Excelente palestra. São três vídeos de 8 minutos cada um. Vale muito a pena assistir. Todos legendados. Há alguns erros nas legendas, mas dá para pegar a idéia geral.
Mostrando postagens com marcador Papa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Papa. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Vídeos: Richard Dawkins fala sobre fé
Marcadores:
Aiatolá,
ateísmo,
ateu,
Carl Sagan,
Deus,
fé,
palestra,
Papa,
religião,
religiosidade,
Richard Dawkins
terça-feira, 11 de março de 2008
O prazer de perdoar
Respostado da coluna de Helio Schwartsman
Como se temia, o ministro Carlos Alberto Menezes Direito pediu vista na ação de inconstitucionalidade contra pesquisas com células-tronco embrionárias humanas, frustrando as expectativas de uma decisão rápida para essa importante matéria. Difícil acreditar que a atitude não tenha objetivos protelatórios. Direito, afinal, define-se como um católico fervoroso, o que o torna necessariamente um adversário desse tipo de investigação. E, na prática, retardar a decisão significa evitar pesquisas, pois são poucos os cientistas que investem em experimentos que poderão ser considerados ilegais amanhã.
Entrando no mérito do problema, beira o "nonsense" a posição da Igreja Católica e de outros grupos religiosos contra as pesquisas médicas com células-tronco no Brasil. O que o artigo 5º da Lei de Biossegurança (nº 11.105) autoriza é a utilização de embriões remanescentes de tratamentos para fertilidade. Estamos, portanto, falando de mórulas que tenham sido consideradas inviáveis ou que estejam congeladas há mais de três anos --o que as torna más candidatas para iniciar uma gravidez. Não foram implantadas num útero e são mais do que remotas as chances de que venham a sê-lo. Seu destino seria a destruição pura e simples ou permanecer indefinidamente congeladas num freezer.
Sei que a Igreja Católica sempre foi contra os bebês de proveta. Só que isso não muda o fato de que existem alguns milhares de embriões armazenados em clínicas de fertilidade. Qual a proposta do Vaticano para eles? Obrigar as mães a introduzi-los em seus úteros? Oferecer as freiras para servir de barrigas de aluguel e permitir que eles possam nascer?
Não sou um especialista em logística social, mas parece-me uma tremenda de uma asneira deixar que esse material biológico já disponível e sem destinação evidente pereça no próximo apagão elétrico. É muito mais razoável dar-lhe um fim nobre, como a utilização em pesquisas que poderão um dia, ainda que distante, salvar vidas.
Não estou, com essas considerações pragmáticas, afirmando que não existe uma questão de princípio que pode e deve ser discutida. Se há um debate a que eu não me furto são aqueles que envolvem proposições filosóficas. O problema aqui é que, diante da situação concreta, a posição religiosa adquire tons que transitam entre o surreal e o obtuso.
Não é muito diferente da questão do aborto. Sei que Roma acha que o procedimento deve ser considerado crime em todas as circunstâncias. Mas, independentemente da ordem das razões, o que a igreja pretende que se faça com as mulheres que tentam --e continuarão tentando, não importa o que diga a lei-- expulsar embriões de seus úteros? Colocá-las na cadeia? No Brasil, estima-se que sejam 1,5 milhão de abortos por ano. Lembrando que são relativamente raros os casos de mulheres que fazem dois procedimentos no mesmo ano, precisaríamos de algo como 1,2 milhão de novas vagas/ano em penitenciárias femininas. Isso dá a bagatela de 3.333 vagas/dia, sem botar na conta médicos, parteiras e comadres que se acumpliciam com as criminosas e, pela lei, também deveriam ir para o xilindró. Será que a Santa Sé está disposta a leiloar alguns de seus Michelangelos e Fra Angélicos para nos ajudar a construir tantas cadeias? Minha suspeita é que desejam manter essas práticas na ilegalidade apenas pelo prazer de, depois, perdoar o pecador.
Admitamos, porém, pelo bem do debate, o nefelibatismo vaticano e deixemos de lado as questões práticas. O argumento católico é o de que a vida tem início na concepção e deve desde então ser protegida, seja ela viável ou não, esteja dentro ou fora de um útero.
Primeiro reparo. É bobagem afirmar que a vida começa com a concepção. Tanto o óvulo como o espermatozóide já eram vivos antes de se unirem. O que dá para dizer é que a fusão dos gametas marca a criação da identidade genética única do que poderá tornar-se um ser humano, se as condições ambientais ajudarem. Temos, portanto, um ser humano em potência, para utilizar a distinção aristotélica, autor tão caro à igreja. E não faz muito sentido embaralhar potencialidades com atualidades; afinal, no longo prazo somos todos cadáveres.
