada em "evidências". Dawkins e o fundamentalista religioso são dois idiotas que acreditam em coisas baseadas em "evidências". O religioso sente a presença de Deus nas pequenas e grandes coisas e isso é evidência suficiente pra ele, assim como algumas teorias científicas são evidências suficiente pra você, Dawkins. Os maiores religiosos não foram "criados pra acreditar em algo" nem "leram em algum livro sagrado". Eles são grandes justamente porque romperam com o sistema. Mais uma bola fora pra você, Dawkins, que pelo visto não sabe PN de religião. Em compensação, posso dizer que os norte-americanos são famosos por serem manipulados porque foram "criados para acreditar em algo" ou porque leram/viram na imprensa ("o livro sagrado").

Querem saber como são criados homens-bomba? Não é numa mesquita, aprendendo sobre o Alcorão, e sim:



Sendo humilhados desde pequenos



Sendo espancados ainda crianças (com sadismo) quando protestam contra a ocupação ILEGAL de seu país



Sabendo de casos de estupro e morte de menores e de suas famílias




Sendo abalroados pelos donos da rua (e donos do seu país)



Vendo pessoas que você ama sendo mortas a troco de nada, apenas por existirem



Sim... Até que eles estejam prontos pra revidar... e aí Dawkins vai poder dizer "Viu? Foi em nome de Allah!"
Comentário: a diferença, caro Acid, entre acreditar em evidências e acreditar em religião, reside no fato de que a ciência, quando demonstra que uma evidência estava errada, convence todos os cientistas e o rumo da coisa toda muda. Já com a religião, por mais que se argumente e demonstre que a existência de Deus e do kit idiotice completo não existem, o religioso responde: "Mas a Bíblia diz que não foi assim". Concordo com você com relação aos vídeos acima. Tudo isso acontece de fato, só que você se esqueceu de um detalhe: eles passam por tudo isso E são criados sob o Islamismo. Ou seja: acreditam que tudo isso que são obrigados a suportar é obra de Alá e das pessoas anti-Alá. Daí sim a festa está completa. E vão fazer, como Dawkins disse, em nome de Alá.

Estadão: Muitas vezes a doutrina religiosa é usada como referência moral, inclusive para impor limites éticos à ciência - como no caso da clonagem e das células-tronco embrionárias. Sem a religião, quem vai regular a ciência? Sem Deus para julgar nossas ações no fim do túnel, quem vai determinar o que é certo e o que é errado?
Dawkins: Jogar fora a religião não significa jogar fora a ética. Ética é algo completamente diferente. Qualquer um que disser que baseia sua ética na religião está quase certamente enganado. Ninguém tira seus conceitos morais da Bíblia, porque isso significaria ser a favor da escravidão, da opressão das mulheres, do apedrejamento de homossexuais etc. O que as pessoas fazem é selecionar versos da Bíblia que as agradam, mas a ética e a moral elas pegam de outro lugar. Muita gente também acredita que sem a religião todos se transformariam em pessoas más, que não haveria nada que lhes impedisse de praticar atos ruins. Se isso é verdade, essas pessoas não são realmente boas. Elas só são boas porque têm medo de serem punidas por Deus, e não acho que essa seja uma forma honrosa de bondade.
Acid: Eu li direito? "Ninguém tira seus conceitos morais da Bíblia (...) a ética e a moral elas pegam de outro lugar". Pegam de onde, professor Tibúrcio? Dos episódios dos Simpsons? Da educação familiar dos pais ausentes? Onde foi mesmo que eu li que devemos perdoar nossos inimigos? Foi na Revista Caras ou foi na Veja? Essa foi a frase mais estúpida que eu li este ano!! O cara escreve um livro criticando Deus e nem sequer sabe (ou finge que não sabe) o que é a Bíblia! Ele mistura no mesmo saco a filosofia refinada de Jesus com as atrocidades cometidas pelos hebreus pra validar seu ponto de que não tem ética na bíblia. C@R@LHO! Tem alguém aqui que goste desse cara? Porque eu preciso que alguém me diga se ele fala isso a sério ou se ele usa esse argumento no livro!
Comentário: leu direito sim, meu caro Acid. Ele diz isso sim. E prova que está certo. Por isso acho que você tem que ler o livro antes de criticá-lo. Numa entrevista de jornal, onde as palavras são contadas por problemas de espaço, não dá para argumentar muito. Leia o livro. Mas os jainistas não acreditam em Deus e são um povo cheio de moral, só para citar um exemplo. Além do mais, não se esqueça que essas atrocidades cometidas por hebreus foram todas em nome de Deus e com base no que dizia (e diz) a Bíblia "Sagrada".