Embora os "amici curiae" evitem dizê-lo nos autos, o ponto central, que torna coerente a posição do Vaticano, é um dogma "de fide": o homem é composto de corpo e alma. E, para a igreja, esta é instilada no novo ser no momento da concepção. Só que ninguém jamais demonstrou que existe alma e muito menos que ela se instala no embrião quando o espermatozóide fertiliza o óvulo. O dissenso não opõe apenas religiosos a vis ateus. Uma das mais importantes autoridades da igreja, santo Tomás de Aquino, afirmou, acompanhando Aristóteles, que a alma de garotos só chegava ao embrião no 40º dia. Já a de garotas, talvez porque fossem mais lentas para arrumar-se, só no 48º dia.
Recuemos, porém, mais um pouco na ordem das razões. Será que a noção de alma pára em pé? Estima-se que 2/3 a 3/4 dos óvulos fecundados jamais se fixem no útero, resultando em "abortos" espontâneos (as aspas vão porque, pelas definições mais aceitas não dá nem para falar em aborto antes da nidação). Isso, é claro, quando a fecundação ocorre naturalmente no corpo da mulher. Quando ela se dá dentro de um tubo de ensaio, as chances caem bastante. Os médicos estimulam os ovários da mulher a fim de retirar-lhe o maior número possível de óvulos. Freqüentemente obtêm algumas dezenas, que são em seguida fertilizados, transformando-se zigotos e daí mórulas. Por determinação do Conselho Federal de Medicina, implantam no máximo quatro delas. As demais são postas no freezer.
O que quero dizer é que a "vida em potência", no mais das vezes, torna-se, não "vida em ato", mas "aborto em ato". Se a alma é soprada por Deus no momento da concepção, qual é o sentido desse verdadeiro holocausto anímico? Para cada alma humana que "vinga" duas ou três são sacrificadas antes mesmo de vir à luz. Tamanho "desperdício" seria menos insensato se a Igreja Católica abraçasse, como as religiões antigas, a doutrina da metempsicose (transmigração das almas). A alma não teve sucesso nesta tentativa, paciência, volte mais tarde. Mas, como o catolicismo rejeita a tal da reencarnação, cada aborto resulta numa alma irremediavelmente perdida. É bem verdade que essa aparente incongruência não é um problema para o verdadeiro fiel, que jamais questiona os atos de Deus. Mesmo que nos pareçam insensatos, fazem sentido no plano superior.
Só que essa não é a única dificuldade que a introdução da alma nos apresenta. Para começar, a própria concepção não é exatamente um instante, mas um intervalo que varia de 24 a 48 horas. Esse é o tempo que transcorre entre a penetração do espermatozóide no óvulo e a fusão genética dos gametas. Será que a alma leva todo esse tempo para ser soprada no novo ser? Pior, se assumimos todas as conseqüências dessa noção, mulheres que usam DIU ou tomam a pílula do dia seguinte deveriam ser processadas como assassinas em série, pois esses métodos contraceptivos impedem que o concepto --já com alma-- se implante no útero. (A Igreja Católica de fato condena toda forma "não-natural" de prevenção da gravidez, mas a maioria dos protestantes não vai tão longe).
É, entretanto, o fenômeno da gemelaridade que revela todos os limites e contradições da idéia de alma. Gêmeos monozigóticos (idênticos) se formam entre um e 14 dias depois da fertilização, quando o embrião sofre um desenvolvimento anormal dando lugar a dois ou mais indivíduos com o mesmo material genético. A alma, é claro, já estava lá. Cabem, assim, algumas perguntas. Ela também se divide, ou outras almas surgem para animar os demais irmãos? De onde elas vêm? Quem fica com a "original"? E, se gêmeos partilham a mesma alma, como fica o livre-arbítrio? Se um irmão peca, leva o outro --talvez bonzinho-- ao inferno? Ou a alma boa prevalece sobre a má, carregando para o paraíso uma ovelha negra?
Cada um é livre para acreditar ou não em alma, ciência, tratamentos para fertilidade ou uma mistura disso tudo em proporções variáveis. Mas o Estado democrático deve procurar a proporcionar a maior felicidade possível para o maior número de cidadãos, sempre respeitando os direitos de todos. Nessa busca invariavelmente conflituosa, fatos provados devem ter primazia sobre opiniões. Dogmas e crenças de alguns não podem converter-se em obstáculos na busca pelo bem comum.

E-mail: helio@folhasp.com.br
Marcadores:
ateísmo,
ateu,
Catolicismo,
células-tronco,
coluna,
embrião,
Folha OnLine,
Helio Schwartsman,
Igreja,
Papa,
religião,
religiosidade
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
sábado, 19 de janeiro de 2008
Vídeo: Programa Sem Fronteiras
Excelente programa da Rede Globo News, na íntegra. Assistam até o final.
Marcadores:
ateísmo,
ateu,
Darwin,
fanatismo,
Globo,
Globo News,
news,
Papa,
seleção natural,
Sem Fronteiras,
vídeo
sábado, 12 de janeiro de 2008
Vídeo: Eddie Izzard
Comediante Eddie Izzard fala sobre a Igreja Anglicana.
Marcadores:
Bíblia,
Eddie Izzard,
Henrique VIII,
humor,
Igreja Anglicana,
mórmons,
Papa,
vídeo
domingo, 30 de dezembro de 2007
Segunda Encíclica do Papa Bento XVI (com comentários em vermelho)
O papa Bento 16 publicou nesta sexta-feira uma segunda encíclica na qual critica os ateus.
Leia abaixo um trecho do documento.
Para ler a íntegra do texto, clique aqui.
"CARTA ENCÍCLICA SPE SALVI DO SUMO PONTÍFICE BENTO XVI AOS BISPOS AOS PRESBÍTEROS E AOS DIÁCONOS ÀS PESSOAS CONSAGRADAS E A TODOS OS FIÉIS LEIGOS SOBRE A ESPERANÇA CRISTÃ
Introdução
1. "SPE SALVI facti sumus" é na esperança que fomos salvos: diz São Paulo aos Romanos e a nós também (Rm 8,24). A "redenção", a salvação, segundo a fé cristã, não é um simples dado de facto. A redenção é-nos oferecida no sentido que nos foi dada a esperança, uma esperança fidedigna, graças à qual podemos enfrentar o nosso tempo presente: o presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceite, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho. E imediatamente se levanta a questão: mas de que gênero é uma tal esperança para poder justificar a afirmação segundo a qual a partir dela, e simplesmente porque ela existe, nós fomos redimidos? E de que tipo de certeza se trata?
A fé é esperança
Comentário: Em primeiro lugar, o Papa se baseia, como tudo em teologia, na fé. Ou seja, se você não acredita, nada feito. Você não pode querer provar nada. Acredite e fique quieto. Teste a Deus, duvide por um segundo sequer e pronto, sua redenção está comprometida. No final desse parágrafo, não sei se a tradução foi mal feita ou se o texto foi mal escrito ou mesmo se minha capacidade de interpretação de textos está ruim devido a eu ter acabado de chegar de um plantão de 24 horas, mas eu não vi sentido algum. Reparem na pergunta: E de que tipo de certeza se trata? Resposta: A fé e esperança. Ora, mas a fé não é justamente acreditar sem ter certeza alguma. Então, meus caros, ou a tradução foi mal feita ou o Papa se expressou mal. Preciso ver o original em alemão ou em alguma outra língua que o Papa fale melhor.
2. Antes de nos debruçarmos sobre estas questões, hoje particularmente sentidas, devemos escutar com um pouco mais de atenção o testemunho da Bíblia sobre a esperança. Esta é, de facto, uma palavra central da fé bíblica, a ponto de, em várias passagens, ser possível intercambiar os termos "fé" e "esperança ". Assim, a Carta aos Hebreus liga estreitamente a "plenitude da fé " (10,22) com a "imutável profissão da esperança" (10,23). De igual modo, quando a Primeira Carta de Pedro exorta os cristãos a estarem sempre prontos a responder a propósito do logos o sentido e a razão da sua esperança (3,15), "esperança" equivale a "fé". Quão determinante se revelasse para a consciência dos primeiros cristãos o facto de terem recebido o dom de uma esperança fidedigna, manifesta-se também nos textos onde se compara a existência cristã com a vida anterior à fé ou com a situação dos adeptos de outras religiões. Paulo lembra aos Efésios que, antes do seu encontro com Cristo, estavam "sem esperança e sem Deus no mundo" (Ef 2,12). Naturalmente, ele sabe que eles tinham seguido deuses, que tiveram uma religião, mas os seus deuses revelaram-se discutíveis e, dos seus mitos contraditórios, não emanava qualquer esperança. Apesar de terem deuses, estavam "sem Deus" e, consequentemente, achavam-se num mundo tenebroso, perante um futuro obscuro. "In nihil ab nihilo quam cito recidimus" (No nada, do nada, quão cedo recaímos) [1] diz um epitáfio daquela época; palavras nas quais aparece, sem rodeios, aquilo a que Paulo alude. Ao mesmo tempo, diz aos Tessalonicenses: não deveis "entristecer-vos como os outros que não têm esperança" (1 Ts 4,13). Aparece aqui também como elemento distintivo dos cristãos o facto de estes terem um futuro: não é que conheçam em detalhe o que os espera, mas sabem em termos gerais que a sua vida não acaba no vazio. Somente quando o futuro é certo como realidade positiva, é que se torna vivível também o presente. Sendo assim, podemos agora dizer: o cristianismo não era apenas uma "boa nova", ou seja, uma comunicação de conteúdos até então ignorados. Em linguagem actual, dir-se-ia: a mensagem cristã não era só "informativa", mas "performativa". Significa isto que o Evangelho não é apenas uma comunicação de realidades que se podem saber, mas uma comunicação que gera factos e muda a vida. A porta tenebrosa do tempo, do futuro, foi aberta de par em par. Quem tem esperança, vive diversamente; foi-lhe dada uma vida nova.