Estadão: O sr. foi eleito mais de uma vez pela revista britânica Prospect como um do mais importantes intelectuais do planeta. O sr. acha que os cientistas são os novos pensadores, os novos filósofos do mundo moderno?
Dawkins: Acho que a ciência tem, sim, muito a dizer para o mundo, e acho que as pessoas se sentiriam muito mais completas em suas vidas se aprendessem com a ciência. Não só com o conhecimento da ciência, mas com a metodologia do descobrimento científico, que é algo que vale a pena ser seguido.
Acid: Li que a votação foi popular. E como a voz do povo é a voz de Deus... bem... Ok, Dawkins, você me convenceu: Deus não existe.
Comentário: isso responde se ele é ou não um cientista. Já você, Acid, não o é. A votação foi a penas um dos títulos de Dawkins. Leia na Wikipedia o que ele já escreveu, não só sobre religião, mas sobre diversos assuntos. E entre no site http://www.richarddawkins.net/

Estadão: A ciência tem resposta para tudo?
Dawkins: Ainda não, e talvez nunca tenha. Mas, se há algo que a ciência não pode responder, não há nenhuma razão para supor que a religião possa.
Acid: Que tal "qual o sentido da vida?" Ou "por que eu devo agir com solidariedade quando estiver num estado de sobrevivência, o famoso cada um por si?" O que será que os genes dos grandes mártires da fé diriam de seus feitos?
Sabe o que é pior? Dawkins não só é um completo ignorante em termos de religião, como não tem base científica nem pra sustentar seus próprios argumentos. Esse vídeo abaixo mostra bem a enrascada em que ele se mete ao ser questionado a dar algum exemplo de mutação genética ou processo evolucionário que mostre um aumento da informação no genoma:




Pra quem não sabe inglês: ele não responde. Enrola, enrola, mas não dá nenhum exemplo

Se quisermos falar um pouco mais sério, poderíamos questionar, com base na alegação de Dawkins de que as pessoas tiram sua ética de algum lugar que não a bíblia, mas apenas escolhem as passagens que já refletem seu caráter ou escolha: Será que as pessoas que detestam religião não estão usando os argumentos furados de Dawkins apenas porque JÁ tinham essa posição definida de ser ateu e acaba dando um valor maior a Dawkins do que pela sua argumentação? Será que não transferem o mesmo grau de sacralidade que os religiosos dão a seus escritos ao livro de Dawkins? Pensem nisso.

Comentário: A cena acima foi editada para que parecesse que Dawkins ficou sem resposta quando, na verdade, era intervalo no programa ou algo do gênero. De qualquer modo, Dawkins sempre pensa muito antes de dar uma resposta porque às vezes uma palavra que ele usa é usada contra ele pelos criacionistas. Assim, mesmo que não tenha sido montagem, é possível que ele estivesse apenas pensando. E, mesmo que não fosse essa a hipótese, quem nunca teve um branco em toda a sua vida? O fato de ser um cientista de renome não o impede de ter um branco. Só teve o azar de ter o seu branco filmado. Mas isso não invalida nenhum de seus argumentos.

Observação: No post original tem um vídeo que mostra o argumento de Dawkins sendo usado para provar que ele mesmo não existe. Achei isso tão imbecil, visto que nós VEMOS, OUVIMOS, PODEMOS TOCAR em Dawkins e em Deus não, que preferi não colocar o vídeo aqui.

Até mais,

Daniel Vasques