Comentário: Mais uma vez, tudo se baseia na fé. Não se pode nem ter esperança sem ter fé. Ora, são conceitos parecidos, mas de forma alguma são sinônimos. Quando jogo na megasena, tenho esperança de ganhar, mas sei das minhas chances, porque elas existem. Acredito que possa ganhar, por isso tenho fé, mas minha fé não é uma certeza. É mais um desejo do que uma certeza. Nesse ponto, em que fé se parece mais com desejo do que com certeza, fé e esperança se parecem muito. Será que é isso que Bento XVI quis dizer? As pessoas gostariam muito que Deus existisse, mas no fundo sabem que as chances são mínimas. Viver só essa vida não tem nada demais. Nós nem sabíamos que existíamos até que viemos para cá. Então, como mágica, a partir do momento em que colocamos o pé neste planeta, não podemos mais sair de circulação? Por que não? Para alimentar a sede egoísta de existência eterna dos 'bons demais para simplesmente sumir'? Não. Quando morremos, acaba. Assim como já tinha acabado antes de nascermos. Nascermos foi um acidente que pode durar horas, semanas, dias, meses, ou, no máximo, pouco mais de uma centena de anos. É o período que temos aqui para vivermos. Não é preciso ver algum sentido nisso. Basta ver que isso é melhor do que fazer parte do conjunto de DNA que jamais chegou a nascer por não ter conseguido se combinar da maneira correta. Agora o mais interessante disso tudo é a parte do texto acima que eu fiz questão de sublinhar: os seus deuses revelaram-se discutíveis e, dos seus mitos contraditórios, não emanava qualquer esperança. Ah, claro. Então ressuscitar mortos, ascender aos céus, nascer de mulheres virgens, ser três pessoas em uma só, ouvir milhões de preces simultaneamente, curar leprosos e doentes graves, ressuscitar mesmo depois de mortopor 3 dias, julgar vivos e mortos, ser concebido pelo poder de um espírito, criar o universo inteiro em 7 dias, tomando o cuidado de criar o livre arbítrio para que nada pudesse ser tido como sua culpa naquilo que viesse a dar errado, transformar pão em corpo e vinho em sangue, ou ainda multiplicar pães, tudo isso não dá margem a dúvidas e discussões e não são mitos contraditórios. Ah, Bento XVI, esperava mais de você.
3. Porém, agora coloca-se a questão: em que consiste esta esperança que, enquanto esperança, é "redenção"? Pois bem, o núcleo da resposta encontra-se no trecho da Carta aos Efésios já citado: os Efésios, antes do encontro com Cristo, estavam sem esperança, porque estavam "sem Deus no mundo". Chegar a conhecer Deus, o verdadeiro Deus: isto significa receber esperança. A nós, que desde sempre convivemos com o conceito cristão de Deus e a ele nos habituamos, a posse duma tal esperança que provém do encontro real com este Deus quase nos passa despercebida. O exemplo de uma santa da nossa época pode, de certo modo, ajudar-nos a entender o que significa encontrar pela primeira vez e realmente este Deus. Refiro-me a Josefina Bakhita, uma africana canonizada pelo Papa João Paulo II. Nascera por volta de 1869 ela mesma não sabia a data precisa no Darfur, Sudão. Aos nove anos de idade foi raptada pelos traficantes de escravos, espancada barbaramente e vendida cinco vezes nos mercados do Sudão. Por último, acabou escrava ao serviço da mãe e da esposa de um general, onde era diariamente seviciada até ao sangue; resultado disso mesmo foram as 144 cicatrizes que lhe ficaram para toda a vida. Finalmente, em 1882, foi comprada por um comerciante italiano para o cônsul Callisto Legnani que, ante a avançada dos mahdistas, voltou para a Itália. Aqui, depois de "patrões" tão terríveis que a tiveram como sua propriedade até agora, Bakhita acabou por conhecer um "patrão" totalmente diferente no dialecto veneziano que agora tinha aprendido, chamava "paron" ao Deus vivo, ao Deus de Jesus Cristo. Até então só tinha conhecido patrões que a desprezavam e maltratavam ou, na melhor das hipóteses, a consideravam uma escrava útil. Mas agora ouvia dizer que existe um "paron" acima de todos os patrões, o Senhor de todos os senhores, e que este Senhor é bom, a bondade em pessoa. Soube que este Senhor também a conhecia, tinha-a criado; mais ainda, amava-a. Também ela era amada, e precisamente pelo "Paron" supremo, diante do qual todos os outros patrões não passam de miseráveis servos. Ela era conhecida, amada e esperada.
Mais ainda, este Patrão tinha enfrentado pessoalmente o destino de ser flagelado e agora estava à espera dela "à direita de Deus Pai". Agora ela tinha "esperança"; já não aquela pequena esperança de achar patrões menos cruéis, mas a grande esperança: eu sou definitivamente amada e aconteça o que acontecer, eu sou esperada por este Amor. Assim a minha vida é boa. Mediante o conhecimento desta esperança, ela estava "redimida", já não se sentia escrava, mas uma livre filha de Deus. Entendia aquilo que Paulo queria dizer quando lembrava aos Efésios que, antes, estavam sem esperança e sem Deus no mundo: sem esperança porque sem Deus. Por isso, quando quiseram levá-la de novo para o Sudão, Bakhita negou-se; não estava disposta a deixar-se separar novamente do seu "Paron". A 9 de Janeiro de 1890, foi baptizada e crismada e recebeu a Sagrada Comunhão das mãos do Patriarca de Veneza. A 8 de Dezembro de 1896, em Verona, pronunciou os votos na Congregação das Irmãs Canossianas e desde então, a par dos serviços na sacristia e na portaria do convento, em várias viagens pela Itália procurou sobretudo incitar à missão: a libertação recebida através do encontro com o Deus de Jesus Cristo, sentia que devia estendê-la, tinha de ser dada também a outros, ao maior número possível de pessoas. A esperança, que nascera para ela e a "redimira", não podia guardá-la para si; esta esperança devia chegar a muitos, chegar a todos.
O conceito de esperança baseada sobre a fé no Novo Testamento e na Igreja primitiva.
Comentário: Dessa vez, vou ser breve. Onde estava o Paron que deixou que Bakhita fosse seviciada, espancada, vendida, escravizada, torturada, etc? Só porque ela nem sabia de sua "existência" seria ela merecedora desse castigo? Afinal, assim que soube, Bakhita se devotou a ele. Porém, já tinha sofrido tudo que alguém poderia sofrer. Leiam meu post sobre "A Psicologia por trás dos cultos/religiões" e verão que Bakhita preenchia os critérios necessários para ser um recruta perfeito. Sua auto-estima estava baixa, sua situação era ruim. O recrutador soube fazer o processo de lavagem cerebral adequadamente e Bakhita, como qualquer outro em sua situação teria feito, caiu.
4. Antes de enfrentar a questão de saber se também para nós o encontro com aquele Deus que, em Cristo, nos mostrou a sua Face e abriu o seu Coração poderá ser "performativo" e não somente "informativo", ou seja, se poderá transformar a nossa vida a ponto de nos fazer sentir redimidos através da esperança que o mesmo exprime, voltemos de novo à Igreja primitiva. Não é difícil notar como a experiência da humilde escrava africana Bakhita foi também a experiência de muitas pessoas maltratadas e condenadas à escravidão no tempo do cristianismo nascente. O cristianismo não tinha trazido uma mensagem sócio-revolucionária semelhante à de Espártaco que tinha fracassado após lutas cruentas. Jesus não era Espártaco, não era um guerreiro em luta por uma libertação política, como Barrabás ou Bar-Kochba. Aquilo que Jesus Ele mesmo morto na cruz tinha trazido era algo de totalmente distinto: o encontro com o Senhor de todos os senhores, o encontro com o Deus vivo e, deste modo, o encontro com uma esperança que era mais forte do que os sofrimentos da escravatura e, por isso mesmo, transformava a partir de dentro a vida e o mundo. A novidade do que tinha acontecido revela-se, com a máxima evidência, na Carta de São Paulo a Filémon. Trata-se de uma carta, muito pessoal, que Paulo escreve no cárcere e entrega ao escravo fugitivo Onésimo para o seu patrão precisamente Filémon. É verdade, Paulo envia de novo o escravo para o seu patrão, de quem tinha fugido, e fá-lo não impondo, mas suplicando: "Venho pedir-te por Onésimo, meu filho, que gerei na prisão [...]. De novo to enviei e tu torna a recebê-lo, como às minhas entranhas [...]. Talvez ele se tenha apartado de ti por algum tempo, para que tu o recobrasses para sempre, não já como escravo, mas, em vez de escravo, como irmão muito amado " (Flm 10-16). Os homens que, segundo o próprio estado civil, se relacionam entre si como patrões e escravos, quando se tornaram membros da única Igreja passaram a ser entre si irmãos e irmãs assim se tratavam os cristãos mutuamente. Em virtude do Baptismo, tinham sido regenerados, tinham bebido do mesmo Espírito e recebiam conjuntamente, um ao lado do outro, o Corpo do Senhor. Apesar de as estruturas externas permanecerem as mesmas, isto transformava a sociedade a partir de dentro. Se a Carta aos Hebreus diz que os cristãos não têm aqui neste mundo uma morada permanente, mas procuram a futura (cf. Heb 11, 13-14; Fil 3,20), isto não significa de modo algum adiar para uma perspectiva futura: a sociedade presente é reconhecida pelos cristãos como uma sociedade imprópria; eles pertencem a uma sociedade nova, rumo à qual caminham e que, na sua peregrinação, é antecipada".
Comentário: Bonito de ler, mas na prática isso quer dizer que...?
Leia abaixo um trecho do documento.
Para ler a íntegra do texto, clique aqui.
"CARTA ENCÍCLICA SPE SALVI DO SUMO PONTÍFICE BENTO XVI AOS BISPOS AOS PRESBÍTEROS E AOS DIÁCONOS ÀS PESSOAS CONSAGRADAS E A TODOS OS FIÉIS LEIGOS SOBRE A ESPERANÇA CRISTÃ
Introdução
1. "SPE SALVI facti sumus" é na esperança que fomos salvos: diz São Paulo aos Romanos e a nós também (Rm 8,24). A "redenção", a salvação, segundo a fé cristã, não é um simples dado de facto. A redenção é-nos oferecida no sentido que nos foi dada a esperança, uma esperança fidedigna, graças à qual podemos enfrentar o nosso tempo presente: o presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceite, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho. E imediatamente se levanta a questão: mas de que gênero é uma tal esperança para poder justificar a afirmação segundo a qual a partir dela, e simplesmente porque ela existe, nós fomos redimidos? E de que tipo de certeza se trata?
A fé é esperança
Comentário: Em primeiro lugar, o Papa se baseia, como tudo em teologia, na fé. Ou seja, se você não acredita, nada feito. Você não pode querer provar nada. Acredite e fique quieto. Teste a Deus, duvide por um segundo sequer e pronto, sua redenção está comprometida. No final desse parágrafo, não sei se a tradução foi mal feita ou se o texto foi mal escrito ou mesmo se minha capacidade de interpretação de textos está ruim devido a eu ter acabado de chegar de um plantão de 24 horas, mas eu não vi sentido algum. Reparem na pergunta: E de que tipo de certeza se trata? Resposta: A fé e esperança. Ora, mas a fé não é justamente acreditar sem ter certeza alguma. Então, meus caros, ou a tradução foi mal feita ou o Papa se expressou mal. Preciso ver o original em alemão ou em alguma outra língua que o Papa fale melhor.
2. Antes de nos debruçarmos sobre estas questões, hoje particularmente sentidas, devemos escutar com um pouco mais de atenção o testemunho da Bíblia sobre a esperança. Esta é, de facto, uma palavra central da fé bíblica, a ponto de, em várias passagens, ser possível intercambiar os termos "fé" e "esperança ". Assim, a Carta aos Hebreus liga estreitamente a "plenitude da fé " (10,22) com a "imutável profissão da esperança" (10,23). De igual modo, quando a Primeira Carta de Pedro exorta os cristãos a estarem sempre prontos a responder a propósito do logos o sentido e a razão da sua esperança (3,15), "esperança" equivale a "fé". Quão determinante se revelasse para a consciência dos primeiros cristãos o facto de terem recebido o dom de uma esperança fidedigna, manifesta-se também nos textos onde se compara a existência cristã com a vida anterior à fé ou com a situação dos adeptos de outras religiões. Paulo lembra aos Efésios que, antes do seu encontro com Cristo, estavam "sem esperança e sem Deus no mundo" (Ef 2,12). Naturalmente, ele sabe que eles tinham seguido deuses, que tiveram uma religião, mas os seus deuses revelaram-se discutíveis e, dos seus mitos contraditórios, não emanava qualquer esperança. Apesar de terem deuses, estavam "sem Deus" e, consequentemente, achavam-se num mundo tenebroso, perante um futuro obscuro. "In nihil ab nihilo quam cito recidimus" (No nada, do nada, quão cedo recaímos) [1] diz um epitáfio daquela época; palavras nas quais aparece, sem rodeios, aquilo a que Paulo alude. Ao mesmo tempo, diz aos Tessalonicenses: não deveis "entristecer-vos como os outros que não têm esperança" (1 Ts 4,13). Aparece aqui também como elemento distintivo dos cristãos o facto de estes terem um futuro: não é que conheçam em detalhe o que os espera, mas sabem em termos gerais que a sua vida não acaba no vazio. Somente quando o futuro é certo como realidade positiva, é que se torna vivível também o presente. Sendo assim, podemos agora dizer: o cristianismo não era apenas uma "boa nova", ou seja, uma comunicação de conteúdos até então ignorados. Em linguagem actual, dir-se-ia: a mensagem cristã não era só "informativa", mas "performativa". Significa isto que o Evangelho não é apenas uma comunicação de realidades que se podem saber, mas uma comunicação que gera factos e muda a vida. A porta tenebrosa do tempo, do futuro, foi aberta de par em par. Quem tem esperança, vive diversamente; foi-lhe dada uma vida nova.
Comentário: Mais uma vez, tudo se baseia na fé. Não se pode nem ter esperança sem ter fé. Ora, são conceitos parecidos, mas de forma alguma são sinônimos. Quando jogo na megasena, tenho esperança de ganhar, mas sei das minhas chances, porque elas existem. Acredito que possa ganhar, por isso tenho fé, mas minha fé não é uma certeza. É mais um desejo do que uma certeza. Nesse ponto, em que fé se parece mais com desejo do que com certeza, fé e esperança se parecem muito. Será que é isso que Bento XVI quis dizer? As pessoas gostariam muito que Deus existisse, mas no fundo sabem que as chances são mínimas. Viver só essa vida não tem nada demais. Nós nem sabíamos que existíamos até que viemos para cá. Então, como mágica, a partir do momento em que colocamos o pé neste planeta, não podemos mais sair de circulação? Por que não? Para alimentar a sede egoísta de existência eterna dos 'bons demais para simplesmente sumir'? Não. Quando morremos, acaba. Assim como já tinha acabado antes de nascermos. Nascermos foi um acidente que pode durar horas, semanas, dias, meses, ou, no máximo, pouco mais de uma centena de anos. É o período que temos aqui para vivermos. Não é preciso ver algum sentido nisso. Basta ver que isso é melhor do que fazer parte do conjunto de DNA que jamais chegou a nascer por não ter conseguido se combinar da maneira correta. Agora o mais interessante disso tudo é a parte do texto acima que eu fiz questão de sublinhar: os seus deuses revelaram-se discutíveis e, dos seus mitos contraditórios, não emanava qualquer esperança. Ah, claro. Então ressuscitar mortos, ascender aos céus, nascer de mulheres virgens, ser três pessoas em uma só, ouvir milhões de preces simultaneamente, curar leprosos e doentes graves, ressuscitar mesmo depois de mortopor 3 dias, julgar vivos e mortos, ser concebido pelo poder de um espírito, criar o universo inteiro em 7 dias, tomando o cuidado de criar o livre arbítrio para que nada pudesse ser tido como sua culpa naquilo que viesse a dar errado, transformar pão em corpo e vinho em sangue, ou ainda multiplicar pães, tudo isso não dá margem a dúvidas e discussões e não são mitos contraditórios. Ah, Bento XVI, esperava mais de você.
3. Porém, agora coloca-se a questão: em que consiste esta esperança que, enquanto esperança, é "redenção"? Pois bem, o núcleo da resposta encontra-se no trecho da Carta aos Efésios já citado: os Efésios, antes do encontro com Cristo, estavam sem esperança, porque estavam "sem Deus no mundo". Chegar a conhecer Deus, o verdadeiro Deus: isto significa receber esperança. A nós, que desde sempre convivemos com o conceito cristão de Deus e a ele nos habituamos, a posse duma tal esperança que provém do encontro real com este Deus quase nos passa despercebida. O exemplo de uma santa da nossa época pode, de certo modo, ajudar-nos a entender o que significa encontrar pela primeira vez e realmente este Deus. Refiro-me a Josefina Bakhita, uma africana canonizada pelo Papa João Paulo II. Nascera por volta de 1869 ela mesma não sabia a data precisa no Darfur, Sudão. Aos nove anos de idade foi raptada pelos traficantes de escravos, espancada barbaramente e vendida cinco vezes nos mercados do Sudão. Por último, acabou escrava ao serviço da mãe e da esposa de um general, onde era diariamente seviciada até ao sangue; resultado disso mesmo foram as 144 cicatrizes que lhe ficaram para toda a vida. Finalmente, em 1882, foi comprada por um comerciante italiano para o cônsul Callisto Legnani que, ante a avançada dos mahdistas, voltou para a Itália. Aqui, depois de "patrões" tão terríveis que a tiveram como sua propriedade até agora, Bakhita acabou por conhecer um "patrão" totalmente diferente no dialecto veneziano que agora tinha aprendido, chamava "paron" ao Deus vivo, ao Deus de Jesus Cristo. Até então só tinha conhecido patrões que a desprezavam e maltratavam ou, na melhor das hipóteses, a consideravam uma escrava útil. Mas agora ouvia dizer que existe um "paron" acima de todos os patrões, o Senhor de todos os senhores, e que este Senhor é bom, a bondade em pessoa. Soube que este Senhor também a conhecia, tinha-a criado; mais ainda, amava-a. Também ela era amada, e precisamente pelo "Paron" supremo, diante do qual todos os outros patrões não passam de miseráveis servos. Ela era conhecida, amada e esperada.
Mais ainda, este Patrão tinha enfrentado pessoalmente o destino de ser flagelado e agora estava à espera dela "à direita de Deus Pai". Agora ela tinha "esperança"; já não aquela pequena esperança de achar patrões menos cruéis, mas a grande esperança: eu sou definitivamente amada e aconteça o que acontecer, eu sou esperada por este Amor. Assim a minha vida é boa. Mediante o conhecimento desta esperança, ela estava "redimida", já não se sentia escrava, mas uma livre filha de Deus. Entendia aquilo que Paulo queria dizer quando lembrava aos Efésios que, antes, estavam sem esperança e sem Deus no mundo: sem esperança porque sem Deus. Por isso, quando quiseram levá-la de novo para o Sudão, Bakhita negou-se; não estava disposta a deixar-se separar novamente do seu "Paron". A 9 de Janeiro de 1890, foi baptizada e crismada e recebeu a Sagrada Comunhão das mãos do Patriarca de Veneza. A 8 de Dezembro de 1896, em Verona, pronunciou os votos na Congregação das Irmãs Canossianas e desde então, a par dos serviços na sacristia e na portaria do convento, em várias viagens pela Itália procurou sobretudo incitar à missão: a libertação recebida através do encontro com o Deus de Jesus Cristo, sentia que devia estendê-la, tinha de ser dada também a outros, ao maior número possível de pessoas. A esperança, que nascera para ela e a "redimira", não podia guardá-la para si; esta esperança devia chegar a muitos, chegar a todos.
O conceito de esperança baseada sobre a fé no Novo Testamento e na Igreja primitiva.
Comentário: Dessa vez, vou ser breve. Onde estava o Paron que deixou que Bakhita fosse seviciada, espancada, vendida, escravizada, torturada, etc? Só porque ela nem sabia de sua "existência" seria ela merecedora desse castigo? Afinal, assim que soube, Bakhita se devotou a ele. Porém, já tinha sofrido tudo que alguém poderia sofrer. Leiam meu post sobre "A Psicologia por trás dos cultos/religiões" e verão que Bakhita preenchia os critérios necessários para ser um recruta perfeito. Sua auto-estima estava baixa, sua situação era ruim. O recrutador soube fazer o processo de lavagem cerebral adequadamente e Bakhita, como qualquer outro em sua situação teria feito, caiu.
4. Antes de enfrentar a questão de saber se também para nós o encontro com aquele Deus que, em Cristo, nos mostrou a sua Face e abriu o seu Coração poderá ser "performativo" e não somente "informativo", ou seja, se poderá transformar a nossa vida a ponto de nos fazer sentir redimidos através da esperança que o mesmo exprime, voltemos de novo à Igreja primitiva. Não é difícil notar como a experiência da humilde escrava africana Bakhita foi também a experiência de muitas pessoas maltratadas e condenadas à escravidão no tempo do cristianismo nascente. O cristianismo não tinha trazido uma mensagem sócio-revolucionária semelhante à de Espártaco que tinha fracassado após lutas cruentas. Jesus não era Espártaco, não era um guerreiro em luta por uma libertação política, como Barrabás ou Bar-Kochba. Aquilo que Jesus Ele mesmo morto na cruz tinha trazido era algo de totalmente distinto: o encontro com o Senhor de todos os senhores, o encontro com o Deus vivo e, deste modo, o encontro com uma esperança que era mais forte do que os sofrimentos da escravatura e, por isso mesmo, transformava a partir de dentro a vida e o mundo. A novidade do que tinha acontecido revela-se, com a máxima evidência, na Carta de São Paulo a Filémon. Trata-se de uma carta, muito pessoal, que Paulo escreve no cárcere e entrega ao escravo fugitivo Onésimo para o seu patrão precisamente Filémon. É verdade, Paulo envia de novo o escravo para o seu patrão, de quem tinha fugido, e fá-lo não impondo, mas suplicando: "Venho pedir-te por Onésimo, meu filho, que gerei na prisão [...]. De novo to enviei e tu torna a recebê-lo, como às minhas entranhas [...]. Talvez ele se tenha apartado de ti por algum tempo, para que tu o recobrasses para sempre, não já como escravo, mas, em vez de escravo, como irmão muito amado " (Flm 10-16). Os homens que, segundo o próprio estado civil, se relacionam entre si como patrões e escravos, quando se tornaram membros da única Igreja passaram a ser entre si irmãos e irmãs assim se tratavam os cristãos mutuamente. Em virtude do Baptismo, tinham sido regenerados, tinham bebido do mesmo Espírito e recebiam conjuntamente, um ao lado do outro, o Corpo do Senhor. Apesar de as estruturas externas permanecerem as mesmas, isto transformava a sociedade a partir de dentro. Se a Carta aos Hebreus diz que os cristãos não têm aqui neste mundo uma morada permanente, mas procuram a futura (cf. Heb 11, 13-14; Fil 3,20), isto não significa de modo algum adiar para uma perspectiva futura: a sociedade presente é reconhecida pelos cristãos como uma sociedade imprópria; eles pertencem a uma sociedade nova, rumo à qual caminham e que, na sua peregrinação, é antecipada".
Comentário: Bonito de ler, mas na prática isso quer dizer que...?
Assinar:
Postagens (Atom)